quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Igreja: a razão e a paixão da vida

As palavras de Bento XVI aos cardeais no último dia do seu pontificado
CIDADE DO VATICANO, 28 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Bento XVI na manhã desta quinta-feira 28 de Fevereiro, último dia do seu pontificado encontrou-se com os cardeais presentes em Roma para  uma saudação de despedida. Apresentamos a seguir suas palavras:
Venerados e queridos Irmãos!
Com grande alegria vos recebo e ofereço a cada um de vós a minha mais cordial saudação. Agradeço ao Cardeal Angelo Sodano que, como sempre, foi capaz de transmitir os sentimentos do Colégio: Cor ad cor loquitur. Obrigado Eminência, de coração. Gostaria de dizer – tendo com referência a experiência dos discípulos de Emaús - que também para mim foi uma alegria caminhar convosco nos últimos anos, na luz da presença do Senhor ressuscitado.
Como disse ontem diante dos milhares de fiéis que encheram a Praça de São Pedro, a vossa proximidade e o vosso conselho foram de grande ajuda no meu ministério. Nos últimos oito anos, vivemos com fé momentos de luz radiante no caminho da Igreja, junto a momentos nos quais algumas nuvens se adensaram no céu. Procuramos servir a Cristo e a sua Igreja com amor profundo e total, que é a alma do nosso ministério. Demos esperança, aquela que vem de Cristo, que só pode iluminar o caminho. Juntos podemos dar graças ao Senhor que nos fez crescer na comunhão e juntos pedir-Lhe que vos ajude a crescer ainda nesta unidade profunda, de modo que o Colégio dos Cardeais seja como uma orquestra, onde as diferenças - expressão da Igreja universal - contribua sempre para a harmonia superior e concorde.
Gostaria de vos deixar um pensamento simples, que muito está no meu coração: um pensamento sobre a Igreja, sobre seu mistério, que é para todos nós - podemos dizer - a razão e a paixão da vida. Deixo-me ajudar por uma expressão de Romano Guardini, escrita no ano em que os Padres do Concílio Vaticano II aprovaram a Constituição Lumen Gentium, em seu último livro, com uma dedicatória pessoal para mim; por isso as palavras deste livro são-me particularmente queridas. Guardini diz: A Igreja "não é uma instituição concebida e construída sob um projeto..., mas uma realidade viva... Ela vive ao longo do tempo, como qualquer ser vivo, transformando-se ... No entanto, na sua natureza permanece a mesma, e seu coração é Cristo". Foi a nossa experiência, ontem, parece-me, na Praça: ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo e vive realmente pela força de Deus. Ela está no mundo, mas não é do mundo: é de Deus, de Cristo, do Espírito. Vimos isso ontem. Por isso é também verdadeira e eloquente outra frase de Guardini: "A Igreja desperta nas almas". A Igreja vive, cresce e desperta nas almas que, como a Virgem Maria - acolhem a Palavra de Deus e a concebem pelo poder do Espírito Santo; oferecem a Deus a própria carne e, precisamente na sua pobreza e humildade, tornam-se capazes de gerar Cristo hoje no mundo. Através da Igreja, o Mistério da Encarnação permanece para sempre. Cristo continua a caminhar através dos tempos e em todos os lugares.
Permaneçamos unidos, queridos irmãos, nesse Mistério: na oração, especialmente na Eucaristia diária, e assim sirvamos a Igreja e toda a humanidade. Esta é a nossa alegria, que ninguém nos pode tirar.
Antes de vos cumprimentar pessoalmente, gostaria de dizer-vos continuarei a estar perto com a oração, especialmente nos próximos dias, para que sejais totalmente dóceis à ação do Espírito Santo na eleição do novo Papa. Que o Senhor vos mostre o que Ele quer. E entre vós, entre o Colégio de Cardeais, está também o futuro Papa ao qual desde já prometo a minha reverência e obediência incondicionadas. Portanto, com afeto e gratidão, concedo-vos de coração a Benção Apostólica.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Na sua última audiência o Papa Bento XVI lembra que é Deus que guia a Igreja e o mundo



Sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é de Cristo
Por Thácio Lincon Soares de Siqueira
BRASíLIA, 27 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Bandeiras de diversos países e movimentos eclesiásticos coloriram a praça de São Pedro na manhã de hoje para a última Audiência Geral do Papa Bento XVI. Uma média de 150 mil peregrinos vieram dar o último abraço ao Santo Padre, antes da Sé Vacante, que começa amanhã, 28, às 20h.
Na primeira fila um nutrido grupo de cardeais, bispos e várias autoridades civis e eclesiásticas. Entre os cardeais estava o arcebispo de Viena Christoph Schoenborn, o de Boston Sean O’Malley, o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, o filipino Luis Antonio Tagle, o arcebispo de Mônaco Reinhard Marx, Donal Wuerl (Washington), Roger Mahony (Los Angeles), o ganense Peter Turkson, o australiano Georg Pell, o mexicano Norberto Rivera Carrera, John Tong (Hong Kong), Bernard Law,  o cardeal Giovanni Battista Re, o secretário de Estado Tarcisio Bertone.
“Também eu sinto no meu coração o dever de principalmente agradecer a Deus” disse Bento XVI. “Sinto de levar todos na oração, num presente que é aquele de Deus, onde coloco cada encontro, viagem, cada visita pastoral”.
Lembrando o 19 de abril de 2005, momento da sua eleição, elevou aos céus essa oração “Senhor, por que me pede isso e o que me pede? É um peso grande que me coloca nas costas, mas se o senhor me pede, nas suas palavras lançarei as redes, com a certeza de que me guiará, ainda com todas as minhas debilidades”..
A barca da igreja, nesses oito anos, passou por “momentos de alegria e luz, mas também momentos não fáceis”, porém, continuou Bento XVI “sempre soube que naquela barca está o Senhor e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é sua”, e disse “O Senhor não a deixa afundar; é Ele que a conduz, sem dúvida também por meio dos homens que escolheu, porque assim o quis”.
Convidou todos a “renovar a firme confiança no Senhor, a confiar-nos como crianças nos braços de Deus, certos de que aqueles braços nos sustentam sempre e é o que nos permite caminhar a cada dia, também no cansaço”. Que cada um de nós “sinta a alegria de ser cristão”.
“Um Papa não está só na direção da barca de Pedro, ainda que seja a sua primeira responsabilidade”, afirmou enquanto agradecia os seus colaboradores mais próximos. “Eu nunca me senti só ao levar a alegria e o peso do ministério petrino”.
O Papa agradeceu também “Principalmente vós, caros Irmãos Cardeais: a vossa sabedoria, os vossos conselhos, a vossa amizade foram preciosos para mim; os meus Colaboradores, começando pelo meu Secretário de Estado  que me acompanhou com fidelidade nestes anos; a Secretaria de Estado e toda a Curia Romana”.
“O coração de um Papa se estende a todo o mundo”, disse Bento XVI referindo-se à natureza da Igreja, que não “é uma organização, uma associação com fins religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunhão de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que nos une a todos”.
Referindo-se à sua renúncia assegurou que tomou “a decisão mais justa não para o meu bem, mas para o bem da Igreja” porque “Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridas, tendo sempre diante o bem da Igreja e não a si mesmos”.
“Quem assume o ministério petrino não tem mais privacidade”, afirmou também o Papa, pois a partir do momento que se aceita o ministério Petrino o Papa “não se pertence mais, pertence a todos e todos pertencem a ele”.
Para um Papa, portanto, não existe a possibilidade de retornar mais à privacidade. Portanto, “Não retorno à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc”, disse o Papa, porque “Não abandono a cruz, mas permaneço de modo novo junto ao Senhor Crucificado”.
Bento XVI esclareceu que continuará “a acompanhar o caminho da Igreja com a oração e a reflexão, com aquela dedicação ao Senhor e à sua Esposa que sempre procurei viver até agora a cada dia e que gostaria de viver sempre”.
“Deus guia a sua Igreja, a sustenta sempre também e principalmente nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única verdadeira visão do caminho da Igreja e do mundo”, conclui o Santo Padre.

