segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Como vemos os nossos filhos?

Reflexões para a Festa da Sagrada Família
Por Pe. Anderson Alves
BRASíLIA, 30 de Dezembro de 2012 (Zenit.org) - Percebe-se atualmente uma crise educativa cada vez mais intensa. De modo geral, constata-se que o nível médio de educação diminui drasticamente e que o processo formativo dos jovens enfrenta grandes dificuldades. As crianças e os adolescentes aprendem cada vez menos; a autoridade dos professores tende a desaparecer e os jovens, em meio a uma aparente energia, sentem-se sós e desorientados. E isso numa época de incrível desenvolvimento da Pedagogia. Nunca houve tantas pessoas que estudam essa ciência e nunca tivemos tantas teorias pedagógicas como agora. No Brasil a crise educativa é cada vez mais preocupante, embora tenha eminentes pedagogos. Um recente estudo comparou a educação em 40 países e mostrou que o Brasil (6ª Economia do mundo) ficou em 39º lugar na educação, atrás de países como Singapura (5º), Romênia (32º), Turquia (34º) e Argentina (35º)[1]. Certamente uma das causas da atual crise educativa no Brasil não é a falta de recursos, mas algo mais profundo: não sabemos mais como ver e tratar os nossos filhos.
Até a metade do século passado, tinhamos uma ideia bem clara sobre o que eram os nossos filhos: acima de tudo, eram considerados um dom de Deus, um presente que nos tinha sido dado para ser tratado com atenção, carinho e muita resposabilidade. Os filhos eram visto como um dom divino e a paternidade era considerada uma participação especial no poder criador de Deus. De modo que os filhos eram tratados com respeito e a vida era acolhida com alegria e generosidade.
Isso se deve ao fato de que nosso modo de viver até então era marcado pelos ensinamentos da cultura judaico-cristã. Seguia-se o exemplo de figuras como a de Ana (Cfr. 1 Sam. 1), uma mulher estéril que todos os anos ia a um Templo de Israel prestar culto a Deus, e que, certa vez teve a ousadia de pedir-lhe um filho. Depois que Deus escutara suas ferventes orações, ela retornou ao Templo para agradecer o dom recebido e para consagrar a vida daquele novo ser a Deus. Ana era plenamente consciente de que a vida humana procede e retorna a Deus, para quem nada é impossível.
A partir da “revolução” de 1968 uma nova cultura surgiu, na qual a visão bíblica foi abandonada. S. Freud, na sua época, sonhava o dia em que fosse separada a geração dos filhos da estrutura familiar, algo que a partir de 68 vem se tornando frequente. Desde então, procura-se incutir nos jovens a idéia de que os filhos são um obstáculo, algo que tolhe a liberdade, a autonomia e que impede a realização pessoal. Os filhos passam a ser considerados como uma ameaça e a gravidez como uma espécie de doença, que deve ser evitada a todo custo. E às pessoas que não são tão jovens, transmete-se a ideia de que os filhos são um “direito”. Desse modo, os filhos passam a ser considerados ou como uma “ameaça” ou como um “direito”, não mais como um dom. Daí surgem problemas sérios. Na Inglaterra, por exemplo, esse ano um dos pedidos mais feitos ao “Papai Noel” pelas crianças foi um pai; outro pedido comum foi, simplesmente, ter um irmão. O risco atual é que os adultos passem a considerar os próprios filhos como uma espécie de “mercadoria”, um sonho de consumo, que deve ser realizado num momento perfeitamente determinado. Os filhos são cada vez mais frutos de cálculos e não tanto do amor. E isso deixa feridas graves nas crianças.
Deixar de considerar os filhos como um dom divino e tê-los simplesmente como o resultado de uma técnica é um passo importante para a desconfiguração das famílias e para arruinar a educação. De fato, ocorre com frequência que os pais, paradoxalmente, procuram “superproteger” os filhos, buscando livrá-los de qualquer perigo e, ao mesmo tempo, não querem encontrar o tempo para dedicar-se à difícil tarefa educativa dos mesmos. As crianças são enviadas cada vez mais cedo às escolas e os professores devem se empenhar em transmitir valores que as crianças deveriam ter recebido em casa.
E há ainda outro grave perigo: os adultos procuram ter filhos mais para serem aprovados por eles, do que para transmitir um amor total, gratuito e comprometido. Sejamos sinceros: muitas vezes, em nossas famílias ocorre algo perverso: os pais se comportam como crianças, lamentando-se da infância que tiveram, e os filhos se sentem obrigados a comportarem-se como adultos[2]. Com essa mudança de papéis ninguém assume o a própria responsabilidade familiar, e isso se reflete no rendimento dos jovens nas nossas escolas e Universidades.
Nesse ponto, podemos talvez voltar nosso olhar ao livro que formou a civilização ocidental. O Evangelho conta-nos somente uma cena da adolescência de Jesus e do seu “processo educativo”.. Quando ele tinha 12 anos, foi levado ao templo por Maria e José para participar na festa da Páscoa (Cfr. Lc 2). O jovem judeu quando cumpria essa idade iniciava a ser considerado adulto na fé. Quando aquela familia deve retornar a casa, Maria e José se destraem e Jesus, como verdadeiro adulto, permanece no templo discutindo com os doutores da Lei. Quando ele é reencontrado, Maria o repreende, mesmo sabendo que quem estava diante dela não só era um “adulto” na fé, mas o mesmo Filho de Deus: “Meu filho, que nos fizeste? Teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição”.. E Jesus, depois de manifestar a plena consciência da sua identidade divina (“não sabíeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai?”), volta à casa com Maria e José e “era-lhes submisso em tudo”. Que impressionante! Maria e José não fugiram de sua responsabilidade educativa em relação àquele adolescente que sabiam ser o Filho de Deus; e Jesus, sendo verdadeiro Deus, volta à casa com sua família, obedecendo-lhes em tudo até os 30 anos. Vemos assim que na família de Nazaré ninguém fugia da própria responsabilidade, uma vez que eram unidos por um verdadeiro amor, o qual se demonstra na autoridade, na humildade e no serviço e não no autoritarismo ou na indiferença.
Parece, portanto, que para se recuperar o sentido da verdadeira educação, para se enfrentar à grave crise educativa atual, devemos ajudar as famílias a considerarem a vida como um dom de Deus, a tratarem os seus filhos com verdadeira diligência, não delegando toda a responsabilidade educativa a outras pessoas ou intituições. A tarefa é árdua, mas pode ser realizada, especialmente à luz da fé que por séculos iluminou a nossa sociedade. Devemos voltar a seguir ao modelo da Sagrada Família mais do que aos parâmetros contraditórios de uma “revolução” que só trouxe ao mundo a exaltação do egoísmo, da irresponsabilidade e o consequente aumento do sofrimento dos mais débeis..
Pe. Anderson Alves é da diocese de Petrópolis – Brasil - e doutorando em Filosofia na Pontifícia Università della Santa Croce, em Roma.

