sábado, 8 de dezembro de 2012

A oração de advento e a encarnação



Responde padre Edward McNamara, LC, professor de Teologia e diretor espiritual
ROMA, sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Um leitor Inglês apresentou a seguinte pergunta para o padre Edward McNamara:
A oração coleta da segunda-feira, na segunda semana do Advento, pede: “prepare-nos para celebrar a encarnação do Teu filho”. A encarnação é celebrada no dia 25 de março, não no dia 25 de dezembro. Há muitos outros erros deste tipo durante o Advento. O Vaticano não deveria corrigí-los? Uma pessoa que eu conheço usa esse argumento como pró-aborto, dizendo: "Também a  Igreja reconhece que Cristo se fez homem apenas no Natal.. Antes ele não era um homem, não era um ser humano no ventre de Maria". Está errado, mas não totalmente. - AC fornecimento, Carlisle, Inglaterra.
Padre McNamara deu a seguinte resposta: Eu hesitaria em dizer que a Igreja cometa “erros” ao propor as orações que devem ser proclamadas diante de Deus e dos fieis.
Quando certa oração nos deixa perplexos ou maravilhados, a nossa atitude deveria ser a de considerar que talvez seja errada a nossa interpretação do texto ou as nossas expectativas sobre a função das orações litúrgicas.
Do ponto de vista histórico as orações usadas durante o Advento são tiradas dos antigos manuscritos conhecidos, como o Pergaminho de Ravenna (V-VI século) e o Sacramentário Gelasiano (VII século). O seu tema constante é a vinda de Cristo, seja na encarnação (a primeira vinda) seja no final dos tempos (a segunda vinda).
Na verdade, tanto o Natal como a Anunciação celebram diferentes aspectos do mesmo mistério da Encarnação e demostram relativamente pouca precisão biológica ou cronológica.
A festa do Natal tem as suas origens na cidade de Roma e é celebrada pela primeira vez por volta do ano 330, ou seja, cerca de 15 anos depois do fim das perseguições, e, talvez, na basílica de São Pedro acabada de constuir.
Os primeiros vestígios de uma festa da Anunciação estão por volta do 624, no Egito. Após esta data, os testemunhos aumentam em diversas regiões do cristianismo. Desde o começo é celebrado o dia 25 de março por causa da convição de que o equinócio de primavera era tanto no dia da criação quanto no começo da nova criação em Cristo.
Esta data tem causado problemas em algumas igrejas, como por exemplo naquelas de rito moçárabe espanhol e de rito ambrosiano em Milão, por causa da sua estrita proibição de celebrar festas durante a Quaresma. Por este motivo optaram por celebrar a Anunciação no dia 18 de dezembro, uma tradição mantida até hoje.
Portanto, é evidente que nem o calendário litúrgico nem qualquer oração litúrgica em particular podem ser usadas no debate sobre o aborto ou sobre o momento exato do início da vida.
A intenção da liturgia não é resolver estas questões, mas glorificar e louvar a Deus pelo maravilhoso mistério do Verbo que se fez carne e "se encarnou no seio da Virgem Maria e se fez homem" (Credo Niceno-constantinopolitano ) para a nossa salvação.
(Tradução Thácio Siqueira)

Imaculada Conceição de Maria



O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos dogmas mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro nós e que não renunciamos nunca.

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma foi definido em 1854 pelo Papa Pio IX, através da bula "Ineffabilis Deus", mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII.

A festa não existia oficialmente no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia, chamado Beato João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de São Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria, como ínicio do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570 foi confirmada e formalizada pelo Papa Pio V, na publicação do novo ofício e, finalmente, no século XVIII, o Papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres: "Eu sou a Imaculada Conceição".

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno. Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus miseriordioso. Foi Deus que concedeu à Ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina permanecesse incontaminada.

Maria então foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos.

Hoje não comemoramos a memória de um Santo, mas a solenidade mais elevada, maior e mais preciosa da Igreja: a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a Rainha de todos os Santos, a Mãe de Deus.