Oração a São José, Padroeiro da Igreja



8 de dezembro de 1870: Pio IX proclama o esposo de Maria como padroeiro de toda a Igreja
ROMA, 26 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Março, mês de São José, começará neste ano já com Sé Vacante. Também em março será eleito o novo papa. E ainda em março, no dia 19, Bento XVI celebra o seu onomástico, no dia de São José.
Celebramos também o 50º aniversário da morte do beato João XXIII (1963-2013), Angelo Giuseppe [ou seja, José] Roncalli, devotíssimo de São José, que chegou a inserir o nome do padroeiro na oração eucarística denominada Cânone Romano.
Estes são alguns dos motivos para redescobrirmos e rezarmos ao padroeiro da Igreja universal.
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Ó beato José, por Deus escolhido para levar o nome e desempenhar o papel de pai aos olhos de Jesus; tu, que por Ele foste dado como puríssimo esposo a Maria sempre Virgem e como chefe da Sagrada Família sobre a terra; tu, que pelo Vigário de Cristo foste escolhido como padroeiro e defensor da Igreja universal, fundada pelo próprio Cristo Senhor; com a confiança maior possível, imploro a tua ajuda poderosa em prol desta mesma Igreja que luta sobre a face da terra.
Suplico que, solícito e amorosamente paternal, protejas o Romano Pontífice e todos os bispos e padres unidos à Santa Sé de Pedro.
Defende todos quantos padecem por salvar as almas angustiadas e imersas nas dificuldades desta vida. Faze que todos espontaneamente se sujeitem à Igreja, meio absolutamente necessário para se obter a salvação.
Digna-te a aceitar, santíssimo José, o dom que te ofereço. Devoto-me inteiramente a ti, para que sempre me sejas pai, protetor e guia no caminho da salvação. Dá-me um coração puro e um ardente amor pela vida do espírito. Faz-me seguir os teus passos e consagrar os meus atos todos à maior glória de Deus, unindo-os aos afetos do Divino Coração de Jesus e do Coração Imaculado da Virgem Mãe.
Ora por mim, para que eu possa participar da paz e da alegria de que desfrutaste tu, morrendo assim santamente.
Amém.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ULTIMO ANGELUS DE BENTO XVI


Meditando no Evangelho da Transfiguração, o Pontífice explica que a própria renúncia não significa "abandonar a Igreja", mas serví-la "com uma dedicação mais adequada às minhas forças."





CIDADE DO VATICANO, 24 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Às 12h horas de hoje o Santo Padre Bento XVI saiu pela janela do seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano para rezar o Angelus com os fieis e os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
Publicamos a seguir as palavras do Papa antes da oração mariana.
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Queridos irmãos e irmãs!
No segundo domingo da Quaresma, a liturgia sempre nos apresenta o Evangelho da Transfiguração do Senhor. O evangelista Lucas coloca especial atenção no fato de que Jesus foi transfigurado enquanto orava: a sua é uma profunda experiência de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive em um alto monte na companhia de Pedro, Tiago e João , os três discípulos sempre presentes nos momentos da manifestação divina do Mestre (Lc 5,10; 8,51; 9,28). O Senhor, que pouco antes havia predito a sua morte e ressurreição (9,22), oferece a seus discípulos uma antecipação da sua glória. E também na Transfiguração, como no batismo, ouvimos a voz do Pai Celestial: "Este é o meu filho, o eleito; ouvi-o" (9, 35). A presença de Moisés e Elias, representando a Lei e os Profetas da Antiga Aliança, é muito significativa: toda a história da Aliança está focada Nele, o Cristo, que faz um novo "êxodo" (9,31) , não para a terra prometida, como no tempo de Moisés, mas para o céu. A intervenção de Pedro: "Mestre, é bom para nós estarmos aqui" (9,33) representa a tentativa impossível de parar esta experiência mística. Santo Agostinho diz: "[Pedro] ... no monte... tinha Cristo como alimento da alma. Por que deveria descer para voltar aos trabalhos e dores, enquanto lá encima estava cheio de sentimentos de santo amor por Deus e que inspiravam-lhe uma santa conduta? "(Sermão 78,3).
Meditando sobre esta passagem do Evangelho, podemos tirar um ensinamento muito importante. Primeiro, o primado da oração, sem a qual todo o trabalho do apostolado e da caridade é reduzido ao ativismo. Na Quaresma aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e das suas contradições, como Pedro quis fazer no Tabor, mas a oração traz de volta para o caminho, para a ação.. "A existência cristã - escrevi na Mensagem para esta Quaresma – consiste num contínuo subir o monte do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que provém dele, a fim de servir os nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus "(n. 3).
Queridos irmãos e irmãs, sinto essa Palavra de Deus especialmente dirigida a mim, neste momento da minha vida. O Senhor me chama para “subir o monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, pelo contrário, se Deus me pede isso é para que eu a possa continuar servindo com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual fiz até hoje, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças. Invoquemos a intercessão da Virgem Maria: que ela sempre nos ajude a seguir o Senhor Jesus, na oração e nas obras de caridade.
[Depois da oração do Angelus o Santo Padre dirigiu estas palavras aos peregrinos de língua portuguesa:]
Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o Angelus: obrigado pela vossa presença e todas as manifestações de afeto e solidariedade, em particular pelas orações com que me estais acompanhando nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2013



Caros diocesanos. Estamos iniciando nossa quaresma de 2013 e nos perguntamos: - qual a temática da Campanha da Fraternidade, que vai nos ajudar no processo de conversão pessoal, comunitária e social? Fraternidade e Juventude é o tema e o profeta Isaías nos apresenta o lema: “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6, 8). Assim a Igreja do Brasil deseja refletir e rezar, junto com os jovens, reapresentando o Evangelho como sentido e missão de nossa vida. A Campanha da Fraternidade é um convite para nos convertermos e irmos ao encontro dos jovens e estes são convidados para se deixarem encontrar por Jesus Cristo, como caminho, verdade e vida (Jo 14, 6). A campanha de 2013 também está em sintonia com o lema da Jornada Mundial da Juventude: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). Os jovens são convidados para serem missionários em nossas comunidades, evangelizando, sobretudo, os próprios jovens. Como pudemos ver na ocasião da passagem da Cruz peregrina e do Ícone de Nossa Senhora, os jovens têm seu jeito próprio de se colocarem a serviço da evangelização, vivendo e testemunhando a graça e a beleza de serem cristãos. Torna-se imprescindível caminhar com eles e refazer com eles a experiência de Jesus. Como afirma o documento Evangelização da Juventude (EJ): “Nas atividades pastorais com a juventude, faz-se necessário oferecer canais de participação e envolvimento nas decisões, que possibilitem uma experiência autêntica de corresponsabilidade, de diálogo, de escuta e o envolvimento no processo de renovação contínua da Igreja. Trata-se de valorizar a participação dos jovens nos conselhos, reuniões de grupo, assembléias, equipes, processo de avaliação e planejamento” (EJ 76).Para atingir os fins acima propostos, a CNBB propõe o seguinte objetivo geral na Campanha da Fraternidade de 2013: “Acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz”. Para tal é preciso propiciar-lhes o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, em vista de um projeto pessoal de vida cristã e que possibilite uma participação ativa na comunidade eclesial, a qual seja apoio e sustento na sua caminhada de fé e possibilite contribuir com seus dons e talentos, tornando-se eles mesmos agentes transformadores da sociedade, protagonistas da civilização do amor e do bem comum (Texto-Base 4).Para que a Campanha da Fraternidade obtenha seus objetivos especialmente em relação aos nossos jovens, rezemos a oração proposta para este tempo quaresmal:Pai santo, vosso Filho Jesus, conduzido pelo Espírito e obediente à vossa vontade, aceitou a cruz como prova de amor à humanidade. Convertei-nos e, nos desafios deste mundo, tornai-nos missionários a serviço da juventude. Para anunciar o Evangelho como projeto de vida, enviai-nos, Senhor; para ser presença geradora de fraternidade, enviai-nos, Senhor; para ser profetas em tempo de mudança, enviai-nos, Senhor ;para promover a sociedade da não violência, enviai-nos, Senhor; para salvar a quem perdeu a esperança, enviai-nos, Senhor; para ... (intenções da comunidade)Caros diocesanos. Em espírito de fraternidade, como Igreja, caminhemos ao encontro dos nossos jovens e junto com eles vamos ao encontro do Senhor para formarmos uma só Igreja, com rosto rejuvenescido e disposto a evangelizar em nosso tempo e nossos ambientes.
Dom Aloísio A. Dilli - Bispo de Uruguaiana