CINCO ANOS

Caros diocesanos.
Desejamos saudar-vos ainda com votos de Feliz e Abençoado Ano Novo! Na passagem do Novo Milênio, o Papa João Paulo II nos convidava a “lembrar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente, abrir-nos com confiança para o futuro” (NMI 1). No início de 2013 queremos parafrasear essas palavras, pois sempre temos muito a agradecer no final de um ano, vivido na graça do Senhor, destacando os sinais de Deus em nossa vida; mas também iniciamos o Ano Novo com vibração e entusiasmo, pois olhamos para frente, e caminhamos cheios de confiança para o futuro que se descortina diante de nós. “Quem tem fé, tem futuro”, afirma Bento XVI.
 A presente mensagem é de nº 246, iniciando o ano da graça do Senhor de 2013. Em 30 de setembro passado, ao completarmos, com gratidão, cinco anos de nosso ministério episcopal em Uruguaiana, foi enviado pela sobrinha Clarice um belo texto, com o título: “Bodas de Ferro”. O termo Bodas normalmente se relaciona com datas jubilares de casamento, mas pensando um pouco mais, logo nos damos conta que o bispo faz uma profunda aliança de amor com sua Igreja particular, sua diocese; por isso até usa um anel, ainda hoje beijado por muitos. Em uma das primeiras mensagens (nº 004), ainda em novembro de 2007, assim nos expressávamos, ao explicar as insígnias episcopais: “O Anel é símbolo da fidelidade e do amor à Igreja de Jesus Cristo. A Igreja, especialmente a Igreja particular ou Diocese, é como sua esposa. A ela dedica seu amor incondicional e fiel”. Ao concluir os cinco anos de presença nesta Terra Santa, agradecemos ao Senhor por todo bem que realizou em seu servo e através de seu ministério. Neste espírito de gratidão e esperança, deixemos a autora do texto Bodas de Ferro se expressar:
Faz cinco anos que atracaste na barranca do Rio Uruguai, em Uruguaiana.Em tua bagagem: missão, serviço e ministério.Desembarcaste na Terra Santa, apaziguado e resoluto, numa atitude própria de Bom Pastor.Caminhaste, atento aos sinais de Deus, ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos; construindo verdadeiros santuários, preenchendo-os de sentido.Sempre de mansinho, pois, quanto mais pressa, menos são percebidos os sinais dos tempos.Nunca estiveste sozinho. Se tombaste na pedra lisa, teu rebanho compreensivo e fraterno fez acolhida.Quanto mais bem e paz dividida, mais a dor foi resumida.Mas se mesmo assim a dor foi violenta, tua fé te sustentou, e o silêncio te organizou.Sim, Bodas de Ferro. Essa promessa, tão nobre e desafiadora, vigora firme como rocha, com a bênção da Mãe Conquistadora.Parabéns! Com muito carinho, Clarice”.

A Mãe Conquistadora continue a nos amparar na missão evangelizadora de 2013!
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

sábado, 29 de dezembro de 2012

Este é o meu lugar?


 

Lazer e tempo livre: oportunidades para chegar à meta da santidade
 
Por Carlo Climati
(Zenit.org) - Um fenômeno perturbador que afeta grande quantidade de jovens é o dos rachas de rua. Geralmente, os rachas acontecem nas periferias, onde existem mais trechos de ruas e estradas pouco movimentadas.
Estas competições insanas se conectam à também triste praga das apostas. Enquanto uns aceleram, outros assistem e apostam dinheiro no possível vencedor. E a vida e a morte se tornam um jogo absurdo..
O que leva alguns jovens a querer medir-se nessas perigosíssimas competições? Um desejo de transgressão que, às vezes, tem raízes no tédio, no desconforto, na incomunicabilidade, na falta de educação por parte da família.
Infelizmente, as corridas clandestinas não são a única causa de morte de jovens nas ruas e rodovias. Há também os desastres ligados às noitadas, como resultado do cansaço de quem pega o volante depois de horas e horas na balada. São a consequência trágica do estado de estupor alimentado pelo barulho da música altíssima, pelo consumo de bebidas alcoólicas e pelos efeitos das luzes psicodélicas.
As pistas de dança já foram um meio de entretenimento. Um lugar para relaxar depois de uma semana de trabalho e de estudo. Hoje, acontece o contrário. Depois de uma noite na balada, os jovens saem ainda mais cansados.
Ao irem para a balada, os jovens manifestam um desejo saudável de diálogo e de comunicação. Eles querem estar com os outros.. Mas, depois, eles se pegam sozinhos. O volume da música é tão alto que os impede de falar. E assim, mesmo rodeados de muita gente, eles permanecem mudos, privados da possibilidade do diálogo.
A melhor resposta para certos mecanismos de transgressão é convidar os jovens a redescobrir o verdadeiro significado da diversão.. Para passar uma noite relaxante com amigos, não é preciso varar a madrugada, nem sair bêbado, nem se drogar. Não é preciso participar de loucas corridas clandestinas para provar alguma coisa para os outros.
É necessário ensinar os jovens a gerir inteligentemente a sua liberdade, até com o objetivo de uma busca pessoal da santidade.
Todo cristão, que recebeu o batismo, é chamado a ser santo. De que maneira? Pouco a pouco, passo a passo, fazendo um pequeno esforço por dia. Isto significa que você pode se tornar santo também se divertindo, usando a cabeça e fazendo as escolhas certas para a sua vida.
Lembremo-nos: somos todos filhos de Deus. Antes de pôr os pés em certos ambientes extremos, perguntemo-nos: um filho de Deus pode entrar num ambiente como este? É realmente um lugar para mim? E se um amigo me convida a acelerar ao máximo, de noite, numa rua da periferia, eu devo perguntar a mim mesmo: é este o comportamento correto de um filho de Deus?
As oportunidades saudáveis de se divertir e sair com os amigos são muitas. Há clubes onde a música é mais tranquila e onde as drogas e o álcool não circulam. Há ótimos shows, grandes filmes, excelentes espetáculos para ver. Basta escolher e usar o cérebro.
A geração mais jovem precisa de uma nova cultura. Existe a necessidade de rotas alternativas, que levem à santidade inclusive através do entretenimento saudável e de uma boa organização do próprio tempo de lazer.
Isso mesmo! É possível ser santo até na balada!
Basta lembrar que Deus está sempre conosco, que ele segura a nossa mão e nos acompanha inclusive nas horas de lazer e diversão.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O Verbo se fez carne







A encarnação é um mistério grande,
um fato que a razão humana não pode abarcar
Por Dom Orani Tempesta, O.Cist.

RIO DE JANEIRO, 24 de Dezembro de  
2012 (Zenit.org) - Celebramos o Natal! Mesmo para os que não creem é um momento de repensar a vida e a fraternidade. É o grande Mistério da Encarnação! A notícia do Deus que se faz homem, da salvação presente na doce figura do Menino Deus, convida o homem à contemplação.





















