terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Papa transmite suas condolências e a sua participação na dor das famílias atingidas pela tragédia da boate em Santa Maria

Mensagem do Cardeal Tarcisio Bertone Secretário de Estado do Vaticano, em nome do Santo Padre, ao arcebispo SE Bispo Hélio Adelar Rubert
CIDADE DO VATICANO, 28 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Publicamos a seguir a mensagem  de condolências em nome do Santo Padre pelas vítimas do incidente na boate de Santa Maria (Brasil) ocorrido na noite sábado. A mensagem divulgada pelo Serviço de Informação do Vaticano (VIS) foi enviada pelo Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, em nome do Santo Padre, ao arcebispo SE Bispo Hélio Adelar Rubert .
EXMO REVMO DOM HÉLIO ADELAR RUBERT
ARCEBISPO DE SANTA MARIA
CONSTERNADO PELA TRÁGICA MORTE DE CENTENAS DE JOVENS EM UM INCÊNDIO EM SANTA MARIA, O SUMO PONTÍFICE PEDE A VOSSA EXCELÊNCIA QUE TRANSMITA ÀS FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS SUAS CONDOLÊNCIAS E SUA PARTICIPAÇÃO NA DOR DE TODOS OS ENLUTADOS. AO MESMO TEMPO EM QUE CONFIA A DEUS PAI DE MISERICÓRDIA OS FALECIDOS, O SANTO PADRE PEDE AO CÉU O CONFORTO E RESTABELECIMENTO PARA OS FERIDOS, CORAGEM E A CONSOLAÇÃO DA ESPERANÇA CRISTÃ PARA TODOS ATINGIDOS PELA TRAGÉDIA E ENVIA, A QUANTOS ESTÃO EM SOFRIMENTO E AO MESMO PROCURAM REMEDIA-LO, UMA PROPICIADORA BÊNÇÃO APOSTÓLICA.
CARDEAL TARCÍSIO BERTONE
SECRETÁRIO DE ESTADO DE SUA SANTIDADE

NOTA DE SOLIDARIEDADE

Nota de Solidariedade pelas vítimas do incêndio em Santa Maria


”Aos que a certeza da morte entristece,
a promessa da imortalidade consola”

(Prefácio dos Mortos)


Há poucas semanas, no dia 10 de novembro passado, chegava até nós a boa notícia da alegria cristã de milhares de jovens reunidos no Bote Fé regional, realizado em Santa Maria, na acolhida aos Símbolos da Jornada Mundial da Juventude. De nossas comunidades, cerca de 500 jovens se somavam ao extraordinário número de participantes do inesquecível evento. Hoje, nossas terras de fronteira recebem do coração do Estado do Rio Grande do Sul o eco de tristeza e de dor de centenas de mortos e feridos na mesma cidade de Santa Maria, que antes fora lugar de manifestação pública da fé cristã da juventude gaúcha.
Desde nossa Terra Santa, a Diocese de Uruguaiana, manifestamos, através de nosso site, neste veículo de comunicação tão próprio da juventude, nossa solidariedade aos familiares e amigos dos envolvidos no trágico incêndio, especialmente aqueles oriundos de nossas cidades e que lá estudavam, trabalhavam, residiam ou passeavam. Cabe-nos uma palavra de firme esperança, alicerçada em nossa fé na ressurreição e na vida eterna, diante de tantas vidas ceifadas tão cedo e de forma tão terrível. Cabe-nos, também, uma palavra de consolo aos enlutados, que contam com nossas orações confiantes ao Deus da Vida. Cabe-nos, ainda, uma palavra de apelo às autoridades competentes para que os espaços de lazer e de diversão de nossos jovens possam sempre oferecer ambientes de segurança e proteção às suas vidas. Por fim, cabe-nos uma palavra de apoio aos jovens, sobretudo àqueles empenhados na Campanha Nacional contra a Violência e o Extermínio de Jovens, para que perseverem em sua luta e em seu compromisso de manifestar com coragem ”o discurso que Deus nos faz através da juventude” (CNBB, Evangelização da Juventude, nº. 81).
Orientamos nossas comunidades paroquiais que, em data e horário adequados, no próximo final de semana, incluam entre as intenções de missas comunitárias uma prece especial pelos jovens falecidos. E recomendamos aos padres, religiosos e agentes de pastoral leigos todo esforço para minimizar a dor dos familiares enlutados residentes em nossas Paróquias.

Com nossa bênção, em nome da Diocese de Uruguaiana,

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo Diocesano


Pe. Flavio Soares
Vigário Geral


vIA SITE DA DIOCESE DE URUGUAIANA

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O pecado, padre Vieira e o direito canônico

Uma fotografia formidável do pecado




Por Edson Sampel

SãO PAULO, 24 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Nalgumas comunidades eclesiais, evita-se falar em pecado. Vamos cuidar das coisas boas, dizem certas pessoas. Há, até, quem afirme que o pecado não existe; é obsessão de gente moralista! Por que tal postura? Afinal de contas, hoje em dia, o pecado está tão presente e atuante no mundo. Se não, vejamos. Atentemo-nos para as guerras intestinas em vários países. Observemos os inúmeros assassínios e chacinas que ocorrem dia a dia na nossa cidade, no nosso país; as falcatruas, os roubos e prevaricações libidinosas e administrativas; os crimes de trânsito impunes; a pedofilia; o sexo como mercadoria; o aborto institucionalizado... Meu Deus! Difícil afirmar que não se perpetram pecados hodiernamente. Há-os tantos!
Em geral, esquecemo-nos de um tipo de pecado: o pecado de omissão. Quando questionados, respondemos: eu não cometo pecado nenhum, pois não faço mal a ninguém! Todavia, é pecado deixar de praticar boas obras; esquivar-se do dever de socorrer o próximo, sobretudo o pobre. Jesus no-lo confirma esta doutrina no evangelho do juízo final: “estive com fome, com sede, faminto, e não me socorreste” (Mt 25, 31-46).
Ninguém soube descrever melhor a feiúra do pecado que o “imperador da língua portuguesa”, pe. Antônio Vieira, SJ. Transcrevo a seguir um excerto do Sermão da Publicação do Jubileu, pregado em 1654. Ouçamos o grande jesuíta:          
“Sabeis vós (...) por que não tendes ao pecado o horror e aborrecimento que o menor deles merece? É porque não conheceis a sua fealdade. Representá-la como verdadeiramente é não é possível (...).
Considerai-me uma cara (que não mereça nome de rosto, nem ainda de monstro) deformissimamente macilenta, seca e escaveirada, a cor verde-negra e funesta, as queixadas sumidas, a testa enrugada, os olhos sem pestanas nem sobrancelhas e, em lugar das meninas, duas grossas belidas; calva, remelosa, desnarigada: a boca torta, os beiços azuis, os dentes enfrestados, amarelos e podres, a garganta carcomida de alparcas, em lugar de barba um lobinho que lhe chega até os peitos, e no meio dele um cancro fervendo em bichos, manando podridão e matéria, não só asqueroso e medonho à vista, mas horrendo, pestilento e insuportável ao cheiro. Cuidais que disse alguma coisa? Do que verdadeiramente é [o pecado], nem sobras (...).”
O pecado tem de ser debelado, destruído. No lugar dele, há de vicejar a caridade, verdadeira antítese do mal. Aí, sim, surgirão coisas boas de que tratar. É oportuno termos em mente uma fotografia formidável do pecado, como a tirada por Vieira. Contudo, jamais percamos de vista o princípio de que o pecado tem de ser realmente odiado; já o pecador será sempre amado e respeitado.
O modo ordinário de se conseguir a absolvição do pecado é o sacramento da penitência, consoante prescreve o cânon 960. De fato, Jesus, sumamente misericordioso, instituiu o mencionado sacramento, ofertando-nos a oportunidade de lograrmos a absolvição até mesmo com uma contrição imperfeita ou atrição, isto é, quando nos arrependemos precipuamente pelo temor das consequências nefastas da ofensa a Deus. Segundo o estatuído no cânon 989, todo fiel deve confessar os pecados graves, ao menos uma vez por ano.
Edson Luiz Sampel é Doutor em direito canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano. Membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp).  

Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização

Mensagem de Bento XVI por ocasião da 47° Dia Mundial das Comunicações Sociais
CIDADE DO VATICANO, 24 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Apresentamos o texto completo da mensagem de Bento XVI por ocasião do 47° Dia Mundial das Comunicações Sociais.
Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização
Amados irmãos e irmãs,
Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam actualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.
Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contactos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.
O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.
A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).
O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interacção humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.
A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afectiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do património artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.
A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.
Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tacto, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança no poder da acção de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.
As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um factor de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efectiva com a comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interactivo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).
No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem actual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line – a importância do encontro directo, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.
Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).
            Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Filhos de divorciado são menos propensos à prática religiosa

EUA: novo dossiê revela impacto sobre a fé nas famílias divididas
Por John Flynn, LC
ROMA, 22 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - As consequências sociais negativas do divórcio são bem conhecidas, mas uma nova pesquisa mostra que ele também leva à diminuição da prática religiosa.
Na semana passada, o Instituto de Valores Americanos publicou o dossiê “O modelo da família modela a fé? Os impactos das mudanças da família desafiam as Igrejas”, apresentando os resultados de uma pesquisa feita com estudantes.
A cada ano, cerca de um milhão de crianças vivem a experiência do divórcio dos pais, diz o relatório. Um quarto dos jovens adultos vem de famílias divorciadas.
Os autores do estudo dizem que os filhos de divorciados se tornam menos religiosos quando chegam à idade adulta do que aqueles que crescem em famílias unidas. Enquanto dois terços das pessoas que cresceram em famílias intactas afirmam ser muito religiosas, apenas metade dos que têm pais divorciados diz a mesma coisa.
Em termos de prática religiosa, mais de um terço dos adultos jovens de famílias unidas é praticante, contra um quarto das pessoas que vêm de lares desfeitos.
De acordo com o relatório do Instituto de Valores Americanos, a influência mais significativa para os jovens em termos de fé e prática religiosa vem dos pais. "Os pais desempenham um papel vital na influência religiosa sobre os filhos após o divórcio, especialmente em uma cultura em que os compromissos associativos e outras formas de participação cívica não são mais uma referência normativa, como ocorria no passado", diz o dossiê.
Falta de apoio
Uma das razões para os filhos de pais divorciados serem menos praticantes, de acordo com o estudo, é o fato de que, na hora da separação dos pais, dois terços dos entrevistados afirmarem que ninguém da comunidade religiosa lhes ofereceu qualquer apoio.
Outra razão é o fato de o divórcio provocar um declínio na frequência das crianças à igreja. O número de adultos crescidos em famílias divididas que são frequentadores regulares da igreja é a metade do número dos filhos de famílias unidas que praticam a religião.
Quem passou pelo divórcio dos pais também afirma ter encontrado menos referências espirituais e religiosas na família. Apenas um terço dos pais divorciados encorajou os filhos a praticarem a fé, contra dois terços das famílias unidas.
O divórcio tem impacto direto sobre a fé como tal, dizem os entrevistados, alguns dos quais interpretam o divórcio dos pais como um dano aos seus valores espirituais essenciais. Estes são mais propensos a se definir como "espirituais" em vez de "religiosos".
Outro estudo conclui que os filhos de famílias desestruturadas são menos interessados em buscar um sentido, a verdade ou uma relação com Deus, além de menos inclinados a pensar que as instituições religiosas podem ajudá-los.
Os pesquisadores avaliaram o impacto do chamado "bom divórcio", aquele que acontece de modo amigável ou sem conflitos. O resultado indica que os jovens criados em famílias felizes e unidas têm o dobro de propensão à prática religiosa dos que os que experimentaram um "bom divórcio" dos pais. O dossiê enfatiza: "Embora o chamado ‘bom divórcio’ seja melhor que um divórcio conflitivo, ele continua não sendo um bem".
Os filhos de pais que se divorciaram amigavelmente, aliás, podem até sofrer mais do que aqueles cujas famílias enfrentaram altos níveis de conflito, já que podem interpretar que, se pessoas amáveis ​​não conseguiram realizar um casamento feliz, talvez a própria instituição do casamento seja a culpada, e não o comportamento dos pais.
As igrejas devem envolver-se mais com os pais divorciados e com seus filhos, pede o relatório. Um pastor protestante oferece sugestões a este respeito. Pastores e líderes juvenis deveriam trabalhar mais para determinar modelos de fé, diz o pastor, já que o divórcio complica o papel que os pais normalmente desempenham. Também é importante ouvir quem sofreu um divórcio e promover um ambiente em que eles possam questionar e tentar descobrir como lidar com o que aconteceu.
A igreja pode representar um importante santuário e um espaço acolhedor para os jovens divididos entre "a casa da mãe" e "a casa do pai". "Para um filho de divorciados, a igreja pode ser um lugar estável para a recepção e um santuário para a adoração, para os sacramentos, a música, o estudo, a socialização e a diversão", acrescenta o pastor.
“Não é apenas o divórcio que deve ser discutido”, prossegue um dos autores do dossiê. “Nós sabemos pouco também sobre as consequências para a fé dos filhos de casais que coabitam, dos nascidos por inseminação artificial, dos que são criados por casais do mesmo sexo”.
O dossiê destaca o quanto é importante para a sociedade a instituição da família fundamentada na união estável entre um homem e uma mulher.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

VIVÊNCIA DA FÉ EM MUDANÇA DE ÉPOCA


 