Jovens lançam site de oração pelo conclave

Adote um cardeal eleitor nas suas orações
BRASíLIA, 24 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - “Agora, confiamos à Igreja o cuidado de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista com sua materna bondade os Cardeais a escolherem o novo Sumo Pontífice.” Papa Bento XVI
Inspirados pelas palavras do Santo Padre Bento XVI, cinco jovens brasileiros lançaram nesse domingo, 24 de fevereiro, o site www.1conclave.com.
A iniciativa chamada Unidos ao Conclave, direcionada aos jovens do mundo todo, convida a presentear os cardeais eleitores com ramalhetes espirituais.
O ramalhete espiritual consiste em oferecer missas, orações, vias sacras, adorações, jejuns e outros sacrifícios na intenção de uma pessoa amada. Segundo Priscila Alvim, 30 anos, essa ação relembra o exemplo do jovem Juan Diego que ofertou rosas ao Bispo D. Juan Zumárraga a pedido da Virgem de Guadalupe, Padroeira das Américas.
Assim, a iniciativa reforça a importância da oração, especialmente durante o período quaresmal, tempo propício à oração e à penitência a fim de intercedermos pelos nossos cardeais e pelo bem da Igreja.
Como funciona?
Ao acessar o site, o jovem poderá registrar e atualizar o ramalhete espiritual na intenção de um cardeal eleitor, escolhido aleatoriamente. Ao final, todas as orações oferecidas serão entregues aos cardeais antes da eleição do novo Sumo Pontífice.
Desta forma, a meta é levar muitas pessoas à prática da oração e demonstrar publicamente o carinho dos jovens pelos cardeais, como informa Vinicius Andrade, 26 anos. Além disso, destacar a jovialidade da Igreja no ano em que se celebra a 27ª JMJ no Rio de Janeiro.
O site www.1conclave.com,lançado hoje, está disponível em português, espanhol e inglês. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

"Acreditar não é nada mais do que, na escuridão do mundo, tocar a mão de Deus"

Palavras de Bento XVI no final dos Exercícios Espirituais
CIDADE DO VATICANO, 23 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Publicamos as palavras do Papa Bento XVI proferidas esta manhã na Capela Redemptoris Mater no Palácio Apostólico Vaticano na conclusão dos Exercícios Espirituais

Caros irmãos,
Caros amigos!
No final desta semana espiritualmente tão densa, fica só uma palavra: obrigado! Obrigado a vocês por esta comunidade orante em escuta, que me acompanhou nesta semana. Obrigado, principalmente, ao senhor, eminência, por estas “caminhadas” tão bonitas no universo da fé, no universo dos Salmos. Ficamos impressionados pela riqueza, profundidade, beleza deste universo da fé e permanecemos gratos porque a Palavra de Deus nos falou de modo novo, com nova força.
"Arte de crer, arte de pregar” era o fio condutor. Lembrei-me do fato de que os teólogos medievais traduziram a palavra "logos" não só por "Verbum", mas também por "ars": "Verbum" e "ars" são intercambiáveis. Apenas nas duas juntas aparece, para os teólogos medievais, todo o significado da palavra “logos”. O “Logos” não é somente um razão matemática: o “Logos” tem um coração, o “Logos” é também amor. A verdade é bela, verdade e beleza vão juntas: a beleza é o selo da verdade.
E o senhor, partindo dos Salmos e da nossa experiência de cada dia, sublinhou fortemente que o “muito belo” do sexto dia -  expressado pelo Criador – é permanentemente contradito, desta forma, pelo mal, pelo sofrimento, pela corrupção. E parece quase que o maligno queira permanentemente sujar a criação, para contradizer a Deus e fazer irreconhecível a sua verdade e a sua beleza. Num mundo assim marcado também pelo mal, o “Logos”, a Beleza eterna e a Ars eterna, devem aparecer como “caput cruentatum”. O Filho encarnado, o “Logos” encarnado, é coroado com uma coroa de espinhos; e ainda justo assim, nesta figura sofrida do Filho de Deus, começamos a ver a beleza mais profunda do nosso Criador e Redentor; podemos, no silêncio da “noite escura”, escutar ainda a Palavra. Crer não é mais do que, na escuridão do mundo, tocar a mão de Deus e assim, no silêncio, escutar a Palavra, ver o Amor.
Eminência, obrigado por tudo e façamos ainda “caminhadas”, ainda mais, neste misterioso universo da fé, para sermos mais capazes de orar, de rezar, de anunciar, de ser testemunhas da verdade, que é bela, que é amor.
No fim, caros amigos, gostaria de agradecer a todos vocês, e não só por esta semana, mas por estes oito anos, em que levaram comigo, com grande competência, afeto, amor, fé, o peso do ministério petrino. Permanece em mim esta gratidão e embora agora termine a "exterior", "visível" comunhão - como disse o cardeal Ravasi – permanece a proximidade espiritual, permanece uma profunda comunhão na oração. Nesta certeza avançemos, confiantes da vitória de Deus, confiantes da verdade da beleza e do amor.
Obrigado a todos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Maria no «Ano da Fé»