A encarnação é um mistério grande, um fato que a razão humana não pode abarcar. Um mistério tremendo que ilumina, porém, toda a vida do homem. O Natal chega, como acontece a cada ano, trazendo um clima diferente.
Para quem crê e para quem ainda não cruzou a “porta da Fé”, este é um tempo de mudar o ritmo da vida, parar, e se reencontrar com aqueles que Deus nos deu. O clima que se estabelece neste tempo faz com que o Natal seja a época de rever a família, de se alegrar com os amigos, de cuidar de quem não tem família, de ajudar os mais necessitados.
Crendo ou não crendo, todo mundo entende que é uma festa, em que sente-se a necessidade de partilhar um presente com alguém. Porém, sabemos que o grande e maior presente é justamente o Verbo de Deus que se fez carne. Deus tanto amou o mundo que enviou o Seu Filho.
Ninguém pode ficar fora da noite de Natal. É uma noite diferente, uma festa especial. O “espírito” do Natal nos investe a todos. Mas, de onde vem toda esta ternura?
Parece-me que este clima nasce do mistério que nós celebramos: a gruta de Belém, os pastores, a estrela, o Menino que nasce. Neste cenário se esconde e se revela o dom imenso do Menino Luz. Um dom que é reconhecido e anunciado pelos presentes dos magos, um dom que comove e faz cantar pastores e anjos, um dom que, tantos homens o entenderam, é o dom maior que se poderia ter. Da ternura anunciada por esses sinais vêm as consequências sociais do Mistério celebrado.
Naquela manjedoura de Belém uma longa espera tem fim, a espera de todo um povo, mais ainda: a espera de todo homem que amou a verdade, a beleza, a justiça. Naquela noite esta espera tem fim. No presépio está presente a Salvação. O simbolismo da manjedoura como o espaço onde é colocado o verdadeiro alimento da humanidade, Jesus Cristo, aparece com muita clareza.
Agora, no lugar da longa espera, uma Presença. Uma Presença, um presente, que inunda de silêncio a noite e que muda, sem que o mundo o saiba, a história. Uma Presença: O Emanuel!
No início do III milênio, o Papa João Paulo II nos lembrava que o “nascimento de Jesus em Belém não é um fato que se possa relegar para o passado. Diante d'Ele, com efeito, está a história humana inteira: o nosso tempo atual e o futuro do mundo são iluminados pela Sua presença. Ele é « o Vivente » (Ap 1, 18), « Aquele que é, que era e que há de vir » (Ap 1, 4)” (IM 1).
Um fato que tem um alcance universal, um fato na história que julga toda a história. Na plenitude dos tempos, a Plenitude ali, repousando na manjedoura de Belém de Judá.
O que foi anunciado a Maria, a Salvação que ela carregou no seu ventre, se torna uma presença destinada a alcançar cada homem. A salvação presente numa criança, na carne de um homem.. Este é o anúncio alegre que muda toda a história. “Torna-se evidente que Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, como exprime a fé da Igreja” (Bento XVI, em seu livro sobre a Infância de Jesus, p. 106)
É o anúncio de uma Presença que é germe de um mundo novo, realidade nova num mundo ainda marcado pela injustiça e pela violência. O mundo parece o mesmo de antes, mas não é. No mundoem que Elenasce, ontem e hoje, tinha e têm guerras, genocídios, injustiças, violências, divisões. Mas a Sua presença ilumina, dentro de todas as contradições, cada homem que O encontra.
A Sua presença gera uma humanidade nova, um amor mais potente e doce, que se chama Caridade. A Sua presença muda a vida de muitos homens e continua, na carne deles, sendo um germe de um mundo novo.
Ele é o centro da história, para quem converge toda a história e de onde inicia toda a nova humanidade nascida do novo Adão. Depois da encarnação, o Divino continua presente na vida daqueles que O encontraram e seguiram.
A nossa cidade está prestes a viver o acolhimento alegre de milhares de jovens unidos por um único ideal: o seguimento d'Aquele que nasceuem Belém. Elesserão um sinal eloquente para todos nós de uma humanidade, de uma carne que carrega o Divino e que convida à alegria de viver na Sua presença.
Desejo a todos um Santo Natal, pleno da luz e da paz quem vem do Cristo Senhor

ORAÇÃO DE FELIZ NATAL

                                 Oração  de Natal


         Senhor !
        Depositamos diante do Presépio todos os nossos sonhos, todas as nossas lágrimas e esperanças contidas em nossos corações.

       Senhor !
      Pedimos por aqueles que choram sem ter quem lhes enxuguem uma lágrima, por aqueles que gemem, sem ter quem escute seu clamor.

      Senhor !
     Suplicamos por aqueles que te buscam sem saber ao certo onde te encontrar. Para tantos que gritam paz, quando não podem gritar.

      Abençoe Jesus-Menino cada pessoa neste mundo, colocando em seu coração um pouco de luz eterna que vieste acender em nós.

     Abençoe Jesus-Menino cada um de nós e as nossas famílias colocando paz e amor que viestes nos ensinar.

     Fica conosco, Senhor! 
     Permaneça  em nossos corações aumentando a nossa fé e nos dando perseverança na fé.

    Fica conosco,  Senhor!
      Assim seja.
 FELIZ NATAL!


  

domingo, 23 de dezembro de 2012

NOSSAS ESCOLHAS

   Caros diocesanos:

Na vida humana somos constantemente desafiados a tomar decisões, fazer escolhas, optar diante de encruzilhadas... Somos pessoas livres, reivindicamos nossos direitos e sabemos dos limites que os direitos dos outros nos impõem. Até passado recente os caminhos estavam bem mais traçados, com rumos bastante estabelecidos, pois as instituições, como a família, a escola e outras, cuidavam da orientação das novas gerações para seu futuro. Hoje vivemos num mundo bem mais plural, em que a valorização do indivíduo (ou do individualismo) deixou as pessoas diante de inúmeras possibilidades de opção, disputadas pelas mais sofisticadas técnicas de convencimento da propaganda. Neste contexto, normalmente, as pessoas de pouco senso crítico, carentes de valores referenciais, tornam-se presas fáceis da sociedade de consumo, incorrendo em dependências de toda ordem, acabando como vítimas de conseqüências imprevisíveis.
Nesse universo, estão presentes também as questões éticas, os valores religiosos, a vivência da fé. As instituições, como a família, a escola, a Igreja e outras, não conseguem mais cumprir sua missão de introduzir normalmente seus membros na fé cristã. Exige-se uma nova evangelização, com novo ardor, novos métodos, novas expressões, como afirmava João Paulo II. Uma evangelização que não pode mais supor a fé. Ela precisa ser testemunhada e anunciada novamente. O Papa Bento XVI, referindo-se a esta realidade, instituiu o Ano da Fé, iniciado em 11 de outubro passado, data do Cinqüentenário do início do Concílio Vaticano II. Será um anúncio, sobretudo pelo testemunho de ter encontrado Jesus Cristo, pois “ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, dessa forma, o rumo decisivo” (DCE 1 e DAp 243). A partir do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, iniciamos nova maneira de ser, de agir, de relacionar-nos conosco mesmos, com os outros e com o mundo. Enfim, nos damos conta que a vida não é mais a mesma depois desse encontro, que se renova e se aprofunda constantemente: tornamo-nos “sujeitos novos”. Afirma o Documento de Aparecida com palavras animadoras: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29).
Caros diocesanos, neste final de ano, nós estamos novamente diante de decisões, por exemplo, sobre o Natal, sobre as férias, o Ano Novo... Como será nosso Natal? Vamos contentar-nos com uma festa onde estará apenas o Papai Noel ou Jesus Cristo também terá vez? Haverá lugar para Ele nascer em nossa casa, em nossos corações, em nossas vidas ou vamos considerar isso como coisa do passado? Assim pensando, recordamos a inquietante pergunta que Jesus fez aos Apóstolos, depois do discurso sobre o Pão da Vida: “Vós também quereis ir embora?” (Jo 6, 67). Oxalá nossa fé responda a Jesus, como Pedro o fez: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 68-69). Uma bela resposta seria também a de Josué, no Antigo Testamento, quando renova sua Aliança com o Senhor, diante de todo povo, no fim de sua vida: “Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24, 15).
No final do Ano das Vocações, renovemos nossa opção no estado de vida que abraçamos e coloquemo-nos todos a caminho da missão, tema pastoral de 2013. Feliz Ano Novo!
DomAloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana


REPICAM OS SINOS




Repicam sinos, com fervor, nos campanários,
alvoroçados com notícia que os seduz;
gritam aos povos e aos recantos solitários:
Nasceu Jesus! Nasceu Jesus! Nasceu Jesus!

