terça-feira, 2 de outubro de 2012

TESTEMUNHO MISSIONÁRIO

Caros diocesanos.
Todos somos discípulos missionários/as; cada um no seu estado de vida, como recorda o tema do Ano Pastoral de 2012, em nossa diocese. Mas há também a missão Ad Gentes, em terras mais distantes, para onde vão missionários/as em experiência mais radical. Assim fez Pe João Carlos A. da Silveira (Fidei Donum),
em Moçambique. Como em outros anos, deixemos que ele dê seu testemunho:“Ele lhes disse de novo: ‘A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio’. Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,21-22).A Liturgia de nossa Igreja, a cada ano, nos convida a celebrarmos Pentecostes (em macua, Pentekósiti). A Festa litúrgica do Espírito Santo. Com Ela, encerramos o período da Páscoa. Muita luz e alegria pela presença do Cristo Ressuscitado nas celebrações em nossas comunidades. O Pentecostes é, também, a Festa da manifestação da Igreja; demonstração de seu dinamismo e vigor. Nesse sentido, aqui na Missão, temos belos exemplos eclesiais de não acomodação na Fé.O tempo Pascal para nós, Igreja em Moçambique, possui uma marca sacramental muito forte. Faz lembrar os primórdios de nossa Fé Cristã, quando os catecúmenos, após longa preparação e aprovações nos escrutínios, eram batizados na Páscoa. Aqui também: para o Batismo, a Eucaristia e o Matrimônio (entre nós, administrados somente durante o Tempo Pascal) se exigem anos de catequese, participação regular das celebrações, o aval do catequista e a aceitação da comunidade na qual o catecúmeno participa. A voz dos animadores da comunidade não é apenas consultiva, mas decisiva quanto à aprovação ou não daquele que pede o Sacramento. As celebrações são bem animadas e festivas. Um grande Pentecostes! O exemplo da Igreja moçambicana, com suas imperfeições e desafios, no rigor quanto à participação comunitária e à preparação catequética aos Sacramentos, faz recordar, em paradoxo, o desleixo e a indiferença que encontramos em muitos católicos no Brasil. Para os quais, muitas vezes, uma pequena palestra de preparação ao Batismo, determinadas horas no curso de noivos ou alguns meses de catequese para a Eucaristia é motivo de revolta e protesto. Gastamos tempo e energia com gente acomodada e despreparada. E as comunidades? Na maioria das vezes, nem conhecem os catequizandos pela percebida ausência deles nas celebrações. Com isso, ficam apáticas e descomprometidas no processo de amadurecimento da Fé. Bem diferente do que encontramos aqui. Claro, como disse, com imperfeições e desafios. Mas, vivemos uma Igreja vigorosa e comprometida. Um belo exemplo a seguir.Na Festa do Divino Espírito Santo, as paróquias do Rio Grande do Sul, Regional Sul 3 da CNBB, realizaram a coleta: “Igreja Solidária –Moçambique”. Esse ofertório é muito importante à Missão de nossa Igreja em terras africanas. Pois, mesmo com os esforços eclesiais para a sustentabilidade econômica da Igreja na diocese de Nampula, província moçambicana mais populosa e pobre, economicamente, a qual nós pertencemos, ainda estamos longe da autonomia desejada e necessária à Evangelização. Nossa gratidão (kòxukhuru) à oferta generosa das comunidades gaúchas. Que o bom Deus recompense a todos com Sua bênção. Já se passaram mais de dois meses desde minha chegada à África. Estou feliz e realizado. De fato, é um grande presente que a Igreja me concede. Quanto a inquietações que chegam do Brasil sobre minha saúde, digo que estou muito bem e sem enfermidades. Já fui “batizado”, ou seja, apanhei malária nos primeiros dias de África. Contudo, a recuperação ocorreu bem tranquila: alguns medicamentos, boa alimentação e muito descanso. Pronto! Em três dias estava ótimo, graças a Deus. Mesmo tomando cuidado e não querendo, a malária ainda faz parte da inculturação por aqui. Igualmente padre Rodrigo, companheiro nesta Missão além-fronteiras, está muito bem. Murettele w’Apwiya okhale ni nyuwo mahikuothene (a Paz do Senhor esteja convosco todos os dias)... Moma, 29 de maio de 2012.
O Senhor da Messe abençoe as missões!
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