Não existe na história da Igreja e da teologia, alguém além da Virgem Maria, que concentra em si todo o projeto de Deus na salvação do gênero humano.
Por Dom Rafael Maria,sob
SãO PAULO, 22 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - O «Ano da Fé» proclamado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de Outubro de 2012, e que vai até o próximo ano de 2013, nos orienta a ver em Maria o modelo perfeito do seguimento de Cristo. Na Nova Evangelização, Maria é a Estrela que nos conduz a assimilação coerente do Evangelho de Cristo. Nossa Senhora é por excelência o “Evangelho vivo”. Nela se concentra toda a atenção da Igreja, pois de modo perfeito foi a primeira discípula de Cristo na fé e na ação. O culto a Maria de Nazaré perdura á dois mil anos, seja por escrito como também celebrativo. A liturgia mariana é cristológica e eclesiológica. As celebrações mariana na liturgia oficial da Igreja não é um cultuar a pessoa humana da Kekaritomene (Cheia de graça), mas a ação salvífica trinitária da qual a escolheu para uma cooperação impar na história humana.
Sabiamente, a Igreja nos apresenta celebrações importantes durante o Ano Litúrgico onde se concentram os importantes mistérios da vida da Virgem e seus aspectos cristológicos como a sua Imaculada Conceição, sua Virgindade perpétua. Tais mistérios se concentram na Maternidade divina que recebe do Deus Uno e Trino seu prêmio de fidelidade na sua Assunção gloriosa.. Como se sabe tudo o que aconteceu com a Virgem Maria diz respeito a Igreja que somos nós e por isto a Igreja celebra já aqui e agora o nosso futuro.
Não existe na história da Igreja e da teologia, alguém além da Virgem Maria, que concentra em si todo o projeto de Deus na salvação do gênero humano.
No caminho celebrativo do 50º do Concílio Vaticano II, uma constante formação mariológica se subtrai nas celebrações para 2014 como, a proclamação de Maria, como «Mãe da Igreja», pelo papa Paulo VI (1964), que foi fruto dos esforços do episcopado brasileiro durante o Concílio; os 40 anos da publicação da Carta Encíclica Marialis Cultus (1974) do papa Paulo VI. Um compêndio de máxima importação na orientação do culto litúrgico e popular à Virgem Maria. Documento iluminante que foi consequência do solene e importante documento pós conciliar Vaticano II, a Constituição Apostólica Lumen Gentium, capítulo VIII dedicado exclusivamente a Maria no mistério de Cristo e da Igreja e que em 2014 completará seu cinquentenário (1964). No caminho pós Concílio aurimos luz para uma constante formação mariológica, onde comemoraremos em 2014, os 160 anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo papa Pio IX com a Encíclica Inefabilis Deus (1854).
No contexto brasileiro temos algumas comemorações indicativas e que para muitos é desconhecida. Para 2013 temos os 455 anos da chegada ao Brasil da invocação de Nossa Senhora dos Prazeres na cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo (1558), conhecida como Nossa Senhora da Penha. Única invocação mariana no mundo onde celebra uma festa litúrgica á «Alegria de Maria na ressurreição do Senhor» no período pascal.
Ainda em 2014 temos os 480 anos do nascimento do primeiro mariólogo vindo às terras de Santa Cruz, o apóstolo do Brasil, o beato José de Anchieta (1584); os 360 anos da expulsão dos Holandeses (1654) sob invocação a Nossa Senhora dos Prazeres ou das Alegrias nos Montes Guararapes (Pernambuco). Tal invocação, como aquela de Vitória do Espirito Santo é celebrada na Páscoa. Assim, os 110 anos da coroação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Rainha do Brasil (1904).
Dom Rafael Maria é beneditino e doutor em Mariologia, leciona um «Curso de Mariologia» via internet (cf. www.cursoscatolicos.com.br). Para maiores informações:  d.rafaelmariaosb@hotmail.com

Este é o meu Filho, escutai-o!


 

Meditação da Palavra de Deus - II Domingo da Quaresma
 
Por Frei Patrício Sciadini
CAIRO, 22 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Lucas tem uma pedagogia especial e única. Ele sabe como nos conduzir à compreensão dos mais belos e grandes mistérios da vida e da missão de Jesus. Com delicadeza, nos encontramos diante da transfiguração e percebemos toda a importância deste fato. É o coração de Deus, transbordante de amor, que nos revela o coração de Jesus. Na transfiguração, o Pai consagra o seu Filho único, Jesus, como seu único interlocutor, nos dá uma ordem toda particular e ao mesmo tempo firme: “Este é meu filho bem amado, escutai-o!” Saber escutar é um carisma, uma arte que leva a vivenciar, amar e praticar o que se escuta. Parece-me que a escuta não pode parar em nós mesmos, ela deve nos levar, progressivamente, a penetrarmos mais a fundo o mistério de Deus.
Escutar o Filho de Deus
Quatro palavras podem nos ajudar a compreender a dinâmica do conhecimento de Jesus: ESCUTAR, COMPREENDER, AMAR e PRATICAR. Só assim poderemos sair do nosso mundo feito de intimismo, de individualismo e penetrarmos no verdadeiro sentido do escutar o Filho de Deus. Todos nós temos o nosso “tabor”, momentoem que Deus se revela e nos transfigura para podermos compreender a nossa missão e carregar com maior facilidade o mistério da cruz, quando ela nos pesar sobre os frágeis ombros. Para compreender a transfiguração de Jesus e a presença de Moisés e de Elias se faz necessário parar, silenciar o nosso coração e meditar por breves instantes dois grandes acontecimentos da vida de Jesus: a pobreza do nascimento em Belém e a pobreza no calvário quando Ele morre na total desnudez. Entre Belém e o calvário há o tabor que tudo ilumina.
“Tomando consigo Pedro, Tiago e João”
São as testemunhas preferidas de Jesus para transmitir, depois, o que aconteceu no monte. Jesus não esconde nada do que Ele é, mas até que o coração do ser humano não esteja preparado, Cristo se revela em figuras, símbolos, que só aos poucos podemos compreender. Os três serão também testemunhas da ressurreição, no entanto, durante a agonia de Jesus “dormirão”, não terão a capacidade de velar. Coragem e fragilidade se unem no ser humano. Também nós fazemos todos os dias a experiência do não amor a Cristo, revestidos de humanidade e de pecado. “Monte e oração” são duas palavras chaves na leitura do texto de hoje. O monte é lugar de silêncio, de solidão, onde Deus se manifesta. Ele nos chama a subir ao monte para dialogar, para rezar. É urgente redescobrir ao lado das várias formas de oração, “de louvor, de súplica, em línguas”, a oração silenciosa que nos obriga a contemplar sem nada dizer. Não são as palavras que tocam o coração de Deus, mas sim o nosso amor. A oração é respiro, é vida. Da qualidade da nossa oração depende a qualidade de nossa vida cristã, do apostolado, do relacionamento, do trabalho. A oração verdadeira nos “transfigura”, nos dá um rosto novo, luminoso. A qualidade da oração de alguém pode ser comprovada somente na vida de cada dia, no trabalho.. Como o pecado “desfigura” o ser humano, o torna agressivo, violento, assim a oração nos torna pacíficos, calmos e serenos. Deus é amor.
Este é meu Filho amado
O centro da transfiguração é a visão transformante de Cristo e a Palavra de Deus-Pai. Jesus deve ser escutado. São João da Cruz recorda que Jesus é a única palavra do Pai, pronunciada no silêncio e que continua a ser pronunciada em silêncio de amor. O mundo de hoje deve voltar a escutar Jesus. Só assim será feliz. Senhor nosso Deus, dai-nos a graça de escutar Jesus, única palavra de amor, e de sermos transfigurados das nossas “desfigurações” do pecado. Amém!
*Meditação a cura de Frei Patrício Sciadini, ocd, da liturgia diária Pão da Vida, gentilmente cedida pelas Edições Shalom. Maiores informações:www.edicoesshalom.com.br

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Quaresma: tempo de oração intensa, jejum e penitência