                            A boa nova vem dos magos legendários,
aqui trazidos pela estrela que conduz:
bichos, pastores, anjos, todos solidários,
reverenciam o pequenino rei da LUZ!

                          Menino Deus que se fez homem por bondade,
doou-se a nós, livrando-nos de todo o mal,
e ensinou-nos que a maior felicidade
é ser fraterno, amando a todos por igual.

                          Enquanto houver alguém que viva essa verdade,
ao relembrar o nascimento divinal,
a voz dos sinos se ouvirá na Eternidade:
Feliz Natal! Feliz Natal! Feliz Natal!


via SITE NATAL

NATAL - A história de São Nicolau

Nicolau, filho de cristãos abastados, nasceu na segunda metade do século III, em Patara, uma cidade portuária muito movimentada.
Conta-se que foi desde muito cedo que Nicolau se mostrou generoso. Uma das histórias mais conhecidas relata a de um comerciante falido que tinha três filhas e que, perante a sua precária situação, não tendo dote para casar bem as suas filhas, estava tentado a prostituí-las. Quando Nicolau soube disso, passou junto da casa do comerciante e atirou um saco de ouro e prata pela janela aberta, que caiu junto da lareira, perto de umas meias que estavam a secar. Assim, o comerciante pôde preparar o enxoval da filha mais velha e casá-la. Nicolau fez o mesmo para as outras duas filhas do comerciante, assim que estas atingiram a maturidade.
Quando os pais de Nicolau morreram, o tio aconselhou-o a viajar até à Terra Santa. Durante a viagem, deu-se uma violenta tempestade que acalmou rapidamente assim que Nicolau começou a rezar (foi por isso que tornou também o padroeiro dos marinheiros e dos mercadores). Ao voltar de viagem, decidiu ir morar para Myra (sudoeste da Ásia menor), doando todos os seus bens e vivendo na pobreza.
Quando o bispo de Myra da altura morreu, os anciões da cidade não sabiam quem nomear para bispo, colocando a decisão na vontade de Deus. Na noite seguinte, o ancião mais velho sonhou com Deus que lhe disse que o primeiro homem a entrar na igreja no dia seguinte, seria o novo bispo de Myra. Nicolau costumava levantar-se cedo para lá rezar e foi assim que, sendo o primeiro homem a entrar na igreja naquele dia, se tornou bispo de Myra.
S. Nicolau faleceu a 6 de Dezembro de 342 (meados do século IV) e os seus restos mortais foram levados, em 1807, para a cidade de Bari, em Itália. É actualmente um dos santos mais populares entre os cristãos.
S. Nicolau tornou-se numa tradição em toda a Europa. É conhecido como figura lendária que distribui prendas na época do Natal. Originalmente, a festa de S. Nicolau era celebrada a 6 de Dezembro, com a entrega de presentes. Quando a tradição de S. Nicolau prevaleceu, apesar de ser retirada pela igreja católica do calendário oficial em 1969, ficou associado pelos cristãos ao dia de Natal (25 de Dezembro)
A imagem que temos, hoje em dia, do Papai Noel é a de um homem velhinho e simpático, de aspecto gorducho, barba branca e vestido de vermelho, que conduz um trenó puxado por renas, que esta carregado de prendas e voa, através dos céus, na véspera de Natal, para distribuir as prendas de natal. O Papai Noel passa por cada uma das casas de todas as crianças bem comportadas, entrando pela chaminé, e depositando os presentes nas árvores de Natal ou meias penduradas na lareira. Esta imagem, tal como hoje a vemos, teve origem num poema de Clement Clark More, um ministro episcopal, intitulado de “Um relato da visita de S. Nicolau”, que este escreveu para as suas filhas. Este poema foi publicado por uma senhora chamada Harriet Butler, que tomou conhecimento do poema através dos filhos de More e o levou ao editor do Jornal Troy Sentinel, em Nova Iorque, publicando-o no Natal de 1823, sem fazer referência ao seu autor. Só em 1844 é que Clement C. More reclamou a autoria desse poema.
Hoje em dia, na época do Natal, é costume as crianças, de vários pontos do mundo, escreverem uma carta ao S. Nicolau, agora conhecido como Papai Noel, onde registam as suas prendas preferidas. Nesta época, também se decora a árvore de Natal e se enfeita a casa com outras decorações natalícias. Também são enviados postais desejando Boas Festas aos amigos e familiares.
Actualmente, Há quem atribuía à época de Natal um significado meramente consumista. Outros, vêem o Papai Noel como o espírito da bondade, da oferta. Os cristãos associam-no à lenda do antigo santo, representando a generosidade para com o outro.
SITE NATAL

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A FÉ ...

            
             A fé  é uma firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de sua veracidade. Mas pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém
            O fundamento de toda a fé é Deus, o Criador de todas as coisas, dele tudo procede e para ele tudo encontra seu fim. Deus existe e ele ama a cada um de seus filhos e por isso somos atraídos para ele, porque nos faz amar e amá-lo gratuitamente, livre e sem interesse. Santo Agostinho diz que todo coração humano tem sede de Deus, deseja Deus e só quando conhecer esse Criador e Pai poderá descansar. Portanto crer em Deus é garantir que nada pode separar o coração humano do amor de Deus.
              Também  diremos que a fé é uma adesão pessoal do homem  a Deus , que é uma graça que Deus nos dá.  Sim, a fé vem de Deus, é um dom recebido, é pessoal, mas precisa ser vivida  na comunhão com os irmãos, é para ser vivida em comunidade.
         Quem coloca sua fé e esperança em Deus também precisa se esforçar para vencer as duvidas e dificuldades.
            Por isso toda a pessoa de fé tem a necessidade do engajamento nos diferentes serviços e pastorais existentes na comunidade. Contribuímos para o crescimento de nossa fé, quando temos uma participação consciente e ativa na comunidade eclesial.
            A fé é invisível, nos move para Deus, nos leva a realizar aqui e agora o Reino de Deus.
             São muitos os exemplos de fé. Se olharmos a vida dos santos veremos que a fé foi o sustentáculo de suas vidas. Se olharmos os personagens bíblicos, também teremos muitos exemplos de extrema confiança em Deus.
            Mas de maneira especial foi Maria que demonstrou a sua fé através da humildade e entrega total de sua vida a Deus.
           Uma jovem foi escolhida para ser a mãe do Salvador, Maria!  E ela simplesmente acolheu a vontade do seu Deus. Confiou a Elevo seu futuro  sem questionar como seria. Maria contribuiu para a Salvação de toda a humanidade, ao aceitar ser a Mãe de Jesus, colaborando na realização  do Projeto do Reino de Deus.
           Estamos vivendo o Ano da Fé, num tempo de Advento, refletindo sobre nossa vida, nos preparando para o Natal, para receber o Menino Deus. É o momento de rever, de recomeçar...
           Que Maria seja a nossa grande inspiradora.
                                                                      Maria Ronety Canibal
                                            

Tempo de compromisso para os cristãos no mundo

Tradução portuguesa do artigo do Papa Bento XVI publicado no Financial Times de hoje
Publicamos a seguir a tradução portuguesa do artigo publicado hoje nas páginas do FT.
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - O prestigioso jornal de economia e política Financial Times publicou na sua edição de hoje um comentário sobre o Natal assinado pelo Papa Bento XVI. Esta não é a primeira vez que o Papa aceita um pedido tão incomum, nascido, neste caso, de uma iniciativa da redação do jornal de Londres.
Como observado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, já no passado, o Papa respondeu a algumas solicitações incomuns, entre as quais o pedido da BBC, bem no tempo do Natal, e alguns meses depois da viagem ao Reino Unido, ou o pedido de entrevista televisiva para o programa A sua immagine da RAI, respondendo a perguntas, por ocasião da Sexta-feira Santa.