Caros diocesanos. Estamos no Ano da Fé e vivemos uma oportunidade de renová -la em nossa vida, pois ela propõe um caminho que dura a vida inteira: foi iniciado no batismo e somente é concluído com a passagem através da morte para a vida eterna. Como afirma Bento XVI: “A porta da fé, que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós” (PF 1). O papa alerta os cristãos para a crise da fé na atualidade, sendo que ela não pode ser mais pressuposta e por vezes a preocupação com as suas conseqüências sociais, culturais e políticas é maior do que com a própria fé. O Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da Páscoa Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama a pessoa humana à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf. At 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz a pessoa humana numa vida nova (PF 6). A fé implica um testemunho e um compromisso social. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um fato privado. A fé, precisamente porque é um ato da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita: A ‘fé, que atua pelo amor’ (Gl 5, 6) (PF 10). Através da fé, muitos cristãos tornaram-se promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4, 18-19) (PF13).
Em tempos de Mudança de Época, desfavoráveis para a vivência da verdadeira fé, sobretudo pela influência do secularismo, alguns elementos são irrenunciáveis em nossa missão evangelizadora, segundo o Pe Leomar Brustolin:
1. Partir da fé em Jesus Cristo: É tempo de voltar às fontes;
2. A fé cristã não é mais um pressuposto óbvio, nem mesmo para os batizados;
3. A crise é complexa: Reavivar uma fé que corre o risco de se obscurecer nos contextos culturais diferentes;
4. Não ceder ao pessimismo: Globalização, secularização, velhas e novas pobrezas são desafios a enfrentar como oportunidade de evangelização;
5. O Concílio Vaticano II é a bússola da evangelização neste século XXI; É preciso acolher esse evento com renovado olhar sobre a atualidade: não dá mais para responder aos novos desafios com velhas respostas;
6. Sinais dos Tempos: Os eventos históricos não são ocasiões apenas para lamentações ou sucessos, mas devem ser entendidos como oportunidades dadas por Deus para o ser humano interpelar sua imaginação, sua razão e sua fé;
7. É necessária uma conversão pessoal e pastoral: A missão de evangelizar o mundo inicia com um apelo à conversão para a Igreja, começando por si mesma;
8. Buscar uma Nova Evangelização: Capacidade da Igreja em viver de modo renovado a própria experiência comunitária de fé e de anúncio num contexto de novas situações culturais que despontaram nestes últimos decênios;
9. Crer tem conseqüências públicas e sociais: A fé exige a responsabilidade social daquilo que se acredita;
10. É indispensável a atenção ao marginalizado e ao excluído como expressão da caridade suscitada pela fé: A Igreja sente o dever de estar ao lado dos homens e das mulheres deste tempo para tornar presente o Senhor na sua vida.
Caros diocesanos. Que o Ano da Fé seja momento propício para renovar e aprofundar a nossa Fé: “Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!”
Dom Aloísio A. Dilli - Bispo de Uruguaiana
 
 



domingo, 20 de janeiro de 2013

Com este "sinal", Jesus se revela como o esposo messiânico"

As palavras de Bento XVI durante Angelus
CIDADE DO VATICANO, 20 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Publicamos a seguir as palavras proferidas por Bento XVI aos fieis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro hoje, ao meio-dia, durante a oração do tradicional Angelus.
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Queridos irmãos e irmãs!
Hoje a liturgia propõe o Evangelho das bodas de Caná, um episódio narrado por João, testemunha ocular do fato. Tal episódio foi colocado neste domingo imediatamente após o tempo de Natal, porque, junto com a visita dos Magos do Oriente e com o Batismo de Jesus, forma a trilogia da Epifania, ou seja, da manifestação de Cristo. As bodas de Caná são, de fato, "o início dos sinais" (Jo 2, 11), que é o primeiro milagre de Jesus, com o qual Ele manifestou a sua glória em público, provocando a fé dos seus discípulos. Lembremo-nos brevemente o que houve durante a festa de casamento em Caná da Galiléia. Aconteceu que acabou o vinho, Maria, a Mãe de Jesus, mostrou isso para o seu Filho. Ele respondeu que ainda não havia chegado o seu tempo; mas depois seguiu a solicitação de Maria, e fazendo encher de água seis grandes jarros, transformou a água em vinho, um vinho fino, melhor do que o anterior. Com este "sinal", Jesus se revela como o Esposo messiânico, que veio para estabelecer com o seu povo a nova e eterna Aliança, de acordo com as palavras dos profetas: "Como o noivo se alegra da noiva, assim o seu Deus se alegra por você” (Is 62, 5). E o vinho é símbolo desta alegria do amor; mas isso também se refere ao sangue, que Jesus vai pagar no final, para selar a sua aliança de casamento com a humanidade.
A Igreja é a esposa de Cristo, que a torna santa e bela com a sua graça. No entanto esta esposa, formada por seres humanos, está sempre necessitada de purificação. E um dos pecados mais graves que desfigura o rosto da Igreja é aquele contra a sua unidade visível, especialmente as divisões históricas que separam os cristãos e que ainda não foram superadas. Justamente nesses dias, do 18 de janeiro ao 25, acontece a anual Semana de oração pela unidade dos cristãos, um momento sempre esperado pelos crentes e pelas comunidades, que desperta em todos o desejo e o compromisso espiritual da plena comunhão. Neste sentido, foi muito importante a vigília que pude celebrar há um mês, nesta Praça, com milhares de jovens de toda a Europa e com a comunidade ecumênica de Taizé: um momento de graça em que experimentamos a beleza da formar em Cristo uma só coisa. Encorajo a todos a orar juntos para que possamos realizar "O que o Senhor pede de nós" (cf. Mi 6,6-8), como diz este ano o tema da Semana; um tema proposto por algumas comunidades cristãs da Índia, que convidam a caminhar com determinação para a unidade visível de todos os cristãos e para superar, como irmãos em Cristo, qualquer tipo de discriminação injusta. Na próxima sexta-feira, no final desses dias de oração, presidirei as Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na presença dos Representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais.
Queridos amigos, junto com a oração pela unidade dos cristãos gostaria de acrescentar mais uma vez aquela pela paz, para que, nos diferentes conflitos infelizmente em ato, parem com os massacres de civis inocentes, acabe todo tipo de violência, e se encontre a coragem para o diálogo e a negociação. Para ambas as intenções, invocamos a intercessão de Maria Santíssima, medianeira das graças.