Ser Discípulo sem discriminações

Reflexões de Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro
RIO DE JANEIRO, segunda-feira, 01 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Publicamos a seguir uma reflexão de Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, sobre o Evangelho deste domingo (30):
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Todos sabem como Moisés dedicou toda a sua vida pelo povo de Israel. Vemos isto na Primeira Leitura de hoje: Nm 11, 25-29. Porém, já próximo do final de sua jornada ele se mostrava muito cansado e esgotado. Os problemas só iam aumentando diante da indisciplina dos israelitas que viviam se queixando e provocando revoltas. No mesmo Livro dos Números (11, 10-15) Moisés recorre a Deus dizendo que não aguenta suportar o fardo sozinho. Daí Deus ordena que ele escolha 70 homens para colaborar na missão..
Os 70 homens se colocaram juntos na tenda onde Deus falava com Moisés e lá receberam o espírito que os tornou profetas.. No entanto dois anciãos – Eldad e Medad – não estavam entre os 70 e, também, receberam o mesmo espírito. Isto causou enorme confusão entre eles. Se questionavam: como pode alguém estranho ter recebido o mesmo espírito? Isto seria um mal? Claro que não! Deveria até ser motivo de alegria. Mas houve quem retrucou com Moisés.
O mesmo pode-se dizer que acontece hoje em nossas comunidades. Muitas vezes os líderes comunitários se veem cansados e desiludidos com a caminhada da comunidade. Infelizmente existem ainda padres, catequistas e líderes leigos que pretendem fazer tudo sozinhos, impedindo novas forças para um novo vigor na comunidade.
Quando alguém se torna fanático, prende a ação de Deus só para si ou para seu grupo. Isto causa enormes danos na comunidade, pois impede que novas forças construam novos horizontes. Deve-se lembrar de que o espírito de Deus sopra onde quer; é como o vento. Ali está a liberdade de Deus.
Na Segunda Leitura (Tg 5, 1-6) vemos Tiago se dirigindo aos nobres, os ricos. Ele não distingue os ricos bons dos ricos maus. Fala apenas em “ricos”. Já na primeira parte da perícope de hoje vemos um tom de ameaça: “Ricos, chorai e gemei por causa das desgraças que sobre vós virão”. (vv. 1-3). Tudo o que acumularam será destruído. A ferrugem irá corroer os metais preciosos, os produtos dos campos apodrecerão ou serão queimados e as traças irão devorar as suas roupas. Porém Tiago não está contra a fartura dos bens. Apenas está indignado com o egoísmo daqueles que acumulam sem dividir nada com os mais necessitados ou pior: explorando os mais fracos.
A segunda parte da Leitura (vv. 4-6) mostra a fonte da riqueza acumulada. Ela vem da opressão sobre os mais pobres, a injustiça para com os necessitados. Tiago lembra que roubar o salário de um trabalhador é a mesma coisa que matá-lo. Vemos que a severidade de Tiago é compreensível se levarmos em conta que o acúmulo de riquezas levantado nas costas dos mais fracos é incompatível com a cultura cristã.
Já o Evangelho (Mc 9, 38-48) convida a um olhar mais apurado para as relações interpessoais: distinguir os amigos dos inimigos. Muitas vezes aquele que consideramos ser o melhor dos amigos pode um dia mostrar sua outra face quando cai na traição. Assim como aquele que muitas vezes é perseguido e caluniado revela-se um aliado na luta por uma mesma causa. Como então distinguir quem está conosco e quem está contra nós? Muitas vezes podemos nos sentir sós e desanimados, mas de repente vemos que existem outras pessoas que também estão aliadas às mesmas causas, porém, o véu da inveja encobre nosso olhar mais atento para com estas pessoas. Afinal quem está do nosso lado?
Uma vez João se dirigiu a Jesus dizendo que os discípulos haviam proibido certo homem de fazer curas pois usavam o nome Dele em suas práticas. Ele curava as pessoas, mas “não nos seguia”. Os discípulos não aceitavam que outra pessoa que não “os seguia” fizesse o bem. Infelizmente isto ainda acontece nos dias de hoje com os discípulos missionários que buscam esconder o bem que outra pessoa faz ao outro sem mesmo professar a fé em Jesus.
Os discípulos devem se alegrar quando alguém luta por uma boa causa, mesmo que não conheça uma página do Evangelho. Nesta pessoa também está o dom de Deus para fazer o bem. Nós, discípulos de hoje, devemos abandonar as marcas da arrogância e exclusividade. Devemos aprender com a tolerância, honestidade, lealdade e a hospitalidade. Com certeza muitas guerras religiosas deixariam de existir. Aos “fanáticos” Jesus tem uma palavra: “Quem quer que trabalhe em benefício do ser humano, é dos nossos”. Com isso, Jesus nos convida a abrir os olhos para ver o bem acontecendo onde talvez nossas forças não conseguem atingir bons resultados. É nesta diversidade de dons que se proclamam as maravilhas do Reino.
A segunda parte do Evangelho (vv. 41-48) mostra um agrupamento de vários ensinamentos de Jesus independentes entre si. Marcos deve ter recolhido estes ensinamentos dos vários momentos em que Jesus se dirigia às multidões.
A hospitalidade vem em primeiro lugar (v. 41). Veja que quem oferece um copo d´água é alguém que não pertence ao grupo dos discípulos. Jesus afirma que este gesto receberá sua recompensa. Em seguida temos uma observação rígida quanto aos escândalos (v. 42). Escandalizar os pequenos significava não permitir que aquelas pessoas que estavam dando seus primeiros passos ao encontro com o Mestre sejam afastadas pelo caminho, motivo de seu curriculum vitae.
Os versículos 43-48 chamam atenção para os escândalos que vêm do íntimo do ser humano, provocados pelos pés, mãos e pelos olhos. Para os judeus da época estes órgãos levavam o ser humano a inclinar-se para escolhas e atitudes imorais. Jesus ensina que as atitudes erradas devem ser cortadas pela raiz já que não condizem com a linha cristã. Tudo que estraga a própria vida e a dos outros deve ser corrigido.
Torna-se necessário “amputar” todas atitudes que levam ao pecado e nos afastam do diálogo com Deus e com os irmãos. Quem não dominar suas próprias paixões, e não cultivar uma disciplina cristã corre o risco de ser lançado na “Geena” onde o verme não morre e o fogo não se apaga.
Geena era um lugar imundo ao sul de Jerusalém onde haviam túmulos e era queimado o lixo da cidade. Quem de nós não conhece a imundície dos lixões nas grandes cidades hoje? Pois bem, este era o lugar simbólico para os que se entregavam à imundície do pecado.
Estas figuras de linguagem eram frequentemente utilizadas pelos rabinos na educação dos israelitas. Utilizadas por Jesus ganham nova roupagem para que cada um de nós se conscientize do valor da vida, zele pelo tempo que está vivendo, já que o passado ninguém pode restituir. E lembrar-se sempre que este pode ser um excelente tempo de qualidade para romper, “amputar” com os erros do passado, afinal Deus sempre nos dá uma nova chance. Ele se alegra com o pecador arrependido, pois sabe que na sua conversão está o testemunho silencioso de quem compreendeu os valores do Reino.
          + Orani João Tempesta, O. Cist.
          Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.