***
Tempo de compromisso no mundo para os cristãos.
"Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", foi a resposta de Jesus quando lhe foi perguntado o que pensava sobre o pagamento dos impostos. Aqueles que o interrogavam, obviamente, queriam colocá-lo numa armadilha. Queriam forçá-lo a tomar posição no debate político sobre a dominação romana na terra de Israel. E tinha ainda mais em jogo: se Jesus era realmente o Messias esperado, então certamente ele teria ficado contra os dominadores romanos. Portanto a pergunta estava pensada para desmascará-lo como uma ameaça ao regime ou como um impostor.
A resposta de Jesus leva habilmente a questão para um nível superior, colocando, com finura, em guarda  seja com relação à politização da religião seja com a deificação do poder temporal, como também da incansável busca da riqueza. Os seus ouvintes deviam compreender que o Messias não era César, e que César não era Deus. O reino que Jesus vinha instaurar era de uma dimensão absolutamente superior. Como respondeu a Pôncio Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo”.
As narrações de Natal do Novo Testamento tem o objetivo de expressar uma mensagem semelhante. Jesus nasce durante um "censo de todo o mundo", querido por César Augusto, o imperador famoso por ter levado a Pax Romana a todas as terras submetidas ao domínio romano. No entanto, esta criança, que nasceu em um canto obscuro e distante do império, estava prestes a oferecer ao mundo uma paz muito maior, verdadeiramente universal em seu propósito e transcendente de todos os limites de espaço e tempo.
Jesus nos é apresentado como o herdeiro do Rei Davi, mas a libertação que ele trouxe para o seu povo não era a de ter sob vigilância os exércitos inimigos; tratava-se, pelo contrário, de vencer para sempre o pecado e a morte.
O nascimento de Cristo nos desafia a repensar as nossas prioridades, os nossos valores, o nosso mesmo modo de vida.. E enquanto o Natal é certamente um momento de grande alegria, é também uma ocasião de profunda reflexão, ou melhor, de um exame de consciência. No final de um ano que significou privações econômicas para muitos, o que podemos aprender da humildade, da pobreza, da simplicidade da cena do presépio?
O Natal pode ser o momento em que aprendemos a ler o Evangelho, a conhecer a Jesus não só como o Menino da manjedoura, mas como aquele em que nós reconhecemos o Deus feito Homem.
É no Evangelho que os cristãos encontram inspiração para a vida cotidiana e para o seu envolvimento nos assuntos do mundo - quer isso aconteça no Parlamento ou na Bolsa. Os cristãos não deveriam fugir do mundo; pelo contrário, deveriam comprometer-se com ele. Mas o seu envolvimento na política e na economia deveria transcender toda forma de ideologia.
Os cristãos combatem a pobreza porque reconhecem a dignidade suprema de todo ser humano, criado à imagem de Deus e destinado à vida eterna. Os cristãos trabalham para uma partilha equitativa dos recursos da terra porque estão convencidos de que, como administradores da criação de Deus, nós temos o dever de cuidar dos mais frágeis e dos mais vulneráveis. Os cristãos se opõem à ganância e à exploração convencidos de que a generosidade e um amor que esquece de si, ensinados e vividos por Jesus de Nazaré, são o caminho que conduz para a plenitude da vida. A fé cristã no destino transcendente de todo ser humano implica a urgência da tarefa de promover a paz e a justiça para todos. Porque tais objetivos são compartilhados por muitos, é possível uma grande e frutuosa colaboração entre os cristãos e os outros. E no entanto, os cristãos dão a César só o que é de César, mas não o que pertence a Deus. Por vezes, ao longo da história, os cristãos não puderam aceder aos pedidos feitos por César. Do culto ao imperador da Roma antiga até os regimes totalitários do século XX, César tentou tomar o lugar de Deus. Quando os cristãos se recusam a se curvar diante dos deuses falsos propostos em nossos tempos não é porque eles têm visões ultrapassadas do mundo . Pelo contrário, isso acontece porque eles são livres das amarras da ideologia e animados por uma visão tão nobre do destino humano, que não podem aceitar compromissos com nada que o possa prejudicar.
Na Itália, muitos presépios são adornados com ruínas das antigas construções romanas no fundo. Isso mostra que o nascimento do menino Jesus marca o fim da velha ordem, o mundo pagão, no qual os pedidos de César pareciam impossíveis de desafiar. Agora há um novo rei, que não confia na força das armas, mas no poder do amor.. Ele traz esperança a todos aqueles que, como ele mesmo, vivem à margem da sociedade. Traz esperança para aqueles que são vulneráveis ​ às instáveis sortes de um mundo precário. Da manjedoura, Cristo nos chama a viver como cidadãos do seu reino celestial, um reino que todas as pessoas de boa vontade podem ajudar a construir aqui na terra.
(Tradução Thácio Siqueira)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A humildade profunda da fé obediente de Maria

Palavras de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de dezembro de 2012(ZENIT.org) – Apresentamos a seguir a catequese de Bento XVI realizada hoje durante a Audiência Geral na sala Paulo VI.
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Virgem Maria: Ícone da fé obediente