domingo, 13 de janeiro de 2013

TRANSMISSÃO DA FÉ NA MUDANÇA DE ÉPOCA

Caros diocesanos.
Vivemos profundas mudanças na história da humanidade; estas são rápidas e envolvem a todos nós, atingindo os diversos âmbitos da nossa vida, também o religioso. Por isso não falamos em época de mudanças, mas em Mudança de Época.
A mudança de época que nos envolve se caracteriza por uma séria ruptura entre e Cultura, colocando em crise, de certa forma, a cultura cristã, vigente desde os primeiros séculos, quando o cristianismo se inculturou no mundo greco-romano e foi se desenvolvendo através dos séculos, chegando também ao Brasil com os chamados descobridores, já em 1500. Podemos indicar alguns sinais concretos dessa ruptura em nosso tempo: redução numérica de cristãos católicos (Em
1970, a % de católicos no RS era 91,1. Em 2010, passou para 64,6 - ZH, 30/06/2012, p. 29); secularização; ameaças à vida, em diversas formas; uso inadequado do Nome de Jesus, retirada de crucifixos e de frases cristãs em lugares públicos (cédulas), etc.. Esta realidade cultural emergente não se solucionará simplesmente com reações apologéticas, mas exigirá de nós cristãos uma nova postura no processo de evangelização missionária. Em tempos idos havia clareza e unidade na identificação cristã, tendo como conseqüência uma moral individual e social definida; a transmissão da fé e dos valores cristãos (sacramentos) fazia parte normal do desenvolvimento da vida (DG 39). Com a ruptura entre Fé e Cultura não se pode mais supor (herança): é necessária a pastoral do Anúncio, em vista dum encontro com a Pessoa de Jesus Cristo (DAp 12, 41 e 549 e Porta Fidei 2 e 10), que, por sua vez, pretende levar à profissão e vivência da Fé.
Assim percebemos que os meios utilizados em outros tempos para anunciar Jesus Cristo, já não dão mais resultados satisfatórios. As instituições, como a família e outras, não conseguem mais cumprir sua missão de introduzir seus membros na fé cristã. “A mudança de época exige que o anúncio de Jesus Cristo não seja mais pressuposto, porém explicitado continuamente. O estado permanente de missão só é possível a partir de uma efetiva iniciação à vida cristã... que conduza a um encontro pessoal, cada vez maior com Jesus Cristo”. Esse é um dos sentidos mais urgentes do termo missão, em nossos dias: ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo e encontrar-se com Ele; fascinar-se por Ele e segui-Lo (DG 39-40). A Iniciação à Vida Cristã, portanto, não pode acontecer apenas uma vez na vida, ou seja, na preparação aos sacramentos, mas ela é necessária tantas vezes quantas a vida o exigir em sua dinamicidade e diferentes situações. As atuais Diretrizes Gerais da CNBB afirmam com insistência: “Nossas comunidades precisam ser comunidades diuturnamente mistagógicas, preparadas para permitir que o encontro com Jesus Cristo se faça e se refaça permanentemente” (DG 41). Este estado permanente de missão terá conseqüências para os discípulos missionários: acolhida, diálogo, partilha, familiaridade com a Palavra de Deus e a vida da comunidade. Serão necessárias igualmente estruturas adequadas: grupos de estilo catecumenal (mistagógico) em lugares e horários adequados, devidamente preparados para essa missão. Surgirá novo perfil de agente evangelizador nas comunidades eclesiais (DG 42).
Vivemos, portanto, tempos novos que exigem posturas criativas, com novo ardor, novos métodos e novas expressões, como afirmava João Paulo II. Que o Espírito Santo nos anime e acompanhe nesta missão evangelizadora.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

"Renascer do alto, de Deus, da Graça"

Palavras de Bento XVI ao recitar o Angelus
CIDADE DO VATICANO, 13 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Apresentamos as palavras pronunciadas ao meio-dia de hoje, durante a oração do Angelus pelo Papa Bento XVI aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
(Antes do Angelus)
Queridos irmãos e irmãs!
Com este domingo após a Epifania se conclui o Tempo litúrgico do Natal: tempo de luz, a luz de Cristo que, como novo sol aparecendo no horizonte da humanidade, dissipa as trevas do mal e da ignorância. Celebramos hoje a festa do Batismo de Jesus: aquele Menino, filho da Virgem, que contemplamos no mistério do seu nascimento; o vemos hoje adulto imergir-se nas águas do rio Jordão, e santificar assim todas as águas e o cosmo inteiro, como evidencia a tradição oriental. Mas porque Jesus, no qual não havia sombra do pecado, fez-se batizar por João? Por que queria cumprir aquele gesto de penitência e de conversão, junto a tantas pessoas que queriam assim preparar-se para a vinda do Messias? Aquele gesto – que marca o início da vida pública de Cristo – coloca-se na mesma linha da Encarnação, da descida de Deus do mais alto céu ao abismo do inferno. O senso deste movimento de abaixamento divino se resume em uma única palavra: amor, que é o nome próprio de Deus. Escreve o apóstolo João: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: Deus mandou ao mundo o seu Filho unigênito, para que vivamos por ele”, e o mandou “como expiação dos nossos pecados” (1 Jo 4, 9-10). Então porque o primeiro ato público de Jesus foi receber o batismo de João, o qual, vendo-o chegar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).
Narra o evangelista Lucas que enquanto Jesus recebendo o batismo, “estava em oração, o céu se abriu e desceu sobre Ele o Espírito Santo em forma corpórea, como uma pomba, e veio uma voz do céu: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer” (3, 21-22). Este Jesus é o filho de Deus que é totalmente imerso na vontade de amor do Pai. Este Jesus é Aquele que morrerá na cruz e ressurgirá pela potência do mesmo Espírito que agora pousa sobre Ele e o consagra. Este Jesus é o homem novo que quer viver como filho de Deus, ou seja, no amor; o homem que frente ao mal do mundo, escolhe a via da humildade e da responsabilidade, escolhe não salvar a si mesmo, mas oferecer a própria vida pela verdade e pela justiça. Ser cristão significa viver assim, mas este estilo de vida comporta um renascimento: renascer do alto, de Deus, da Graça. Este renascimento é o Batismo, que Cristo doou à sua Igreja para regenerar os homens à uma vida nova. Afirma um antigo texto atribuído a santo Hipólito: “Quem cai com fé neste banho de renascimento, renuncia ao diabo e se afeiçoa com Cristo, nega o inimigo e reconhece que Cristo é Deus, se despoja da escravidão e se veste de adoção filial (Discurso da Epifania, 10:pg 10, 862).
Segundo a tradição, nesta manhã tive a alegria de batizar um grande grupo de crianças que nasceram nos últimos três ou quatro meses. Neste momento, gostaria de estender a minha oração e a minha benção a todos os recém nascidos; mas, sobretudo, convidar a todos a recordar do próprio Batismo, daquele renascimento espiritual que nos abriu o caminho da vida eterna. Possa cada cristão, neste Ano da Fé, redescobrir a beleza de ser renascido do alto, do amor de Deus, e viver como filho de Deus.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A espiritualidade é uma necessidade para todas as pessoas.

