sábado, 29 de setembro de 2012

Investir na juventude

Reflexões de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte
BELO HORIZONTE, quinta-feira, 27 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - A constatação óbvia de que o investimento nas novas gerações modifica cenários do presente e prepara o futuro aponta para uma necessidade urgente: é preciso investir nos jovens. A Jornada Mundial da Juventude, que acontece de 22 a 28 de julho de 2013 no Rio de Janeiro, é uma oportunidade singular para que toda a sociedade exercite essa convicção e adote como prioridade o desafio de investir na juventude.
Nos próximos anos, o Brasil recebe eventos de grande importância cultural, esportiva, econômica e política. Em 2014, será realizada a Copa do Mundo e, em 2016, os Jogos Olímpicos. Estes eventos estão mobilizando governos e os mais diversos segmentos da sociedade. As exigências no âmbito da infraestrutura poderão deixar um legado interessante para a sociedade brasileira. Esses avanços requeridos podem resultar - é o que se espera, sobretudo quando se observa a situação econômica do Brasil no contexto mundial – na superação de carências que amargam a vida de tantos e de muitos modos. Particularmente, há de se pensar nas urgências e necessidades dos mais pobres e dos que são de modo tão desumano sacrificados por exclusões brutais.
O Brasil não pode perder essa oportunidade para crescimentos e conquistas cidadãs. Nesse sentido, também é importante incluir, em lugar especial e com interesse particular, na agenda de grandes acontecimentos, a Jornada Mundial da Juventude(JMJ). A importância desse evento é incontestável quando se considera, por exemplo, a magnitude da congregação de dois a três milhões de jovens, procedentes do mundo inteiro, na Cidade Maravilhosa, para uma semana de eventos, confraternização, espiritualidade e partilha. A juventude, razão de compromisso, prioridade de opção e força determinante nos rumos da sociedade, no presente e no futuro, é um tesouro que precisa de investimentos volumosos e determinantes.
Nesse sentido a imprensa é muito importante. Com sua força própria, seu papel educativo e até regulador da sociedade, a imprensa precisa se juntar aos governos e todos os segmentos para apoiar efetivamente a Jornada Mundial da Juventude. A Igreja Católica do Brasil inteiro está em profunda sintonia com a Arquidiocese do Rio de Janeiro, anfitriã do evento. Ali se  culminará um caminho missionário de forte mobilização da juventude, iniciado em setembro do ano passado,em São Paulo, com a peregrinação da Cruz da JMJ. Eventos, experiências e conquistas maravilhosas estão acontecendo pelo Brasil afora e, antes da Jornada Mundial da Juventude, haverá um momento especial de preparação em todo o país, em cada diocese: a Semana Missionária.
A Arquidiocese de Belo Horizonte já se mobiliza para a realização deste evento, que deve reunir na capital mineira mais de 25 mil peregrinos do mundo inteiro. Todos os jovens de nossas comunidades de fé, suas famílias, já estão convidados a participar, especialmente com a oferta de suas casas para acolher peregrinos. Também será realizado em Belo Horizonte o Congresso Mundial de Universidades Católicas, que deverá reunir cinco mil participantes, entre universitários, professores e reitores. No coração desse evento, acontecerá a Feira Minas Sempre, valorizando e promovendo a cultura, gastronomia, patrimônio imaterial, religiosidade e tradições do povo mineiro.
A opção preferencial pelos jovens na Igreja Católica é uma exigência para alcançar a meta de uma Igreja dos jovens e com os jovens, e destes na Igreja, desenhando com os valores do Evangelho um caminho seguro e de formação integral para a juventude. É hora de dar voz aos jovens, aos eventos e projetos que os envolvem. Torna-se inadiável um coro de Igrejas, governos, escolas e segmentos todos da sociedade para garantir e efetivar o compromisso de investir na juventude. As novas gerações representam um enorme potencial para o presente e o futuro da sociedade. A Igreja tem a tarefa de propor aos jovens o encontro com Jesus Cristo, alicerçando caminhos e desenhando horizontes para que eles estejam presentes em todos os espaços: na esfera política, na produção da cultura, na superação de reducionismos antropológicos, na reversão do quadro horrendo da dependência química, na conquista da educação e de oportunidades, na construção cidadã da sociedade. Apoiar a Jornada Mundial da Juventude é investir nos jovens. Não podemos perder esta oportunidade para abrir uma nova etapa da história.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