Queridos irmãos e irmãs,
No caminho do Advento a Virgem Maria ocupa um lugar particular como aquela que de maneira única esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje gostaria de refletir brevemente com vocês a fé de Maria a partir do grande mistério da Anunciação.
«Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou», “Alegra-te, cheia de graça: o Senhor é convosco” (Lc 1,28). São estas as palavras – trazidas pelo evangelista Lucas – com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista o termo Chaîre, “alegra-te”, parece uma saudação normal, usual no âmbito grego, mas esta palavra, se lida a partir da tradição bíblica, adquire um significado muito mais profundo. Este mesmo termo está presente quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como um anúncio alegre da vinda do Messias (cf Sof 3,14; Gl 2,21; Zc 9,9; Lam 4,21). A saudação do Anjo à Maria é então um convite à alegria, a uma alegria profunda, anuncia o fim da tristeza que há no mundo diante das limitações da vida, do sofrimento, da morte, da maldade, da escuridão do mal que parece obscurecer a luz da bondade divina. É uma saudação que marca o inicio do Evangelho, da Boa Nova.
Mas porque Maria é convidada a alegrar-se desta maneira? A resposta se encontra na segunda parte da saudação: “o Senhor é convosco”. Aqui também para bem compreender o sentido da expressão devemos dirigir-nos ao Antigo Testamento. No livro de Sofonias encontramos esta expressão “Alegra-te filha de Sião,... Rei de Israel é o Senhor em meio a ti.... O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, um herói que salva” (3, 14-17). Nestas palavras existe uma dupla promessa feita a Israel, à filha de Sião: Deus virá como salvador e fará habitação em meio ao seu povo, no ventre da filha de Sião. No diálogo entre o anjo e Maria se realiza exatamente esta promessa: Maria é identificada com o povo escolhido por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; nela se cumpre a esperada vinda definitiva de Deus, nela faz morada o Deus vivo.
Na saudação do anjo, Maria é chamada “cheia de graça”; em grego o termo “graça”, charis, tem a mesma raiz linguística da palavra “alegria”. Esta expressão também esclarece posteriormente a fonte da alegria de Maria: a alegria proveniente da graça, provém, então, da comunhão com Deus, do ter uma conexão vital com Ele, de ser morada do Espírito Santo, totalmente plasmada pela ação de Deus. Maria é a criatura que de maneira única abriu a porta a seu Criador, colocou-se em suas mãos, sem limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; está em atitude de escuta, atenta para acolher os sinais de Deus no caminho de seu povo; está inserida em uma história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o cerne de sua existência. E se submete livremente à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé.
O Evangelista Lucas narra a história de Maria através de um paralelismo com a história de Abraão. Como o Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu ao chamado de Deus para sair da terra em que vivia, de suas seguranças, para iniciar um caminho em direção a uma terra desconhecida e possuindo apenas a promessa divina, assim Maria se entrega com plena confiança na palavra que anuncia o mensageiro de Deus e se torna modelo e mãe de todos os crentes.
Gostaria de destacar outro aspecto importante: a abertura da alma a Deus e à sua ação na fé inclui também o elemento da escuridão. A relação do ser humano com Deus não cancela a distância entre o Criador e a criatura, não elimina quanto afirma o apóstolo Paulo diante da profundidade da sabedoria de Deus: “Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos”  (Rm 11,33). Mas exatamente aquele que – como Maria – está aberto de maneira total a Deus, consegue aceitar o querer divino, mesmo sendo misterioso, mesmo que muitas vezes não corresponda ao próprio querer e é uma espada que transpassa a alma, como profeticamente dirá o velho Simeão a Maria, no momento em que Jesus é apresentado no Templo (cf Lc2, 35). O caminho de fé de Abraão compreende o momento de alegria pela doação do filho Isaac, mas também o momento de escuridão, quando deve subir o monte Moria para cumprir um gesto paradoxal: Deus lhe pede para sacrificar o filho que lhe havia apenas dado, no monte o anjo lhe ordena: “Não estenda a mão contra o menino e não lhe faça nada! Agora sei que tu temes a Deus e não me recusaste o teu filho, o teu unigênito”  (Gen 22,12); a confiança plena de Abraão no Deus fiel às promessas não é menor mesmo quando a sua palavra é misteriosa e é difícil, quase impossível, de ser acolhida. Assim é para Maria, a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa também através da escuridão da crucificação do Filho, para chegar à luz da Ressurreição.
Não é diferente também no caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas encontramos momentosem que Deusparece ausente, e seu silêncio pesa em nossos corações e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que queremos. Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé, colocamos totalmente Nele a nossa confiança - como Abraão e como Maria – mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isto, porém, significa sair de si mesmo e dos próprios projetos, para que a Palavra de Deus seja a lâmpada que guia os nossos pensamentos e as nossas ações.
Gostaria de deter-me agora num aspecto que emerge nas reflexões sobre a infância de Jesus narrado por Lucas. Maria e José levam o filho a Jerusalém, ao Templo, para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor como prescreve a lei de Moisés: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Lc 2, 22-24). Este gesto da Santa Família adquire um sentido ainda mais profundo se o lemos à luz da ciência evangélica de Jesus aos doze anos que, depois de três dias de busca, é encontrado no Templo discutindo entre os mestres. Às palavras cheias de preocupação de Maria e José: “Filho, por que nos fez isso? Teu pai e eu angustiados te procurávamos”, corresponde a misteriosa resposta de Jesus: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?  (Lc 2, 48-49). Isso é, na propriedade do Pai, na casa do Pai, assim como o é um filho. Maria deve renovar a fé profunda com a qual disse “sim” na Anunciação; deve aceitar que na precedência havia o Pai verdadeiro e próprio de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou para que siga a sua missão. E o “sim” de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de sua vida, até o momento mais difícil, aquele da Cruz.
Diante de tudo isso, podemos nos perguntar: como pôde Maria viver este caminho ao lado do Filho com uma fé assim firme, mesmo na escuridão, sem perder a plena confiança na ação de Deus? Há uma atitude de fundo que Maria assume diante daquilo que acontece na sua vida. Na Anunciação Ela permanece perturbada escutando as palavras do anjo – é o temor que o homem prova quando é tocado pela proximidade de Deus -, mas não é a atitude de quem tem medo diante daquilo que Deus pode pedir. Maria reflete, se interroga sobre o significado de tal saudação (cf Lc 1,29). O termo grego usado no Evangelho para definir este “refletir”, “dielogizeto” faz referência à raiz da palavra “diálogo”. Isto significa que Maria entra num diálogo íntimo com a Palavra de Deus que lhe foi anunciada, não a considera superficialmente, mas se detém, a deixa penetrar na sua mente e no seu coração para compreender o que o Senhor quer dela, o sentido do anúncio.
Um outro aceno da atitude interior de Maria diante da ação de Deus encontramos, sempre no Evangelho de São Lucas, no momento do nascimento de Jesus, depois da adoração dos pastores. Afirma-se que Maria “conserva todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19); em grego o termo é symballon, podemos dizer que Ela “tinha junto”, “colocava junto” em seu coração todos os eventos que aconteciam; colocava cada elemento, cada palavra, cada fato dentro de tudo e o confrontava, o conservava, reconhecendo que tudo provém da vontade de Deus. Maria não se detém numa primeira compreensão superficial daquilo que acontece na sua vida, mas sabe olhar com profundidade, deixa-se interpelar pelos eventos, os elabora, os discerne, e adquire a compreensão que somente a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si também aquilo que não compreende do agir de Deus, deixando que seja Deus a abrir a mente e o coração. “Bem aventurada aquela que acreditou no cumprimento da palavra do Senhor” (Lc 1, 45), exclama a parenta Isabel. É exatamente pela sua fé que todas as gerações a chamarão bem aventurada.
Queridos amigos, a solenidade do Natal do Senhor que em breve celebraremos, nos convida a viver esta mesma humildade e obediência de fé. A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, não resplandece em uma cidade famosa, em um suntuoso palácio, mas faz morada no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de uma criança. A onipotência de Deus, também na nossa vida, age com a força, muitas vezes silenciosa, da verdade e do amor. A fé nos diz, então, que o indefeso poder daquele Menino ao fim vence o rumor dos poderes do mundo.
Ao final o Papa dirigiu a seguinte saudação em português:
Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha saudação amiga para todos, com votos de um santo Natal de Jesus no coração e na família de cada um, pedindo a mesma humildade e obediência da fé de Maria e José, que vos faça ver, na força indefesa daquele Menino, a vitória final sobre todos os arrogantes e rumorosos poderes do mundo. Bom Natal!

domingo, 16 de dezembro de 2012

A honestidade e o respeito com os outros valem ainda mais para quem tem maiores responsabilidades