                
O ser humano criado por Deus é composto de corpo e alma e deve haver unidade harmoniosa nesta composição para a pessoa ter equilíbrio. O mundo moderno tem se preocupado muito com o corpo, com o exterior, busca-se a beleza, procura-se perfeição do corpo. Quantas pessoas, homens e mulheres se sujeitam as cirurgias difíceis só para se sentirem bonitos.
 E a alma, o nosso interior quem lembra?

 Hoje, não vemos mais o corpo humano como uma obra-prima de Deus, não o considera mais como coisa sagrada de Deus, e esquecemos que somos feitos de matéria e espírito. Hoje, “ perdeu-se a unidade sagrada do ser humano vivo, que é a convivência dinâmica da matéria e de espírito entrelaçados e inter-retro-conectados.”(Boff)
A pessoa humana é um ser fundamentalmente espiritual, e a espiritualidade faz parte de sua vida, do seu ser e de sua identidade, podemos dizer “que é a essência, a origem e o principio”.(Fassini)
A espiritualidade deve fazer parte da personalidade de cada um, porque se não for assim não é espiritualidade, deve abranger todas as dimensões do ser humano, corpo e alma, pensamento e vontade, palavra e ação, interioridade e comunicação... Enfim ou a espiritualidade é minha, faz parte do meu ser, ou não me realizo como pessoa.

A espiritualidade é um modo de ser, são atitudes vividas a cada momento, em cada situação ou circunstância, mesmo nas simples tarefas diárias, nos afazeres domésticos,  nos trabalhos, nos estudos, na intimidade do casal...
Quem cultiva a espiritualidade é uma pessoa centrada, serena, que irradia paz, vitalidade e entusiasmo, porque carrega Deus dentro de si.

Portanto, se a espiritualidade é uma dimensão do ser humano,  ela não é privilégio de uma só religião. Cada religião tem a sua forma de cultivar a espiritualidade.Nós católicos vivemos a nossa espiritualidade a partir da ação do Espírito Santo, somos guiados para Cristo em comunhão de amor com a comunidade cristã e com o serviço prestado aos pobres. Deus chama e escolhe e nos dá condições para viver de acordo com a sua vontade.

São Pedro na segunda carta capitulo primeiro nos diz:   Por isso façam todo o possível para juntar bondade a fé que vocês têm, a  bondade juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e a perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção juntem amizade cristã e a amizade cristã juntem o amor.” “ ...as Sagradas Escrituras dizem: Sejam santos porque eu sou Santo.”

Assim a espiritualidade deve provocar uma mudança interior e aos católicos o seguimento a Jesus Cristo. É preciso encontrar com Jesus, criar intimidade para ser seu seguidor. Pois só no convívio com o Mestre que iremos compreender as coisas de Deus e crescer espiritualmente.
Maria Ronety Canibal

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

YOUCAT - JOVENS.COM FAZEM LEITURA EM COMUNIDADE.

  Mesmo sendo periodo de férias, alguns  jovens da comunidade Santa Rita de Cássia, reuniram-se para fazer a leitura e a reflexão conjunta do YOUCAT, o catecismo das juventude, porque o estudo em comunidade enriquece e une o grupo, e os JOVENS.COM sabem que a fé para se fortalecer precisa de vivência comunitária.
O YOUCAT segundo o cardeal Schönborn tem: «A capacidade para dar respostas a perguntas que dizem respeito à fé de cada um tornou-se muito mais urgente agora do que na minha geração. No Catecismo, que é simplesmente uma tentativa de apresentar a fé católica, deve haver muita coisa que as pessoas terão dificuldades em aceitar. Algumas coisas parecerão estranhas e contraditórias em relação à nossa forma de pensar atual. Mas eu penso que uma das tarefas mais importantes deste livro e do trabalho com ele relacionado é aprender a lidar com os tópicos desafiadores.»
O YOUCAT foi desenvolvido através de um esforço conjunto e deverá também promover e encorajar o sentimento comunitário. Se uma comunidade quiser ser mais do que uma reunião social, se quer ser uma comunidade de fé, precisa de uma base comum.
 

 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O agir de Deus não se limita às palavras