O leigo é o coração da Igreja no meio do mundo

Entrevista com Dom Raymundo Damasceno de Assis, presidente da CNBB
Por Thácio Siqueira
BRASILIA, sexta-feira, 28 de setembro de 2012 (ZENIT.org) – O mês de Outubro de 2012 será caracterizado por eventos importantes dentro da Igreja. No dia 11 será a abertura do Ano da Fé convocado pelo Papa Bento XVI com a carta apostólica Porta Fidei; do 7 ao 28 de Outubro acontecerá o Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização; além de outras importantes celebrações.
Seguindo essa temática publicamos para os nossos leitores uma entrevista que o Cardeal Dom Raymundo Damasceno de Assis, presidente da Conferência Nacional dos Bispos  do Brasil, concedeu a ZENIT.
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 ZENIT: Como está a abertura do Ano da Fé?
CARD. DAMASCENO: Para a abertura do Ano da Fé no dia 11 de Outubro em Roma, eu estarei presente concelebrando com o Santo Padre. Fui convidado junto com os demais presidentes das Conferências episcopais de todo mundo. Coincide com a celebração de outros três eventos: os 50 anos do início do Vaticano II, os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica, e a realização da 13ª Assembleia ordinária do Sínodo dos bispos que tem como tema a nova evangelização para a transmissão da fé.
A Igreja no Brasil vai abrir o ano da fé, como Conferência, oficialmente, em Aparecida, dia 12 de Outubro que é a festa da Padroeira do Brasil. Vai representar a Presidência da CNBB o Cardeal Claudio Hummes, que vai presidir a missa principal em Aparecida, porque nós, a presidência da CNBB, estaremos em Roma.
E a Comissão para a Doutrina da CNBB tem preparado uma série de eventos e também tem tomado uma série de iniciativas que vão sendo realizadas ao longo do ano da fé, e também dos 4 anos de celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II. Dentre elas eu destacaria que já foi realizado um grande seminário, um grande Congresso sobre o Catecismo da Igreja Católica, realizado em Curitiba, agora no mês de Setembro, com a presença do Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, com a participação de mais de 200 pessoas, na Pontifícia Universidade Paranaense dos Maristas. Depois deverá publicar alguns subsídios para ajudar os nossos fieis a aprofundar a sua fé e dar razão também da sua fé.
E estaremos presentes no Sínodo também, com nossos delegados eleitos pela assembleia. De modo que, o Ano da Fé, no dizer do Papa, visa justamente isso: redescobrir a importância da nossa fé em Jesus Cristo. E também fazer dessa fé, uma fé não só professada, mas também vivida no dia a dia.
ZENIT: E nesse cenário de Nova Evangelização, qual é o papel dos Leigos na Igreja aqui no Brasil?
CARD. DAMASCENO: Acho que o Leigo tem um papel fundamental na Nova Evangelização. Primeiro porque é a maior parte da Igreja. A Igreja é o Povo de Deus. Nós sabemos que no meio desse Povo estão os Ministros Ordenados (o Papa, os bispos, sacerdotes,diáconos), há também os religiosos e religiosas... Mas, a grande parte desse Povo de Deus é formada de leigos, de cristãos batizados, crismados... de modo que, a missão também de evangelizar é direito e dever do leigo, em virtude do seu batismo.
 Deve trabalhar, é claro, em comunhão com os Pastores da sua Igreja local, o sacerdote da sua paróquia, mas ele não precisa de licença para exercer a sua missão evangelizadora. É um direito e um dever, decorrente do seu batismo. É claro que ele deve exercer esse seu serviço, a evangelização, sempre em comunhão com a Igreja, com o Pastor local, com o sacerdote... porque a comunhão na Igreja fortalece a missão, e a missão também é para a comunhão. De modo que o leigo não deve e não pode jamais ser excluido desse seu direito e desse seu dever de evangelizar, como membro da Igreja, como Igreja que ele é.
E por isso a importância da formação do leigo, formação de discípulos, e de discípulos missionários como lembra o documento de Aparecida. E um grande desafio para a Igreja na América Latina, e no Brasil, é claro, é a formação do nosso laicado, formação dos verdadeiros discípulos missionários no nosso Continente. E a Igreja está trabalhando. Há uma série de iniciativas de âmbito paroquial, diocesano, nacional, nesse sentido de formar os nossos leigos para que eles possam participar dessa missão de uma maneira mais efetiva; e também porque o leigo é o coração da Igreja no meio do mundo, onde ele, como profissional, como esposo, como pai, é chamado a ser evangelizador, educador da fé, trasmissor da fé, pelo anúncio, pela catequese, mas também pelo seu testemunho de vida.
Isso é fundamental. Sem isso nós não conseguimos realizar esse projeto da Nova Evangelização que é de alimentar nossas comunidades com a Palavra, com os Sacramentos, com a Vida Comunitária, mas também de alcançar, de atingir, aqueles que conhecem pouco Jesus Cristo ou que não o conhecem ou se sentem afastados das nossas comunidades. Então, aí, o leigo é fundamental. E a célula básica onde se dá esse primeiro testemunho de fé e de educação da fé é a família, sem dúvida nenhuma.
ZENIT: Qual é a experiência da Igreja no Brasil referente à Evangelização pelos Meios de Comunicação?
CARD. DAMASCENO: A Igreja no Brasil é pioneira em relação ao uso dos meios modernos de Comunicação. O Rádio, é claro, mais antigo; e a Televisão hoje, a Internet, com seus vários caminhos: Youtube, blogs, redes sociais, etc. Eu acho que a Igreja no Brasil está avançando nesse campo. E isso está contribuindo para a Evangelização sem dúvida nenhuma. Eu creio que é uma contribuição também que os padres sinodais, eleitos pela nossa Conferência, ou nomeados pelo Santo Padre, poderão dar na Assembleia do Sínodo Próximo em Roma.
ZENIT: Nesse contexto qual é a sua opinião sobre o trabalho de ZENIT?