Não somente reduzindo os alimentos, mas sobretudo abstendo-se do pecado
Por Vitaliano Mattioli
CRATO, 12 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Dentre todas as solenidades cristãs o primeiro lugar é ocupado pelo mistério pascal. Devemos nos preparar para vivê-lo convenientemente.  É por isso que foi instituida a quaresma, um tempo de quarenta dias  para chegar  dignamente  à celebração do tríduo pascal.
A  quaresma, como pratica obrigatoria,  foi instituída no IV século.  Mas desde sempre os cristãos se preparavam para a Páscoa com uma oração intensa,  jejum e penitência.  O número de quarenta dias tem um significado simbólico-bíblico: quarenta são os dias do dilúvio, da permanência de Moisés no monte Sinai, das tentações de Jesus.
Na verdade, se a quaresma é um tempo privilegiado para o nosso aperfeiçoamento, toda a nossa vida de cristãos deve  ser vivida como esforço para adquirir as virtudes e lutar contra o inimigo, o diabo. Já o apóstolo Pedro exortava os cristãos: “Sede sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, fortes na fé” (I Pd., 5, 8-9a).
Este combate é um combate interior. O papa Leão Magno (440-461) numa sua pregação, disse: “É agora que os nossos corações devem se mover com maior fervor para a perfeição espiritual... Muitos combates acontecem dentro  de nós mesmos, os desejos da carne se opõem aos do espírito, e os do espírito aos da carne... Mas, aquele que está em nós é mais forte do que aquele que está contra nós”. O mesmo Papa, noutra homilía: “A quaresma é tempo de limpar e enfeitar a casa por dentro. Convém que vivamos sempre de modo sábio e santo, dirigindo nossa vontade e nossas ações para aquilo que sabemos agradar a Deus”.
A nossa vida está posta no meio das dificuldades e dos combates; se quisermos ser vencedores, é preciso combater. É por isso que precisa uma oração intensa e contínua.  Uma oração não limitada às praticas de oração, mas entendida como uma vida de profunda intimidade com o Deus Trindade que mora dentro de nós.  Um Autor do IV sec., o Pseudo-Crisóstomo, escreveu: “Não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas tarefas é preciso conservar sempre vivo o desejo e a lembrança de Deus. A oração é a luz da alma, alegra a alma e tranquiliza o coração”.
O jejum  é fundamental para a nossa purificação. Mas o fim não é tanto a abstinência das comidas,  quanto dos vicios. Ainda nos exorta o  papa Leão Magno: “Mortifiquemos um pouco o homem exterior para que o interior seja restaurado; perdendo um pouco do excesso corpóreo, o espírito robustece-se”.  É inútil  o jejum se não se praticam as virtudes. Cuidados para não cair na repreensão de Deus feita pelo profeta  Isaías  (58, 1-10)... Precisa cumprir a prescrição que remonta aos apóstolos, de jejuar quarenta dias; não somente reduzindo os alimentos, mas sobretudo abstendo-se do pecado... O sentido do jejum não reside somente na abstenção dos alimentos. Esta traz proveito se o coração se afasta da iniqûidade e a língua se abstenha da calúnia e se pratica a mansidão e paciência... O jejum tem por objetivo suprimir os desejos corporais e ações desordenadas”.
O bispo São Pedro Crisologo escreveu: “Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrificio santo”.
Mas tudo isso não está completo se não se adianta um terceiro elemento:  a penitência, no sentido de ter misericórdia e compreensão com os outros.  Por isso, São Pedro Crisólogo adianta: “Para que esta oferta seja aceita a Deus, deve acompanhá-la a misericórdia; o jejum só dá frutos se for regado pela misericordia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum”.
Entremos com muita alegria e boa vontade na quaresma de 2013 no dia 13 de fevereiro, mas lembremos que toda a nossa vida deve ter uma  dimensão penitencial

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carta de São João Bosco à juventude



O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens.

 (Zenit.org) -  São João Bosco, nascido no dia 16 de Agosto de 1815 e nascido para a vida eterna no dia 31 de janeiro do ano de 1888. Beatificado por Pio XI no dia 2 de junho de 1929 e canonizado pelo mesmo pontífice no dia 1 de abril de 1934 é conhecido por todos como o educador da juventude. Publicamos a seguir um texto do seu epistolário:
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O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens. A primeira consiste em persuadi-los de que o serviço de Deus exige uma vida triste sem nenhum divertimento nem prazer. Mas isto não é verdade, meus caros jovens. Eu vou lhes indicar um plano de vida cristã que poderá mantê-los alegres e contentes, fazendo-os conhecer ao mesmo tempo quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres, para que vocês possam exclamar com o santo profeta Davi: “Sirvamos ao Senhor na santa alegria”.
A segunda artimanha do demônio consiste em fazê-los conceber uma falsa esperança duma longa vida que permite converter-se na velhice ou na hora da morte. Prestem atenção, meus caros jovens, muitos se deixaram prender por esta mentira. Quem nos garante que chegaremos à velhice? Se se tratasse de fazer um pacto com a morte e de esperar até então... Mas a vida e a morte estão entre as mãos de Deus que dispõe de tudo a seu bel-prazer.
E mesmo se Deus lhes concedesse uma longa vida, escutai, entretanto, sua advertência: “O caminho do homem começa na juventude, ele o segue na velhice até a morte”. Ou seja, se, jovens, começamos uma vida exemplar, seremos exemplares na idade adulta, nossa morte será santa e nos fará entrar na felicidade eterna.
Se, pelo contrário, os vícios começam a nos dominar desde a juventude, é muito provável que eles nos manterão em escravidão toda a nossa vida até a morte, triste prelúdio de uma eternidade terrível.
Para que esta infelicidade não lhes aconteça, eu lhes apresento um método de vida alegre e fácil, mas que lhes bastará para se tornarem a consolação de seus pais, a honra da pátria de vocês, bons cidadãos da terra, em seguida felizes habitantes do céu...
Meus caros jovens, eu os amo de todo o meu coração e basta-me que vocês sejam jovens para que eu os ame extraordinariamente. Eu lhes garanto que vocês encontrarão livros que lhes foram dirigidos por pessoas mais virtuosas e mais sábias que eu em muitos pontos, mas dificilmente vocês poderão encontrar algum que os ame mais que eu em Jesus Cristo e deseja mais a felicidade de vocês.
Conservem no coração o tesouro da virtude, porque possuindo-o, vocês têm tudo, mas se o perderem, vocês se tornarão os homens mais infelizes do mundo. Que o Senhor esteja sempre com vocês e que Ele lhes conceda seguir os simples conselhos presentes, para que vocês possam aumentar a glória de Deus e obter a salvação da alma, fim supremo para o qual fomos criados. Que o Céu lhes dê longos anos de vida feliz e que o santo temor de Deus seja sempre a grande riqueza que os cumule de bens celestes aqui e por toda a eternidade.
Vivam contentes e que o Senhor esteja com vocês. Seu muito afeiçoado em Jesus Cristo.
João Bosco
Sacerdote.