Catequese de Bento XVI sobre a Encarnação realizada durante a Audiência Geral de quarta-feira
CIDADE DO VATICANO, 09 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Queridos irmãos e irmãs,
Neste tempo natalício nos concentramos mais uma vez no grande mistério de Deus que desceu do seu Céu para entrar na nossa carne. Em Jesus, Deus encarnou-se, e tornou-se homem como nós, e assim nos abriu a estrada para o seu Céu, para a comunhão plena com Ele.
Nestes dias, em nossas Igrejasouviu-se muitas vezes o termo “Encarnação” de Deus, para exprimir a realidade que celebramos no Santo Natal: o Filho de Dus se fez homem, assim como recitamos no Credo. Mas o que significa esta palavra central para falar da fé cristã? Encarnação deriva do latim “incarnatio”. Santo Inácio de Antioquia – desde o primeiro século – e, sobretudo, santo Irineu usaram este termo refletindo sobre o Prólogo do Evangelho de são João, em particular sobre a expressão: “O Verbo se fez carne” (Jo 1, 14). Aqui a palavra “carne”, segundo o uso hebraico, indica o homem na sua integridade, todo o homem, mas propriamente sobre o aspecto da sua transitoriedade e temporalidade, da sua pobreza e contingência. Isto para dizer que a salvação trazida por Deus fazendo-se carne em Jesus de Nazaré toca ao homem na sua realidade concreta e em qualquer situação em que se encontra. Deus assumiu a condição humana para curá-la de tudo o que a separa Dele, para permirtir-nos chamá-lo,em seu Filho Unigênito, como o nome de “Abbá, Pai” e sermos verdadeiramente filhos de Deus. Santo Irineu afirma: “Este é o motivo pelo qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a filiação divina, se transformasse filho de Deus” (Adversus haereses, 3,19,1: PG 7,939; cfr Catecismo da Igreja Católica, 460).
“O Verbo se fez carne” é uma daquelas verdades com a qual estamos tão acostumados que quase não nos afeta mais a grandeza do evento que essa exprime. E efetivamente neste período natalício, no qual tal expressão retorna sempre na liturgia, muitas vezes, se fica mais atento aos aspectos exteriores, às “cores” da festa, que ao coração da grande novidade cristã que celebramos: algo absolutamente impensável, que apenas Deus poderia operar e no qual podemos entrar somente com a fé. O Logos, que está em Deus, o Logos que é Deus, o Criador do mundo, (cf Jo 1,1), pelo qual todas as coisas foram criadas (cf 1,3), que acompanhou e acompanha os homens na história com a sua luz (cf 1, 4-5; 1-9), se faz um entre nós, faz morada em meio a nós, se faz um de nós (cf 1,14). O Concilio Ecumênico Vaticano II afirma: “O Filho de Deus ... trabalhou com mãos de homem, pensou com mente de homem, agiu com vontade de homem, amou com coração de homem. Nascendo da Virgem Maria, Ele se fez verdadeiramente um de nós, em tudo similar a nós exceto no pecado (Cost. Gaudium Et spes, 22). É importante portanto recuperar o estupor diante deste mistério, deixar-nos envolver pela grandeza deste evento: Deus, o verdadeiro Deus, Criador de tudo, percorreu como homem nossas estradas, entrando  no tempo do homem, para comunicar-nos a sua própria vida (cf 1 Jo 1, 1-4). E o fez não com o esplendor de um soberano, que submete o mundo com o seu poder, mas com humildade de uma criança.
Gostaria de destacar um segundo elemento. No Santo Natal normalmente se troca presente com as pessoas mais próximas. Às vezes pode ser um gesto feito por convenção, mas geralmente exprime afeto, é sinal de amor e de estima. Na oração sobre as ofertas da Missa da aurora da Solenidade de Natal a Igreja reza “Acolhei, ó Pai, a nossa oferta nesta noite de luz, e por essa misteriosa troca de dons transforma-nos no Cristo teu Filho, que elevou o homem ao seu lado na glória”. O pensamento da doação está ao centro da liturgia e traz à nossa consciência o original presente de Natal: naquela noite santa, Deus fazendo-se carne, quis fazer-se presente para os homens, doou a si mesmo por nós; Deus fez de seu Filho único um presente para nós, assumiu a nossa humanidade para doar-nos a sua divindade. Este é o grande presente. Também quando presenteamos o importante não é que seja algo mais ou menos caro; mas quem não doa um pouco de si mesmo, doa sempre muito pouco; aliás, muitas vezes busca-se substituir o coração e o compromisso de doação de si pelo dinheiro, com coisas materiais. O mistério da Encarnação está a indicar que Deus não fez assim: não doou alguma coisa, mas doou a si mesmo no seu Filho Unigênito. Encontramos aqui o modelo do nosso doar, para que as nossas relações, especialmente aquelas mais importantes, sejam guiadas pela gratuidade do amor.
Gostaria de oferecer uma terceira reflexão: o fato da Encarnação, de Deus que se fez homem como nós, nos mostra o realismo sem precedentes do amor divino. O agir de Deus, de fato, não se limita às palavras, podemos dizer que Ele não se contenta em falar, mas se imerge na nossa história e assume para si o cansaço e o peso da vida humana. O Filho de Deus se fez verdadeiramente homem, nasceu da Virgem Maria, em um tempo e em um lugar determinado, em Belém durante o reinado do imperador Augusto, sob o governador Quirino (cf Lc 2, 1-2); cresceu em uma família, teve amigos, formou um grupo de discípulos, instruiu os Apóstolos para continuarem a sua missão, terminou o percurso de sua vida terrena na cruz. Este modo de agir de Deus é um forte estimulo para nos interrogarmos sobre o realismo da nossa fé, que não deve ser limitado à esfera do sentimento, das emoções, mas deve entrar no concreto da nossa existência, deve tocar a nossa vida de cada dia e orientá-la também no modo prático. Deus não parou nas palavras, mas nos indicou como viver, partilhando da nossa mesma experiência, exceto no pecado. O Catecismo de são Pio X, que alguns de nós estudamos quando jovens, com a sua essencialidade, pergunta: “Para viver segundo Deus, o que devemos fazer?”,oferece a seguinte resposta: “ Para viver segundo Deus devemos acreditar nas verdades reveladas por Ele e observar os seus mandamentos com a ajuda da sua graça, que é obtida mediante os sacramentos e a oração”. A fé tem um aspecto fundamental que interessa não apenas à mente e ao coração, mas à toda a nossa vida.
Proponho um último elemento para vossa reflexão. São João afirma que o Verbo, o Logos era desde o princípio em Deus, e que tudo foi feito por meio do Verbo e nada do que existe foi feito sem Ele (cf Jo 1, 1-3). O Evangelista alude claramente à narração da criação no primeiro capitulo do Livro de Gênesis, e o lê novamente à luz de Cristo. Este é um critério fundamental na leitura cristã da Bíblia: o Antigo e o Novo Testamento devem ser lidos sempre em conjunto e a partir do Novo é revelado o sentido mais profundo também do Antigo. Aquele mesmo Verbo, que existe desde sempre com Deus, que é Deus Ele mesmo e por meio do qual e em vista do qual tudo foi criado (cf Col 1, 16-17), fez-se homem: o Deus eterno e infinito se imergiu na finitude humana, na sua criatura, para reconduzir o homem e a inteira criação a Ele. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “A primeira criação encontra o seu sentido e o seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira” (n.349). Os Padres da Igreja aproximam Jesus a Adão, de modo a defini-lo “segundo Adão” ou Adão definitivo, a imagem perfeita de Deus. Com a Encarnação do Filho de Deus surge uma nova criação, que dá a resposta completa à pergunta “ Quem é o homem?”. Somente em Jesus se manifesta plenamente o projeto de Deus sobre o ser humano: Ele é o homem definitivo segundo Deus. O Concílio Vaticano II  o reitera com força: “Na realidade, somente no mistério do Verbo encarnado encontra verdadeira luz o mistério do homem ... Cristo, novo Adão, manifesta plenamente o homem ao homem e revela a eles a sua vocação” (cost. Gaudium et spes, 22; cf Catecismo da Igreja Católica, 359). Naquele menino, o Filho de Deus contemplado no Natal, podemos reconhecer a verdadeira face, não somente de Deus, mas a verdadeira face do ser humano; e somente abrindo-nos à ação da sua graça e procurando cada dia segui-Lo nós realizaremos o projeto de Deus para nós, para cada um de nós.
Queridos amigos, neste período meditemos a grande e maravilhosa riqueza do Mistério da Encarnação, para deixar que o Senhor nos ilumine e nos transforme sempre mais à imagem de seu Filho feito homem por nós.
Ao final Bento XVI dirigiu a seguinte saudação em português:
Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, a quem agradeço a presença e desejo a riqueza imensa e inesgotável que é Cristo, o Deus feito homem. Revesti-vos de Cristo! E, com Ele, o vosso Ano Novo não poderá deixar de ser feliz. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.
(Trad.MEM)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A RESPOSTA DA FÉ