Durante o ângelus, Bento XVI recorda que a justiça e a caridade não se opõem, mas "complementam"
CIDADE DO VATICANO, domingo, 16 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Voltando da visita pastoral à Paróquia romana de São Patrício no Cole Prenestino, às 12hs, o Papa Bento XVI apareceu na janela do seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano para recitar o ângelus com os fieis e os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Estas são as palavras do Papa na introdução da oração mariana:
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Queridos irmãos e irmãs!
O Evangelho deste Domingo do Advento apresenta novamente a figura de João Batista, e o retrata enquanto fala para a multidão que se reune com ele no Rio Jordão para fazer-se batizar. Porque João com palavras fortes, exorta todos a se prepararem para a vinda do Messias, alguns lhe perguntam: “o que devemos fazer?" (Lc 3,10.12..14). Esses diálogos são muito interessantes e se revelam de grande atualidade.
A primeira resposta é dada ao público em geral. O Batista diz: "Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer, faça o mesmo” (v. 11). Aqui podemos ver um critério de justiça, animado pela caridade. A justiça pede que se supere o desequilíbrio entre quem tem o supérfluo e quem falta o necessário; a caridade empurra a estar atento ao outro e ir ao encontro da sua necessidade, em vez de encontrar justificação para defender os próprios interesses. Justiça e caridade não se opõem, mas ambos são necessários e se complementam. "O amor será sempre necessário, mesmo na sociedade mais justa", porque "sempre existirão situações de necessidade material nas quais é indispensável uma ajuda na linha de um concreto amor ao próximo” (Encíclica Deus caritas est, 28).
E depois vemos a segunda resposta, que está dirigida a alguns “publicanos”, ou seja, cobradores de impostos para os Romanos. Já por isso os publicanos eram desprezados, e também porque muitas vezes aproveitavam da sua situação para roubar. O Batista não lhes diz para mudarem de trabalho, mas para não exigirem nada a mais do que está definido (cfr v. 13). O profeta, em nome de Deus, não pede gestos excepcionais, mas cumprimento honesto do próprio dever. O primeiro passo para a vida eterna é sempre guardar os mandamentos, neste caso o sétimo: "Não furtarás" (cf. Êx 20, 15).
A terceira resposta é sobre os soldados, outra categoria dotada de um certo poder, e portanto tentada de abusá-lo. Aos soldados João diz: “Não maltratar e não extorquir nada de ninguém; acontentai-vos com a vossa paga” (v. 14). Também aqui, a conversão começa pela honestidade e pelo respeito aos outros: uma indicação que se aplica a todos, especialmente para aqueles que tem maiores responsabilidades.
Considerando estes diálogos no conjunto, chama a atenção a grande concretude das palavras de João: sabendo que Deus nos julgará segundo as nossas obras, é ali, no comportamento, que é necessário demonstrar o seguimento da sua vontade. E justo por isso as indicações do Batista são sempre atuais: também no nosso mundo tão complexo, as coisas seriam muito melhor se cada um observasse estas regras de conduta. Peçamos então ao Senhor, por intercessão de Maria Santíssima, para que nos ajude a preparar-nos para o Natal levando bons frutos de conversão (cf. Lc 3, 8).

O PRESÉPIO DE PÁDUA


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Que o Natal sorria para todos e proporcione a paz anunciada pelos anjos,
em Belém. Certamente, guardamos na memória, com especial carinho, inúmeros fatos, relativos a esta data, tão significativa aos cristãos, pois as celebrações natalinas evocam o mistério da encarnação: “O Verbo se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Através de Jesus Cristo, Deus assumiu nossa condição humana; veio ser próximo de nós para que nós pudéssemos entrar em comunhão com Ele. A liturgia natalina fala em troca de dons entre o céu e a terra: Jesus veio ao nosso encontro como Deus e nós lhe oferecemos a humanidade: Ele é o Emanuel = Deus conosco.
São Francisco de Assis, para tornar mais visível e sensível este mistério, criou o presépio (1223), em Greggio – Itália. Sobre o fato, escreve seu biógrafo: “O Menino Jesus tinha sido relegado ao esquecimento (cf. Sl 30, 13) nos corações de muitos, mas neles ele ressuscitou, agindo a sua graça por meio de seu servo São Francisco, e ficou impresso na diligente memória deles” (1Celano XXX, 86). Ainda hoje, nas igrejas, nas casas, nas praças e outros locais, nós cultivamos esse rico simbolismo do Deus que se fez pequeno entre nós: o eterno entrou nos limites do tempo, da história humana. Já vimos muitos presépios e a criatividade o torna sempre novo e atrativo. Mas alguns deles, certamente, nos marcaram de modo especial e os recordamos talvez
em cada Natal que passa. Um deles, o que mais impressionou até hoje a este que vos fala ou escreve, pela sua originalidade e sentido, foi o da estação ferroviária de Pádua, cidade de Santo Antônio, seguidor de São Francisco de Assis, no Natal de 1980. O que representava este presépio? Em novembro do mesmo ano havia ocorrido um terremoto, com epicentro na Província de Potenza - Itália, de proporções consideráveis. Campanhas de ajuda humanitária eram feitas em todo país, tentando amenizar a dor e os prejuízos dos mais sofridos. O presépio da estação representava, em forma de tendas, as habitações provisórias dos mais atingidos pela catástrofe. Um trenzinho circulava lentamente entre as montanhas e vales, com suas casas destruídas, não deixando de passar pelas tendas da baixada e de parar na estação. Até aí nada de especial. Mas então vem o importante e o original: no meio das tendas encontrava-se uma, mais iluminada, e que pertencia a Maria, José e o Menino Jesus. Era o presépio em meio à realidade daquelas pessoas. O Emanuel tornava-se, de fato, Deus-conosco ou Deus-com-eles; nesse presépio Jesus habitava no meio dos atingidos pelo desastre, na realidade de sua vida; entre eles havia feito sua tenda, assim como na gruta de Belém, quando não havia lugar para eles nas casas. Bem escreveu São Francisco de Assis: “Um Menino santíssimo e dileto nos foi dado e nasceu por nós (cf. Is 9, 6) no caminho e foi colocado no presépio (cf. Lc 2, 7) porque ele não tinha um lugar na hospedaria (cf. Lc 2, 7)” (Ofício da Paixão do Senhor, 5ª parte – No Tempo do Natal do Senhor, 7). Sim, Jesus nascera no caminho, na situação concreta da vida daquelas pessoas, encarnando-se no seu meio para ser luz, esperança e salvação, alívio em sua dor. A estação, onde parava o trenzinho, chamava-se: Solidarietà (Solidariedade). Nós, que olhávamos para o presépio, nos sentimos logo convidados a meditar sobre a sorte dos irmãos sofredores e estimulados a ajudá-los em seu sofrimento, com ações solidárias.No Natal de 2012 o Senhor quer fazer sua tenda em nossa vida, em nossa realidade concreta: nosso coração, família, comunidade, vocação, trabalho, convivência social... Ele quer estar junto a nós, e com todos, pois veio para ser o Emanuel: Deus conosco (Is 7, 14). Há lugar para Ele? Caso tivermos, convidemo-lo e Ele virá! Feliz Natal com Sua presença e Abençoado Ano Novo - Ano da Missão - em nossa Diocese!
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Natal anunciado com alegria aos pequeninos

Coluna de orientação catequética aos cuidados de Rachel Lemos Abdalla
Por Rachel Abdalla*
CAMPINAS, quinta-feira, 13 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Criança gosta daquilo que lhe é próprio, ou seja, da realidade vista sob a ótica pura e inocente dos fatos que presencia, e dos desejos que sente, principalmente aqueles associados à alegria. Por isso, o que devemos apresentar sobre Jesus às crianças deve ser alegre e ter o jeito e o tamanho delas.
Com base nos ensinamentos que Ele nos deixou nos Evangelhos, toda fala deve ter uma conotação verdadeira, porém, precisa ser colocada de modo lúdico, ou seja, na linguagem que a criança se envolve e participa, criando assim, um vínculo entre aquilo que ouve e vive.
Ao falar para os pequeninos sobre o nascimento de Jesus, os pais e catequistas podem fazer uma correlação deste dia com o nascimento deles, relembrando a alegria e a emoção, a preparação e a expectativa da chegada de uma criança ao mundo. Aqui, no caso, no Natal, de um pequenino muito especial, por ser o Filho de Deus.
Quando o anjo Gabriel vai anunciar à Maria que ela será a Mãe do Filho de Deus, sua saudação inicia-se com a palavra grega khaire que significa 'alegra-te', porque a novidade que vem é motivo de muita alegria! Vai nascer um menino, uma criança vem ao mundo! É, pois, com essa mesma alegria do anjo, ao anunciar Jesus a Maria, que nós devemos também anunciá-Lo ao mundo e, especialmente, às crianças.
Mas, onde está a alegria? Como mostrá-la aos pequeninos?
O motivo de alegria para Maria era o de ter o Senhor em seu ventre, e para nós é o fato de Jesus ter nascido entre os homens. Com relação às crianças, podemos inseri-las no contexto da família, dos amigos, dos parentes como uma relação de amor entre todos.. Afinal, ser feliz é ter um encontro com o amor! Deus é Amor e nós nos encontramos com este Amor na pessoa de Jesus. Ao mostrarmos Jesus como um Menino, estamos colocando-O no mesmo contexto em que vivem as crianças.
É interessante, neste processo evangelizador, despertar nelas algo a mais sobre o Menino Jesus como, por exemplo, falar como Ele nasceu; que chorava, mas que também era risonho; como seriam as suas feições a partir das características do seu povo; quando começou a andar, o que gostava de comer, quem eram seus amiguinhos, qual era a sua brincadeira preferida... enfim, fazer colocações simples que não interferem na verdade e podem ser apresentadas conforme a expectativa da criança, do momento dela, afinal, Jesus era uma criança comum, mesmo sendo Deus, e cresceu como todos nós, dentro de uma realidade humana e limitada. Assim, elas crescerão com Jesus, gradativamente, de modo simples e natural.
Neste tempo do Natal, fale sobre Jesus e ensine o Amor às crianças, sendo alegre como elas são! Essa linguagem elas compreendem!
Feliz Natal!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

ORAÇÃO DO TERÇO DAS ROSAS

Hoje a comunidade Santa Rita de Cássia dentro da programação de fim de ano, realizou a Oração Meditada do Terço das Rosas, com a participação dos grupos de familias (NS das Graças, dos bairros Piola e Gamino; NS de Fátima do bairro Olhos D'água e NS Conquistadora do bairro José de Abreu)  jovens e crianças. Após os jovens fizeram a encenação de São Francisco de Assis que querendo mostrar a beleza do Natal, compôs o primeiro presépio no ano de 1223. Na sequência a comunidade confraternizou.
Vejamos as fotos:

























Grupo NS das Graças

sábado, 8 de dezembro de 2012

A oração de advento e a encarnação



Responde padre Edward McNamara, LC, professor de Teologia e diretor espiritual
ROMA, sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Um leitor Inglês apresentou a seguinte pergunta para o padre Edward McNamara:
A oração coleta da segunda-feira, na segunda semana do Advento, pede: “prepare-nos para celebrar a encarnação do Teu filho”. A encarnação é celebrada no dia 25 de março, não no dia 25 de dezembro. Há muitos outros erros deste tipo durante o Advento. O Vaticano não deveria corrigí-los? Uma pessoa que eu conheço usa esse argumento como pró-aborto, dizendo: "Também a  Igreja reconhece que Cristo se fez homem apenas no Natal.. Antes ele não era um homem, não era um ser humano no ventre de Maria". Está errado, mas não totalmente. - AC fornecimento, Carlisle, Inglaterra.
Padre McNamara deu a seguinte resposta: Eu hesitaria em dizer que a Igreja cometa “erros” ao propor as orações que devem ser proclamadas diante de Deus e dos fieis.
Quando certa oração nos deixa perplexos ou maravilhados, a nossa atitude deveria ser a de considerar que talvez seja errada a nossa interpretação do texto ou as nossas expectativas sobre a função das orações litúrgicas.
Do ponto de vista histórico as orações usadas durante o Advento são tiradas dos antigos manuscritos conhecidos, como o Pergaminho de Ravenna (V-VI século) e o Sacramentário Gelasiano (VII século). O seu tema constante é a vinda de Cristo, seja na encarnação (a primeira vinda) seja no final dos tempos (a segunda vinda).
Na verdade, tanto o Natal como a Anunciação celebram diferentes aspectos do mesmo mistério da Encarnação e demostram relativamente pouca precisão biológica ou cronológica.
A festa do Natal tem as suas origens na cidade de Roma e é celebrada pela primeira vez por volta do ano 330, ou seja, cerca de 15 anos depois do fim das perseguições, e, talvez, na basílica de São Pedro acabada de constuir.
Os primeiros vestígios de uma festa da Anunciação estão por volta do 624, no Egito. Após esta data, os testemunhos aumentam em diversas regiões do cristianismo. Desde o começo é celebrado o dia 25 de março por causa da convição de que o equinócio de primavera era tanto no dia da criação quanto no começo da nova criação em Cristo.
Esta data tem causado problemas em algumas igrejas, como por exemplo naquelas de rito moçárabe espanhol e de rito ambrosiano em Milão, por causa da sua estrita proibição de celebrar festas durante a Quaresma. Por este motivo optaram por celebrar a Anunciação no dia 18 de dezembro, uma tradição mantida até hoje.
Portanto, é evidente que nem o calendário litúrgico nem qualquer oração litúrgica em particular podem ser usadas no debate sobre o aborto ou sobre o momento exato do início da vida.
A intenção da liturgia não é resolver estas questões, mas glorificar e louvar a Deus pelo maravilhoso mistério do Verbo que se fez carne e "se encarnou no seio da Virgem Maria e se fez homem" (Credo Niceno-constantinopolitano ) para a nossa salvação.
(Tradução Thácio Siqueira)

Imaculada Conceição de Maria



O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos dogmas mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro nós e que não renunciamos nunca.

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma foi definido em 1854 pelo Papa Pio IX, através da bula "Ineffabilis Deus", mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII.

A festa não existia oficialmente no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia, chamado Beato João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de São Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria, como ínicio do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570 foi confirmada e formalizada pelo Papa Pio V, na publicação do novo ofício e, finalmente, no século XVIII, o Papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres: "Eu sou a Imaculada Conceição".

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno. Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus miseriordioso. Foi Deus que concedeu à Ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina permanecesse incontaminada.

Maria então foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos.

Hoje não comemoramos a memória de um Santo, mas a solenidade mais elevada, maior e mais preciosa da Igreja: a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a Rainha de todos os Santos, a Mãe de Deus.