Lançar as redes para águas mais profundas



Meditação da Palavra de Deus - V Domingo do Tempo Comum
Por Frei Patrício Sciadini
ROMA, 08 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Este ano o nosso amigo de caminhada de todos os domingos é o evangelista Lucas. Será ele que, com sua simplicidade e amor a Jesus, vai nos acompanhando com o seu Evangelho na descoberta da beleza de Jesus. Lucas não conheceu Jesus. Ele se converteu e, sendo um bom estudioso, pesquisou e teve como testemunha de primeira mão Nossa Senhora. Deve ter falado muitas vezes com ela a ponto de ser chamado o evangelista da infância de Jesus e de Maria.
Fome e sede da Palavra de Deus
Neste capítulo 5, lemos várias narrativas que nos tocam profundamente e nos fazem refletir. Uma multidão sedenta da palavra de Jesus que se aproxima dele para escutá-lo, e Jesus, na sua criatividade, encontra um púlpito todo especial: um barco. Ele se afasta da praia e ensina a todo o povo que tinha ido procurá-lo. Hoje também o povo continua a ter fome e sede da Palavra de Deus. É necessário que cada um de nós se sinta atraído pela pessoa de Jesus e não pela “fama dos pregadores”. É Cristo quem evangeliza, quem comunica o essencial da sua missão para toda a humanidade, e isto Ele faz em todos os lugares e com todos os meios. Não é suficiente o simples anúncio, é preciso avançar para águas mais profundas da vida, do mistério, do amor, por isso Jesus desafia a mesma incredulidade de Pedro e diz para ele e seus companheiros: “Avancem para águas mais profundas!”
Acreditar na palavra de Jesus
O Papa João Paulo II fez deste texto do Evangelho o lema dos últimos anos do seu pontificado. Apresentou para nós o terceiro milênio como um imenso oceano no qual a Igreja deve saber navegar. Ela não pode permanecer à beira, na praia, é preciso ir além, rumo, quem sabe, ao desconhecido. O mesmo Pedro, diante da proposta de Jesus, sente-se impotente, frágil, temeroso, inseguro. Ele entende de pesca, sabe que de dia não é possível pescar, e que esteve trabalhando a noite toda sem conseguir nada. O desabafo de Pedro é também o nosso desabafo: “Simão disse: ‘Mestre, estivemos trabalhando a noite toda e nada pescamos, mas sob tua palavra lançarei as redes’. Lançadas as redes, apanharam grande quantidade de peixes, tanto que as redes se rompiam.” Diante dos nossos medos devemos ter a coragem de Pedro de sermos humildes e de acreditar na palavra de Jesus. Somente aqueles que creem tocam com a mão a grandeza de Deus, que mostra toda sua bondade. Os apóstolos que durante a noite - período favorável para a pesca - não tinham pegado nada, no tempo que achavam ser desfavorável, pescam uma grande multidão de peixes até as redes ameaçarem se romper. Que quer dizer isso? Que os projetos de Deus não são os nossos, que Ele é o Senhor da história. É suficiente nos deixar conduzir pelo Senhor e toda a nossa vida será diferente. Pedro confessa a sua incredulidade, os seus medos, o seu ser pecador. Na lógica de Deus, nada se pode fazer se somos movidos pelo orgulho, pela autoprojeção, pelos projetos humanos. É só construir nossa base no alicerce da confiança e do abandono nas mãos de Deus.
“Não tenhas medo”

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O TEMPO LITÚRGICO DA QUARESMA



Caros diocesanos. Já vislumbramos a chegada do novo tempo litúrgico da Quaresma. A Igreja inicia o ciclo anual das celebrações litúrgicas no primeiro Domingo do Advento e o conclui na solenidade de Cristo - Rei do Universo. O Ano Litúrgico é a celebração dos principais fatos, acontecimentos da História da nossa Salvação, no espaço de um ano. Em cada celebração litúrgica está presente todo mistério (acontecimento) da salvação, mas em cada dia do Ano Litúrgico destaca-se um determinado aspecto deste mistério, sendo que todos se orientam para o mesmo centro: a PÁSCOA.
Tendo já celebrado o Ciclo natalino e parte do Tempo Comum, começaremos, dentro de poucos dias, a Quaresma. Este tempo litúrgico dá início ao longo Ciclo da Páscoa o qual inicia com a quaresma, é seguido pela sua celebração central: o Tríduo pascal da Semana santa; e prolonga-se nos cinqüenta dias de Tempo pascal; sendo concluído na solenidade de Pentecostes.
O tempo litúrgico da quaresma foi introduzido, já no IV século da era cristã, para preparar bem a celebração da Páscoa. Nos primórdios do cristianismo, o batismo era celebrado, na maioria das Igrejas, somente na noite de Páscoa, para mostrar como este sacramento está ligado à morte e ressurreição de Jesus Cristo (Rm 6, 3-4). Se, inicialmente, a Quaresma era um tempo de preparação ao batismo, aos poucos, tornou-se ocasião para todos os cristãos retomarem o que prometeram por ocasião da celebração deste sacramento. Muito cedo, atribuiu-se a este tempo uma conotação penitencial, através da prática do jejum, da esmola e da oração, como ainda fazemos hoje, inspirados no capítulo 6 do Evangelho de Mateus (Mt 6, 1-18).
A quaresma é tempo de penitência, de conversão de vida. É tempo de voltarmos para o estado original, como Deus nos quer, a partir do batismo. A conversão consiste em mudar o modo de ser, de viver, de agir, de relacionar-se. Uma vida segundo o Evangelho. Por isso, no rito da Quarta-Feira de Cinzas, no momento da imposição, o Ministro diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. O centro do Evangelho é o mandamento do amor, ensinado por Jesus Cristo, em palavra e testemunho vivo, ao dar sua vida por nós.
Como brasileiros, desde 1964, estamos acostumados a viver a Campanha da Fraternidade, neste tempo da Quaresma. É a forma original, brasileira, de viver o mandamento da caridade, do amor ao próximo, concretamente. Nós queremos fazer a campanha de sermos mais irmãos, ou seja, uma campanha de fraternidade. É a retomada de consciência do que aconteceu no batismo: tornamo-nos irmãos e irmãs, em Jesus Cristo, filhos e filhas do mesmo Pai. Na Campanha da Fraternidade, em todos os anos, a Igreja do Brasil nos aponta para um dos aspectos concretos da nossa relação fraterna. Em 2013, o tema central é: Fraternidade e Juventude. Nesse contexto é feita também, em todas as comunidades, uma coleta para ajudar os irmãos e irmãs mais necessitados, cuja vida é mais ameaçada do que a nossa. Queremos ajudá-los, ao menos um pouco, para que tenham vida mais digna. Esta coleta, feita no Domingo que antecede a Páscoa, é chamada de Coleta Nacional da Solidariedade.
Finalmente, lembramos que o carnaval é a festa de despedida, antes de iniciar este tempo de penitência e de conversão. O cristão saberá respeitar a espiritualidade da Quaresma, do começo até o fim, e não viverá indiferente à proposta de sua Igreja, que convida a preparar-se dignamente para a solenidade máxima da vida cristã: a PÁSCOA.
Dom Aloísio A. Dilli - Bispo de Uruguaiana
 



A cruz de Jesus é a nova "árvore da vida"

