quarta-feira, 4 de abril de 2012

Papa fala aos jovens de Madrid

Discurso de Bento XVI aos jovens da Arquidiocese de Madrid
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 02 de abril de 2012(ZENIT.org) -  O Santo Padre recebeu hoje em audiência 5000 jovens da Arquidiocese de Madrid (Espanha), acompanhado pelo Arcebispo Cardeal Antonio María Rouco Varela, em peregrinação a Roma para agradecer ao Papa por sua viagem à Espanha em ocasião da Jornada Mundial da Juventude do ano passado. Apresentamos a seguir o Discurso de Bento XVI.
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Senhor Cardeal Arcebispo de Madri
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos jovens,
Amigos todos,

Agradeço as amáveis palavras que o Senhor Cardeal Antonio María  Rouco me dirigiu, fazendo-se intérprete dos sentimentos de todos aqui presentes, e o saúdo com grande afeto, assim como os senhores bispos da Província eclesiástica de Madrid e ao Senhor bispo de São Sebastião e responsável pelo departamento da pastoral da juventude na  Conferência Episcopal Espanhola.
Tenho o prazer de dar as boas-vindas, junto à cátedra de Pedro, para a qual fizestes a peregrinação, que organizastes com o desejo de agradecer ao Papa pela viagem a Espanha por causa da Jornada Mundial  da Juventude, celebrada em agosto passado.
Saúdo cordialmente as autoridades, organizadores, patrocinadores e voluntários, mas, de modo muito especial aos jovens, que são os  protagonistas e principais destinatários desta iniciativa pastoral impulsionada vigorosamente pelo meu predecessor, o beato João Paulo
II, do qual hoje recordamos sua passagem para o céu.
Tenho muito presentes também todos os bispos de Espanha e os delegados episcopais da juventude, que tanto colaboram nas dioceses para o feliz desenvolvimento deste significativo evento eclesial. E  não posso deixar de mencionar aos membros da Vida Consagrada e a tantas outras pessoas e instituições que ofereceram sua valiosa e generosa contribuição  para a realização do mesmo fim.
Sempre que trago à memória a vigésima sexta Jornada Mundial da Juventude de Madri, meu coração se enche de gratitude a Deus pela experiência de graça daqueles dias inesquecíveis. Desde a minha chegada, se sucederam e multiplicaram as demonstrações de acolhida e hospitalidade, junto à fé e a alegria dos jovens, que se converteram em sinais eloquentes de Cristo ressuscitado.
Queridos amigos, aquele esplendido encontro só pode compreender-se à luz da presença do Espírito Santo na Igreja. Ele não deixa de infundir nos corações, e continuamente nos traz para a para o meio da história, como em Pentecostes, para dar testemunho das maravilhas de Deus. Vós sois chamados a cooperar com esta apaixonante tarefa e vale a pena entregar-se a ela sem reservas. Cristo necessita de  vocês para estender e edificar o seu reino de caridade.  Isto será possível se o tendes como o melhor dos amigos e o confessais levando uma vida segundo o Evangelho, com valentia e fidelidade.