É possível evangelizar nas redes sociais da internet

Mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial das Comunicações 2013

Por José Antonio Varela Vidal
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 01 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Os comunicadores digitais católicos, ou dito de outra forma, “os evangelizadores da Rede”, receberam o apoio do santo Padre Bento XVI pelos seus grandes esforços em entender a linguagem dos meios de hoje – com poucas horas de descanso e não poucas incompreensões -, de modo que a mensagem de Cristo permaneça em vigor nas redes sociais da internet.
Esta boa notícia chegou a cada dispositivo móvel ou fixo que estivesse na rede, quando na sexta-feira foi publicado o tema da 47ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, com a qual o Papa orientará a Igreja Universal sobre este importante campo, denominado por ele mesmo “um continente digital”. É que a questão escolhida não podia ser mais oportuna e clara: “Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços para a evangelização".
De acordo com a nota de apresentação do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, o tema se enquadra muito bem no contexto do Ano da Fé, dado que o “modo de humanizar e vitalizar um mundo digital impõe hoje uma atitude mais definida: já não se trata de usar a internet como “meio” de evangelização, mas de evangelizar considerando que a vida do homem moderno também se expressa no ambiente digital”.
Em particular, acrescenta o comunicado, "é necessário considerar o desenvolvimento e a grande popularidade das redes sociais, que permitiram o crescimento de um estilo dialógico e interativo na comunicação e nos relacionamentos."
Cabe destacar que a iminente Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, dedicada à Nova Evangelização, também abordará o tema.. Por isso o anúncio da Jornada chega a tempo. Nos parágrafos 59-62 do Instrumentum Laboris, referindo-se às "Novas fronteiras do cenário comunicativo”, há referências explícitas a esse desafio, com um convite para que os cristãos tenham "a audácia de ir a esses “novos areópagos”, aprendendo a dar uma avaliação evangélica, encontrando os instrumentos e os métodos para fazer ouvir também hoje nestes lugares o patrimônio educativo e a sabedoria custodiada pela tradição cristã (62c)".
As experiências são contadas por milhões hoje, onde os correios eletrônicos e mensagens de texto do celular com frases ou mensagens evangelizadoras, passaram -  sem parar estes primeiros – a novos espaços, como os blogs do bispo ou pároco, as redes sociais das religiosas e dos leigos, os tweets das assessorias de imprensa dos episcopados e dioceses, ou as web 2.0 dos entendidos na pastoral das comunicações.
É assim que esta Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, que segue fielmente o mandamento do Vaticano II por quase 50 anos, animará os que ainda têm dúvidas sobre a potencialidade destes meios, a ‘remar mar adentro’ e ocupar seu espaço. E àqueles que já os utilizam, será um consolo para buscar novos meios e caminhos, para que mais e mais pessoas façam-lhes um sincero clic em “curto” ou lhes sigam... A Jornada Mundial das Comunicações do ano 2013 será celebrada no dia 12 de maio, durante a solenidade da Ascensão do Senhor. A mensagem integral do santo padre será divulgada no dia 24 de janeiro, sempre na festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos escritores e jornalistas.
[Trad.TS]