Bento XVI reflete sobre a natureza da criação de Deus

ROMA, 06 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Deus, como "Pai na criação", foi o tema da catequese do papa Bento XVI na audiência geral desta manhã. O credo, disse o Santo Padre, nos recorda em primeiro lugar a Sagrada Escritura (cf. Gn 1,1). Deus é, portanto, "a origem de todas as coisas e é na beleza da criação que se revela a sua onipotência de pai que ama".
"Como pai bom e poderoso, ele toma conta do que criou com amor e lealdade que nunca falham", continuou o papa.
Conforme apontado por São Paulo (cf. Hb 11,3), tendo sido o mundo criado por Deus, é a partir do invisível que toma forma o que é visível, e, assim, a fé significa "ser capaz de reconhecer o invisível mediante as suas marcas no mundo visível".
A inteligência humana pode encontrar na bíblia, à luz da fé, “a chave de interpretação para compreender o mundo”. Os primeiros seis dias da obra da criação divina do mundo são todos finalizados pela afirmação "Deus viu que isso era bom" (Gn 1,4.10.12.18.21.25).
No sétimo dia, dedicado à criação do homem, a afirmação do autor bíblico é reforçada: "Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom" (Gn 1,31).
"Tudo o que Deus cria é bom e belo, cheio de sabedoria e de amor. A ação criadora de Deus traz ordem, harmonia e beleza", ressaltou o papa.
Qual é o sentido, porém, "na era da ciência e da tecnologia, de ainda falarmos da criação?", questionou Bento XVI. "A bíblia não pretende ser um manual de ciências naturais; sua intenção é ajudar a entender a verdade genuína e profunda das coisas", respondeu.
Do Gênesis, portanto, aprendemos que "o mundo não é um conjunto de forças contrastantes, mas que a sua origem e estabilidade estão no Logos, na razão eterna de Deus, que continua a sustentar o universo".
Acreditar que o agir racional de Deus está na base da criação "ilumina cada aspecto da vida e nos dá a coragem de enfrentar com confiança e esperança a aventura da vida", acrescentou o papa.
O ser humano, por sua vez, na sua pequenez e limitação, é "capaz de conhecer e amar seu Criador" (constituição pastoral Gaudium et Spes, 12). A fragilidade humana, disse o papa, convive com "a magnitude do que o eterno amor de Deus quis para nós".
O Gênesis diz que o homem foi criado por Deus do "pó da terra" (cf. Gn 2,7), que torna todos iguais, sem distinções culturais nem sociais. O homem, portanto, não é deus, nem foi criado por si mesmo, mas tem originem "da terra boa, por obra de um Criador bom".
Todo homem é criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 2,7), de quem carregamos o "sopro de vida". "Esta é a razão mais profunda da inviolabilidade da dignidade humana perante qualquer tentação de avaliar a pessoa de acordo com critérios utilitários e de poder", reforçou Bento XVI.
Do Gênesis, prosseguiu ele, emergem duas imagens significativas. A primeira é "a árvore do conhecimento do bem e do mal" (cf. Gn 2,15), ponto de referência em Deus por parte do homem, que deve "reconhecer o mundo não como propriedade a ser saqueada e explorada, mas como um dom do Criador".
E há também a imagem da serpente demoníaca (cf. Gn 2,8-15), que insinua ao homem "a desconfiança de que a aliança com Deus seja como uma corrente que o prende, que o priva da liberdade e das melhores coisas da vida". Daí a origem de todas as tentações: da pretensão de "construir o próprio mundo, de não aceitar as limitações da criatura, os limites do bem e do mal, da moralidade".
Se o homem "perverte a relação com Deus com a mentira, colocando-se no seu lugar, todas as outras relações acabam alteradas" e o outro "se torna um rival, uma ameaça", a ponto de "a inveja e o ódio pelo outro entrarem no coração do homem" e Caim chegar a matar o próprio irmão Abel (Gn 4,39).
Caindo no pecado original, o homem se rebela não apenas contra Deus, mas "contra si mesmo", originando assim "todos os pecados da história". O primeiro pecado é a destruição da "relação com Deus", que, juntamente com as relações humanas, é o ponto de partida para o homem ser ele mesmo.
O homem não pode "redimir-se sozinho". Só Deus pode restaurar as "relações corretas". Se Adão tinha a pretensão de tomar o lugar de Deus, Jesus Cristo reconstrói o "relacionamento filial perfeito com o pai", rebaixando-se, tornando-se "servo" e percorrendo "o caminho do amor, humilhando-se até a morte de cruz"; a mesmo cruz que, assim, se torna "a nova árvore da vida".
Viver de fé, concluiu Bento XVI, significa, portanto, "reconhecer a grandeza de Deus e aceitar a nossa pequenez, a nossa condição de criaturas, deixando que Nosso Senhor a preencha com o Seu amor".

O oitavo dos Dez Mandamentos da Lei de Deus (parte I)

Esse mandamento proíbe mentir e falsear a verdade
Por Pe. Reginaldo Manzotti
CURITIBA, 06 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - O oitavo mandamento da Lei de Deus nos remete ao que está escrito no Antigo Testamento: “Não levantarás falso testemunho contra teu próximo” (Ex 20, 16). E nos faz lembrar também o que Jesus nos diz em Mateus: “Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos” (Mt 5, 33).
Esse mandamento proíbe mentir e falsear a verdade. Essa proibição moral decorre da vocação que todo o cristão deve ter como testemunho de Deus, que é a verdade. E as ofensas a este mandamento se exprimem por palavras, atos ou omissão.
O ser humano tende, naturalmente, à verdade e essa é a sua base. A essência do ser humano é boa, e tende para o bem. Isso é explicado no Evangelho de Mateus, quando Jesus nos ensina: “Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno” (Mt 5, 37).
Assim, nos surge a dúvida: existe mentira branca? Ou seja, a mentira que não prejudica ninguém? Eu digo que não! Não existe mentira branca, porque isso é falsear a verdade. “Dizer sim quando é sim; não quando é não”.
Porém, lembremos que ninguém é obrigado a revelar a verdade para quem não tem o direito de conhecê-la. Portanto, não temos a obrigação de dizer a verdade para todo mundo, mas o dever de não mentir. Então, diante de uma pessoa que não tem nada a ver com o assunto, podemos dizer “não, eu não vou contar”.
As pessoas não podem viver em sociedade se não tiverem confiança recíproca, se a verdade não for algo comum. Essa virtude desenvolve a confiança. Por isso, a veracidade do que se fala é importantíssimo, implica em verdade e discrição.
O discípulo de Cristo deve aceitar viver na verdade e isso é fundamental. Como nos diz São João: “Se dizemos ter comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade” (1Jo 1, 6).
Outra passagem foi quando Pilatos, diante de Jesus Cristo, lavou as mãos. Esse ato de lavar as mãos é mentira, uma mentira branca, pois ele não se comprometeu. Ele sabia a verdade, mas teve medo. Claro que o próprio Nosso Senhor disse “a maior culpa está em quem me entregou”. Mas ele foi conivente.
No Evangelho de João, Jesus diz: “Eu vim para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). O cristão não pode se envergonhar de dar testemunho do Senhor, quando é necessário dar a declaração de fé; quando tem que falar a verdade, pois ela deve ser dita sempre (2 Tm 1, 8). Se somos discípulos, temos que nos configurar a Jesus, pois Ele é a verdade.
Devemos ser livres da mentira, como nos diz São Paulo, na Carta aos Efésios: “Renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros. (Ef 4, 25).”
O pai da mentira é o diabo. Foi Jesus quem disse: Vós tendes como pai o diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Quando alguém profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso. O diabo é o pai da mentira. (Jo 8, 44).
Mas o texto de Pedro é mais ilustrativo e nos mostra que a mentira não pode ter espaço, porque como diz São Pedro: “Toda a mentira, toda a forma de hipocrisia, inveja e maledicência deve ser rejeitada por um discípulo de Jesus” (1Pd 2, 1). Por enquanto, encerramos por aqui e na continuação deste artigo, falaremos sobre as ofensas à verdade.
Padre Reginaldo Manzotti é coordenador da Associação Evangelizar é Preciso – obra que objetiva a evangelização pelos meios de comunicação – e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR). Apresenta diariamente programas de rádio e TV que são retransmitidos e exibidos por milhares de emissoras do país e exterior. Site: www.padrereginaldomanzotti.org.br.
Para ler as catequeses anteriores:
Primeira catequese: http://www.zenit.org/article-30044?l=portuguese

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A falta (carência) de fé: uma nova causa de nulidade de casamento?

O santo padre discorreu sobre um tema sacramental importantíssimo, diretamente relacionado à higidez do matrimônio
Por Edson Sampel
SãO PAULO, 04 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - No dia 26 de janeiro de 2013, em discurso proferido aos auditores (juízes) da Rota Romana, o santo padre discorreu sobre um tema sacramental importantíssimo, diretamente relacionado à higidez do matrimônio. No Ano da Fé, sua santidade demonstrou que certa carência (“carenza”) ou falta da virtude teologal da fé pode implicar a nulidade do casamento.
Bento XVI reitera a doutrina de que para a validade do matrimônio, não se requer a fé pessoal dos nubentes, mas a intenção de fazer o que faz a Igreja, condição, aliás, sine qua non para a validade de qualquer sacramento. Nada obstante, frisa o papa, não é possível separar totalmente a “intenção” da “fé pessoal”.  Assim, na hipótese de não existir num dos nubentes, ou em ambos, vestígio algum de fé, nem tampouco desejo da graça sacramental, é bastante provável estarmos em face de um matrimônio nulo.
Sob o influxo do subjetivismo e do hedonismo contemporâneos, percebe-se quão relevante é o papel da fé dos consortes, a fim de que o relacionamento nupcial não se depaupere ou até mesmo se dissolva. Eis as palavras do sucessor de são Pedro na abertura do ano judiciário: “A fé em Deus, sustentada pela graça divina, é um elemento muito importante para se viver a entrega mútua e a fidelidade conjugal.” O vigário de Cristo não duvida de que o simples “matrimônio natural” possa conter as propriedades de um autêntico conúbio cristão, no entanto, “cerrar-se a Deus”, explica Bento XVI, “ou rechaçar a dimensão sagrada da união conjugal e do seu valor na ordem da graça tornam árdua a vivência concreta do altíssimo modelo de matrimônio concebido pela Igreja segundo o plano de Deus, podendo chegar a minar a validez do pacto no caso em que (...) se traduza num rechaço da própria obrigação conjugal de fidelidade e dos outros elementos ou propriedades essenciais do matrimônio.”
Ao se referir ao “bonum coniugum”, isto é, ao “bem dos cônjuges”, o santo padre enfatiza a atuação decisiva da fé teologal dos nubentes: “Na verdade, no propósito de os esposos cristãos viverem uma comunhão conjugal (“communio coniugalis”) autêntica, há um dinamismo próprio da fé, de modo que a resposta pessoal e sincera ao anúncio salvífico envolve o crente no movimento do amor de Deus.”
A lapidar locução do sumo pontífice, ora comentada, decerto deflagrará o aprofundamento da matéria nos casos concretos; mister cometido aos tribunais eclesiásticos, máxime à própria Rota Romana.  Com efeito, arremata o papa: “(...) pode haver casos em que precisamente pela ausência da fé, o bem dos cônjuges resulte comprometido e excluído do consentimento.”
No fim de seu discurso, o santo padre lança uma gravíssima advertência, que há de ser religiosamente acolhida por todas as cortes canônicas: “Com as presentes considerações, não pretendo certamente sugerir nenhum automatismo fácil entre a carência da fé e a invalidade da união matrimonial, mas evidenciar que tal carência pode, se bem que não necessariamente, ferir os bens do matrimônio (...).” 
Em suma, observa-se que Bento XVI não criou “ex nihil” uma nova causa de nulidade ligada ao consentimento. Nem poderia fazê-lo, vez que o assunto é regido pelo direito divino positivo. O papa simplesmente realçou uma nuança que estava um tanto quanto obnubilada. Encontrou o momento pastoral propício no corrente Ano da Fé.
Edson Luiz Sampel é Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano, professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT) e membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp).   

domingo, 3 de fevereiro de 2013

JOVENS.COM EM RITMO DE FÉRIAS

Os JOVENS.COM da comunidade Santa Rita mesmo em periodo de férias estão se reunindo para a leitura conjunta do YOUCAT.








sábado, 2 de fevereiro de 2013

Pela vida

A tragédia numa boate de Santa Maria, que matou e feriu tantos jovens, instiga o coração de todos.
Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo
BELO HORIZONTE, 01 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - A tragédia numa boate de Santa Maria, que matou e feriu tantos jovens, instiga o coração de todos. De modo especial, desenha um horizonte que a sociedade contemporânea precisa considerar. A vida não pode ser vivida e tratada simplesmente como lógica de ganho de coisas. A vida é mais. Não basta simplesmente conferir, por força legal e dever profissional, a validade de alvarás de funcionamento. A tragédia aponta para irresponsabilidades nos procedimentos de profissionais e de proprietários com aquilo que está posto a serviço de todos.
Na verdade, o funcionamento social reclama de governantes, de profissionais e de cidadãos comuns um tratamento mais adequado de tudo e de cada coisa, especialmente daquilo que é público. Essa é uma questão que deve encontrar raízes na cultura, ancorada por legislações, normas e procedimentos. Também, e acima de tudo, relaciona-se à formação da consciência de que é fundamental o respeito irrestrito à vida de cada pessoa. Sem esse sentido norteador, os atrasos em obras públicas continuarão. E o manejo do dinheiro público não vai se livrar dos interesses espúrios, da ganância dos que precisam levar sempre mais vantagem sobre o que é bem de todos. A consequência será a vida posta em risco.
As mortes nas estradas, por exemplo, que não são duplicadas ou sofrem com a falta de manutenção, atingem números de guerra. De fato, um verdadeiro descaso quando a inteligência acomoda-se na mediocridade e não se consegue sair das burocracias que obstruem os processos. Quem tem o poder de decisão, de corresponder à demanda em favor da vida de todos, não enfrenta os desafios diários de transitar em estradas que não atendem mais, de se deslocar em transportes que usurpam horas do descanso e do convívio familiar de tantos.
Descasos de cá e de lá, interesses financeiros gananciosos e a venenosa visão egoísta da vida, segundo o princípio de que conta é tão somente o bem e o conforto próprios, vão alastrando uma cultura que valida prestação de serviços de segunda classe, morosidades, usufrutos indevidos ou indiferença diante dos outros, especialmente dos que precisam mais. O resultado é desastroso para uma sociedade que tem a oportunidade de alçar um patamar de maior qualidade de vida para todos, mas que ainda padece com atrasos. E o prejuízo maior e mais sofrido será sempre dos mais pobres, dos indefesos e inocentes.
A tragédia de Santa Maria é um clarão espantoso, que deve brilhar como um relâmpago para inquietar mentes, corações e consciências, transmitindo o sentido e alcance da responsabilidade cidadã de cada um. Não basta o alívio de quem não teve um jovem próximo e amado envolvido nesta tragédia. Não basta pensar que o ocorrido foi longe da própria cidade e da própria casa. Os riscos em potencial, por irresponsabilidades, morosidades e interesses gananciosos, alcançam todos, nos mais diversos lugares.
Onipotência para controlar tudo, tudo prever e evitar, ninguém tem. O que todos precisam ter é a responsabilidade profissional, governamental e cidadã de construir uma cultura pela vida. Trata-se de uma postura pessoal contracenando, obviamente, com os funcionamentos das cidades, bairros, vilas, condomínios, ambientes públicos e da própria casa. Uma postura pessoal que fará diferença, sempre. A cultura, os governos, os cidadãos, os profissionais, todos são desafiados a compreender que o progresso e o desenvolvimento integral não são alcançados quando se desconsidera o valor da vida.
Dom de Deus, a vida há de ser respeitada em todas as suas etapas, da fecundação à morte com o declínio natural. Qualquer relativização abre as portas para permissividades, irresponsabilidades e descasos. Tarefa fundamental para que cada um reconheça a vida, de todos, como dom, é cultivar a espiritualidade - pela oração, silêncio, meditação, diálogo com Deus, vivência comunitária e comprometimento social. Esse caminho é fonte de saúde, de sensibilidade ética e moral, do gosto pela promoção e defesa da vida de todos. Sem espiritualidade, atrasaremos processos e não avançaremos no compromisso pela vida.