         
A  pessoa de fé é aquela que aceita a Revelação divina e acolhe Jesus como sendo o Filho de Deus e procura responder de maneira positiva a sua presença em sua vida. Então ela é constantemente movida a ir ao encontro de Jesus. A busca de uma proximidade mais intensa com Jesus provoca na pessoa um novo sentido de vida, ela adquire um novo modo de ser a agir, de relacionar-se e de ver as outras pessoas.
        Essa nova pessoa que surge é fruto de um chamado, pois a vocação é o mistério da eleição divina (Dom e Mistério – João Paulo II - pg 9 ) “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e designei para irdes e produzirdes fruto e para que o vosso fruto permaneça”  (Jo 15,16)
        Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte a vida, e com isso uma orientação decisiva. Portanto um encontro de fé com a pessoa de Jesus Cristo. DAp 243
             E é a partir de Jesus Cristo, desse encontro e do convívio com o Mestre,  que nos tornamos discípulos, e ficamos totalmente envolvidos por Jesus. Não apenas nossa inteligência, nossa razão, nosso conhecimento, mas em todo nosso ser, e esse envolvimento se revela em amor e adesão pessoal e incondicional a Cristo.
           Assim ser cristão não é uma carga, mas um dom: Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo seu Filho, Salvador do mundo.  (DAp 28.) 
     Porque conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria, segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou aos nos chamar e escolher.  (DAp 19)           
          Deus chama de maneira concreta, a cada pessoa, de forma particular a uma vida cristã comprometida.  Cristo, o Verbo que se fez carne (Jo1) é Palavra de Deus entre nós, que chama cada um de nós, pessoalmente, porque a própria vida é vocação em relação a Deus.
          Então quanto mais aprofundarmos a nossa relação pessoal com o Senhor Jesus, tanto mais nos damos conta de que Ele nos chama à santidade, através de opções definidas, pelas quais a nossa vida responde ao seu amor, assumindo funções  e ministérios para edificar a Igreja (VD77)
          Santo Agostinho fazia profundas reflexões sobre Deus, sua Verdade. Foi meditando que entendeu os designios de Deus, e por causa da sua Palavra buscou viver intensamente a sua vocação, numa incessante busca pela santidade. (Solóquios)
           Por isso a resposta deve ser  consciente, para que este convite se efetive em sua vida.  Assim somos chamados  viver a santidade, não só como batizados, mas também segundo os diferentes estados de vida.  Pois todo fiel tem vocação à santidade. (VD77)
         Neste ano dedicado da FÉ é muito importante que cada cristão avalie a sua caminhada de fé, e medite sobre seu modo de ser e agir, para então poder mudar suas atitudes e se tornar mais forte na fé através dos gesto de amor e fraternidade.
         Os jovens que puderam viver a emoção do BOTE FÉ, que continuem a repetir esse refão: " no peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus."
                                                                                                                           Maria Ronety Canibal

domingo, 6 de janeiro de 2013

A FÉ OPERANTE


Caros diocesanos.
Estamos vivendo o Ano da Fé, iniciado em 11 de outubro do ano passado, em comunhão com toda Igreja. Bento XVI escreveu uma carta apostólica, chamada Porta Fidei (Porta da Fé). No documento o Papa afirma que a graça da fé nos introduz na vida de comunhão com Deus, quando a Palavra anunciada recebe acolhida no coração humano. Entrar pela porta da fé significa iniciar um caminho que dura a vida inteira. Ao falar do motivo deste ano especial, o pontífice afirma que em grandes setores da sociedade há uma profunda crise de fé e por isso não mais podemos supô-la e precisamos de uma nova evangelização para transmiti-la: “Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (Jo 4, 14)... Crer
em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação” (PF 3)... Também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé” (PF 7).
O Santo Padre afirma que o Ano da Fé é um convite à conversão ao Senhor que transforma e purifica os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento da pessoa humana: “A ‘fé, que atua pelo amor’ (Gl 5, 6), torna-se um novo critério de enriquecimento e de ação, que muda toda vida do homem (Rm 12, 2; Cl 3,9-10;Ef 4, 20-29; 2Cor 5, 17)” (PF 6). Realmente a fé não pode ser considerada apenas como doutrina, mas sobretudo como experiência de comunhão com Alguém - Jesus Cristo - e que leva necessariamente ao encontro dos irmãos e das irmãs, sobretudo dos mais fracos e abandonados. A promoção humana não é paralela à fé ou à evangelização; é parte integrante das mesmas. A fé torna-se atuante na caridade, na solidariedade (Gl 5, 6), dando a mão de forma samaritana (Lc 10, 25-37). É como afirmou o Cardeal Hummes na homilia de encerramento do 10º Encontro da Igreja na Amazônia (Santarém – 2012): “A gente vai encontrar o caminho caminhando, não adianta fazer documentos se não se começa a caminhar. É no caminho que os documentos começam a ter vida” (CNBB - Igreja na Amazônia, p. 41).
Portanto, a fé cresce se é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria, permitindo ser um testemunho pessoal e comunitário capaz de gerar novos crentes. Segundo S. Agostinho, os crentes “fortificam-se acreditando” e seu coração só encontrará descanso
em Deus. Afirma o Papa: “Só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus” (PF 7).
Caros Irmãos e Irmãs. A fé cristã é uma atitude pessoal e livre, de entrega amorosa e confiante a Deus. Para os cristãos, Deus é digno de amor, de confiança (oração, diálogo, contemplação...). Assim, a fé nos coloca diante de um TU pessoal, em quem confiamos plenamente. É bem como diz o Documento de Aparecida: começamos a tornar-nos cristãos através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa. É o encontro de fé com a Pessoa de Jesus Cristo (DAp 12 e 243). A fé é a relação de comunhão que estabeleço com Jesus e, por conseqüência, com os irmãos e as irmãs. Ela envolve e ativa todo nosso ser e agir. Por isso, clamemos: “Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!”.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Nada pode tirar a paz daqueles que creem

Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade de Maria Santissima Mãe de Deus e XLVI Dia Mundial da Paz
CIDADE DO VATICANO, 02 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) -
Queridos irmãos e irmãs!
«Que Deus nos dê a sua graça e a sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós».Assim aclamamos com as palavras do Salmo 66, depois de termos escutado, na primeira leitura a antiga bênção sacerdotal sobre o povo da aliança. É particularmente significativo que, no início de cada ano novo Deus projete sobre nós, seu povo, o brilho do seu santo Nome, o Nome que é pronunciado três vezes na fórmula solene da bênção bíblica. Não menos significativo é o fato de que seja dado ao Verbo de Deus - que «se fez carne e habitou entre nós», como «a luz de verdade que ilumina todo ser humano» (Jo 1, 9.14) -, oito dias depois seu natal - como nos narra o Evangelho de hoje - o nome de Jesus (cf. Lc 2, 21).
É nesse nome que nós estamos aqui reunidos. Saúdo cordialmente todos os presentes, a começar pelos ilustres Embaixadores do Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé. Saúdo com afeto o Cardeal Bertone, meu Secretário de Estado e ao Cardeal Turkson, com todos os membros do Conselho Pontifício Justiça e Paz; sou-lhes particularmente grato por seus esforços na difusão da Mensagem para o Dia Mundial da Paz, que este ano tem como tema “Bem-aventurados os obreiros da paz”.
Embora o mundo, infelizmente, ainda esteja marcado com «focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado», além de diversas formas de terrorismo e criminalidade, estou convencido de que «as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus. Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, às palavras de Jesus Cristo: “Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9)» (Mensagem, 1). Esta bem-aventurança «diz que a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana.... é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação» (Ibid., 2 e 3). Sim, a paz é bem por excelência que deve ser invocado como um dom de Deus e, ao mesmo tempo, que deve ser construído com todo o esforço.
Podemos perguntar-nos: qual é o fundamento, a origem, a raiz dessa paz? Como podemos sentir em nós a paz, apesar dos problemas, da escuridão e das angústias? A resposta nos é dada pelas leituras da liturgia de hoje. Os textos bíblicos, a começar pelo Evangelho de Lucas, há pouco proclamado, nos propõe a contemplação da paz interior de Maria, a Mãe de Jesus. Durante os dias em que «deu à luz o seu filho primogênito» (Lc 2,7), Maria deve de afrontar muitos acontecimentos imprevistos: não só o nascimento do Filho, mas antes a árdua viagem de Nazaré à Belém; não encontrar um lugar no alojamento; a procura de um abrigo improvisado no meio da noite; e depois o cântico dos anjos, a visita inesperada dos pastores. Maria, no entanto, não se perturba com todos estes fatos, não se agita, não se abala com acontecimentos que lhe superam; Ela simplesmente considera, em silêncio, tudo quanto acontece, guardando na sua memória e no seu coração, refletindo com calma e serenidade. É esta é a paz interior que queremos ter em meio aos acontecimentos às vezes tumultuosos e confusos da história, acontecimentos cujo sentido muitas vezes não conseguimos compreender e que nos deixam abalados.
A passagem do Evangelho termina com uma menção à circuncisão de Jesus. Conforme a Lei de Moisés, oito dias após o nascimento, o menino devia ser circuncidado, e nesse momento lhe era dado o nome. O próprio Deus, através de seu mensageiro, dissera a Maria - e também a José – que o nome a ser dado para a criança era “Jesus” (cf. Mt 1, 21; Lc 1, 31), e assim aconteceu. Aquele nome que Deus já tinha estabelecido antes mesmo que o Menino fosse concebido, lhe é dado oficialmente no momento da circuncisão. E isto marca definitivamente a identidade de Maria: ela é “a mãe de Jesus”, ou seja a mãe do Salvador, do Cristo, do Senhor. Jesus não é um homem como qualquer outro, mas é o Verbo de Deus, uma das Pessoas divinas, o Filho de Deus: por isso a Igreja deu a Maria o título de Theotokos, ou seja, “Mãe de Deus”.
A primeira leitura nos recorda que a paz é um dom de Deus e está ligada ao esplendor da face de Deus, de acordo com o texto do Livro dos Números, que transmite a bênção usada pelos sacerdotes do povo de Israel nas assembléias litúrgicas. Uma bênção que por três vezes repete o santo Nome de Deus, o nome impronunciável, ligando a cada repetição o santo Nome a dois verbos que indicam uma ação em favor do homem: «O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz» (6, 24-26). A paz é, portanto, o ponto culminante dessas seis ações de Deus em nosso favor, em que Ele nos dirige o esplendor da sua face.
Para a Sagrada Escritura, a contemplar a face de Deus é a felicidade suprema: «o cobristes de alegria em vossa face», diz o salmista (Sl 21, 7). Da contemplação da face de Deus nascem alegria, paz e segurança. Mas o que significa concretamente contemplar a face do Senhor, tal como se entende no Novo Testamento? Significa conhecê-Lo diretamente, tanto quanto é possível nesta vida, através de Jesus Cristo, no qual Deus se revelou. Deleitar-se com o esplendor da face de Deus significa penetrar no mistério de seu Nome manifestado a nós por Jesus, compreender algo da sua vida íntima e da sua vontade, para que possamos viver de acordo com seu designio de amor para a humanidade. O apóstolo Paulo expressa justamente isso na segunda leitura, da Carta aos Gálatas (4, 4-7), afirmando que do Espírito, que no íntimo dos nossos corações, clama: «Abá! Ó Pai». É o clamor que brota da contemplação da verdadeira face de Deus, da revelação do mistério do Nome. Jesus diz: «Manifestei o teu nome aos homens» (Jo 17, 6). O Filho de Deus feito carne nos deu a conhecer o Pai, nos fez perceber no seu rosto humano visível a face invisível do Pai; através do dom do Espírito Santo derramado em nossos corações, nos fez conhecer que n’Ele nós também somos filhos de Deus, como diz São Paulo na passagem que escutamos: «Porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá! Ó Pai» (Gal 4, 6).
Queridos irmãos e irmãs, eis o fundamento da nossa paz: a certeza de contemplar em Jesus Cristo o esplendor da face de Deus, de ser filhos no Filho e ter, assim, na estrada da vida, a mesma segurança que a criança sente nos braços de um Pai bom e onipotente. O esplendor da face do Senhor sobre nós, que nos dá a paz, é a manifestação da sua paternidade; o Senhor dirige sobre nós a sua face, se mostra como Pai e nos dá a paz. Aqui está o princípio daquela paz profunda - «paz com Deus» - que está intimamente ligada à fé e à graça, como escreve São Paulo aos cristãos de Roma (Rm 5, 2). Nada pode tirar daqueles que creem esta paz, nem mesmo as dificuldades e os sofrimentos da vida. De fato, os sofrimentos, as provações e a escuridão não corroem, mas aumentam a nossa esperança, uma esperança que não decepciona, porque "o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5, 5).
Que a Virgem Maria, que hoje veneramos com o título de Mãe de Deus, nos ajude a contemplar a face de Jesus, Príncipe da Paz. Que Ela nos ajude e nos acompanhe neste novo ano; que Ela obtenha para nós e para o mundo inteiro o dom da paz. Amém!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

DESPEDIDA DE NOSSO PÁROCO

Omtem, dia 31 de dezembro de 2012, a comunidade Santa Rita de Cássia despediu-se de seu pároco, Pe. Venildo dos Santos.
No fim da missa os jovens entregaram ao padre Venildo um presente inusitado.
Uma verdadeira pegadinha. heheheh 
Em tom de brincadeira lhe entregamos enrolado para presente um mogango e leite, por ser um dos seus pratos preferidos. Padre muito brincalhão aceitou com alegria o presente.
Padre Venildo acompanhou e sempre foi um incentivador dos jovens da comunidade e sua transferência os deixou muito tristes.
Por fim recebemos a bênção e todos se abraçaram desejando um FELIZ E ABENÇOADO 2013.
Vejamos as fotos: