sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carta de São João Bosco à juventude



O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens.

 (Zenit.org) -  São João Bosco, nascido no dia 16 de Agosto de 1815 e nascido para a vida eterna no dia 31 de janeiro do ano de 1888. Beatificado por Pio XI no dia 2 de junho de 1929 e canonizado pelo mesmo pontífice no dia 1 de abril de 1934 é conhecido por todos como o educador da juventude. Publicamos a seguir um texto do seu epistolário:
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O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens. A primeira consiste em persuadi-los de que o serviço de Deus exige uma vida triste sem nenhum divertimento nem prazer. Mas isto não é verdade, meus caros jovens. Eu vou lhes indicar um plano de vida cristã que poderá mantê-los alegres e contentes, fazendo-os conhecer ao mesmo tempo quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres, para que vocês possam exclamar com o santo profeta Davi: “Sirvamos ao Senhor na santa alegria”.
A segunda artimanha do demônio consiste em fazê-los conceber uma falsa esperança duma longa vida que permite converter-se na velhice ou na hora da morte. Prestem atenção, meus caros jovens, muitos se deixaram prender por esta mentira. Quem nos garante que chegaremos à velhice? Se se tratasse de fazer um pacto com a morte e de esperar até então... Mas a vida e a morte estão entre as mãos de Deus que dispõe de tudo a seu bel-prazer.
E mesmo se Deus lhes concedesse uma longa vida, escutai, entretanto, sua advertência: “O caminho do homem começa na juventude, ele o segue na velhice até a morte”. Ou seja, se, jovens, começamos uma vida exemplar, seremos exemplares na idade adulta, nossa morte será santa e nos fará entrar na felicidade eterna.
Se, pelo contrário, os vícios começam a nos dominar desde a juventude, é muito provável que eles nos manterão em escravidão toda a nossa vida até a morte, triste prelúdio de uma eternidade terrível.
Para que esta infelicidade não lhes aconteça, eu lhes apresento um método de vida alegre e fácil, mas que lhes bastará para se tornarem a consolação de seus pais, a honra da pátria de vocês, bons cidadãos da terra, em seguida felizes habitantes do céu...
Meus caros jovens, eu os amo de todo o meu coração e basta-me que vocês sejam jovens para que eu os ame extraordinariamente. Eu lhes garanto que vocês encontrarão livros que lhes foram dirigidos por pessoas mais virtuosas e mais sábias que eu em muitos pontos, mas dificilmente vocês poderão encontrar algum que os ame mais que eu em Jesus Cristo e deseja mais a felicidade de vocês.
Conservem no coração o tesouro da virtude, porque possuindo-o, vocês têm tudo, mas se o perderem, vocês se tornarão os homens mais infelizes do mundo. Que o Senhor esteja sempre com vocês e que Ele lhes conceda seguir os simples conselhos presentes, para que vocês possam aumentar a glória de Deus e obter a salvação da alma, fim supremo para o qual fomos criados. Que o Céu lhes dê longos anos de vida feliz e que o santo temor de Deus seja sempre a grande riqueza que os cumule de bens celestes aqui e por toda a eternidade.
Vivam contentes e que o Senhor esteja com vocês. Seu muito afeiçoado em Jesus Cristo.
João Bosco
Sacerdote.

Lançar as redes para águas mais profundas



Meditação da Palavra de Deus - V Domingo do Tempo Comum
Por Frei Patrício Sciadini
ROMA, 08 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Este ano o nosso amigo de caminhada de todos os domingos é o evangelista Lucas. Será ele que, com sua simplicidade e amor a Jesus, vai nos acompanhando com o seu Evangelho na descoberta da beleza de Jesus. Lucas não conheceu Jesus. Ele se converteu e, sendo um bom estudioso, pesquisou e teve como testemunha de primeira mão Nossa Senhora. Deve ter falado muitas vezes com ela a ponto de ser chamado o evangelista da infância de Jesus e de Maria.
Fome e sede da Palavra de Deus
Neste capítulo 5, lemos várias narrativas que nos tocam profundamente e nos fazem refletir. Uma multidão sedenta da palavra de Jesus que se aproxima dele para escutá-lo, e Jesus, na sua criatividade, encontra um púlpito todo especial: um barco. Ele se afasta da praia e ensina a todo o povo que tinha ido procurá-lo. Hoje também o povo continua a ter fome e sede da Palavra de Deus. É necessário que cada um de nós se sinta atraído pela pessoa de Jesus e não pela “fama dos pregadores”. É Cristo quem evangeliza, quem comunica o essencial da sua missão para toda a humanidade, e isto Ele faz em todos os lugares e com todos os meios. Não é suficiente o simples anúncio, é preciso avançar para águas mais profundas da vida, do mistério, do amor, por isso Jesus desafia a mesma incredulidade de Pedro e diz para ele e seus companheiros: “Avancem para águas mais profundas!”
Acreditar na palavra de Jesus
O Papa João Paulo II fez deste texto do Evangelho o lema dos últimos anos do seu pontificado. Apresentou para nós o terceiro milênio como um imenso oceano no qual a Igreja deve saber navegar. Ela não pode permanecer à beira, na praia, é preciso ir além, rumo, quem sabe, ao desconhecido. O mesmo Pedro, diante da proposta de Jesus, sente-se impotente, frágil, temeroso, inseguro. Ele entende de pesca, sabe que de dia não é possível pescar, e que esteve trabalhando a noite toda sem conseguir nada. O desabafo de Pedro é também o nosso desabafo: “Simão disse: ‘Mestre, estivemos trabalhando a noite toda e nada pescamos, mas sob tua palavra lançarei as redes’. Lançadas as redes, apanharam grande quantidade de peixes, tanto que as redes se rompiam.” Diante dos nossos medos devemos ter a coragem de Pedro de sermos humildes e de acreditar na palavra de Jesus. Somente aqueles que creem tocam com a mão a grandeza de Deus, que mostra toda sua bondade. Os apóstolos que durante a noite - período favorável para a pesca - não tinham pegado nada, no tempo que achavam ser desfavorável, pescam uma grande multidão de peixes até as redes ameaçarem se romper. Que quer dizer isso? Que os projetos de Deus não são os nossos, que Ele é o Senhor da história. É suficiente nos deixar conduzir pelo Senhor e toda a nossa vida será diferente. Pedro confessa a sua incredulidade, os seus medos, o seu ser pecador. Na lógica de Deus, nada se pode fazer se somos movidos pelo orgulho, pela autoprojeção, pelos projetos humanos. É só construir nossa base no alicerce da confiança e do abandono nas mãos de Deus.
“Não tenhas medo”