Alguém poderia supor que isto não tem nada a ver consigo ou que é uma possibilidade que supera suas capacidade e talentos. Mas não é assim. Nesta aventura, nada excede. Portanto, não deixeis de pedir-lhe para que vos chama o Senhor e como o podeis ajudar. Todos têm uma vocação pessoal que Ele quis propor para vossa via de santidade. Quando alguém é conquistado pelo fogo do seu olhar, nenhum sacrifício parece grande para seguí-lo e dar o melhor de si mesmo. Assim fizeram sempre os santos estendendo a luz do Senhor e a potência do seu amor, transformando o mundo para se tornar acolhedor para todos, onde Deus é glorificado e seus filhos abençoados.
Queridos jovens, como aqueles apóstolos da primeira hora, sois também missionários de Cristo entre vossos familiares, amigos e conhecidos, em vossos ambientes de estudo e trabalho, entre os pobres e enfermos. Faleis do seu amor e bondade com simplicidade, sem complexos e temores. O próprio Cristo os dará força para isto.Da vossa parte, escutem-no e tenhais um contato frequente e sincero com Ele. Contai-lhe com confiança vossos desejos e aspirações, também vossas penas e as das pessoas que precisam de consolo e esperança. Evocando aqueles esplêndidos dias, desejo exortar-vos também a que não limiteis esforço algum para que os que vos rodeiam o descubram pessoalmente e se encontrem com Ele, que está vivo, e com sua Igreja.
Ontem, com a solenidade de Domingos de Ramos, iniciamos a Semana, na  qual, seguimos os passos de Cristo até a celebração de seu mistério pascal. O aclamamos como Messias e Filho de Davi, agitando como as crianças e jovens de Jerusalém, os ramos da salvação e do júbilo. Ao mesmo tempo, contemplamos sua dolorosa paixão e sua humilhação até a morte. Os convido, durante estes dias santos a unirem-se plenamente ao nosso Redentor, recordando aquela solene Via Crucis da Jornada Mundial da Juventude. Nela, nós oramos comovidos diante da beleza daquelas imagens sagradas, que expressavam com profundidade os mistérios da nossa fé. Os animo a carregar também a vossa cruz, e a cruz da dor dos pecados do mundo, para que entendais melhor o amor de Cristo pela humanidade. Assim vos sentireis chamados a proclamar que Deus ama o homem e os enviou a seu filho, não para condená-lo, mas para que alcance uma vida plena e com sentido.
Queridos amigos, estou seguro que  já estais pensando no Rio de Janeiro, onde muitos jovens do mundo inteiro se congregarão, e que sem dúvida, será um marco no caminho da Igreja, sempre jovem, que quer ampliar o horizonte das novas gerações com o tesouro do Evangelho, força de vida para o mundo.
Como agora avançamos com os olhos fixos na aurora iminente da Páscoa, a celebração do Dia Mundial da Juventude no Brasil seja uma nova e alegre experiência de Cristo ressuscitado, que conduz toda a humanidade para a clareza da vida que procede de Deus.
Que Maria Santíssima, a qual permaneceu silenciosa aos pés da cruz de seu Filho e esperou pacientemente o cumprimento de suas promessas, seja sempre para vós Mãe de Misericórdia, vida, doçura e esperança vossa. Muito obrigado pela vossa presença festiva e jovial, queridos jovens. Os abençoo de todo coração.

"O nosso rei escolhe a cruz como trono"

 
Homilia de Bento XVI no Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
Lucas Marcolivio
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 2 de abril de 2012 (ZENIT.org) – O domingo de Ramos é o "grande portal" que nos introduz na semana santa, em palavras de Bento XVI na homilia de ontem (domingo, 1º), durante a missa solene na Praça de São Pedro.
A entrada de Jesus e dos doze em Jerusalém foi marcada pela fervorosa expectativa de uma "grande multidão". Ao longo do caminho, nos arredores de Jericó, um cego chamado Bartimeu fica sabendo da chegada do Messias, que, aproximando-se, lhe atende o pedido de cura (cf. Mc 10,47-52).
Realizado o milagre, a turba se pergunta: “Esse Jesus, que caminha à nossa frente rumo a Jerusalém, é o Messias, o novo Davi? E com a sua iminente entrada na cidade santa, será que chegou a hora em que Deus finalmente vai restaurar o reino de Davi?”.
A entrada de Jesus em Jerusalém, sobre lombo de jumento, é acompanhada pelos gritos de hosana dos peregrinos e por invocações que remetem ao Salmo 118: "Bendito o que vem em nome do Senhor". Um hino de exultação, que "expressa a convicção unânime de que, em Jesus, Deus visitou o seu povo e que o Messias desejado finalmente chegou", disse o papa.
Ele veio, portanto; o Messias, anunciado pelas Escrituras havia séculos. “À luz de Cristo, a humanidade se reconhece unida e envolta no manto da bênção divina, que permeia tudo, sustenta tudo, redime tudo, santifica tudo”.
A mensagem da solenidade de hoje, em primeiro lugar, é “o convite a olhar bem para a humanidade inteira, para as pessoas que formam o mundo, suas diversas culturas e civilizações", disse o pontífice.
O olhar de Cristo é "de bênção", é um olhar "sábio e amoroso, capaz de captar a beleza do mundo e de padecer com ele a sua fragilidade". A partir desta contemplação, brilha o olhar de Deus "para as pessoas que ele ama e para criação, que é obra sua".
Apesar da recepção triunfal, sabe-se que a mesma multidão, poucos dias depois, gritará para Pilatos: "Crucifica-o!". E mesmo os discípulos permanecerão "mudos e perplexos". Este resultado, prosseguiu o papa, deve levar-nos às perguntas: "Quem é para nós Jesus de Nazaré? Que ideia fazemos do Messias, que ideia temos de Deus?".
Na Semana Santa, recém-começada, somos chamados a "seguir o nosso rei que escolheu a cruz como trono" e que "não garante a felicidade terrena fácil, mas a felicidade do céu, a bem-aventurança de Deus".
A solene liturgia de hoje coincide com a XXVII Jornada Mundial da Juventude em nível diocesano, cujo tema é Alegrai-vos sempre no Senhor! (Fil 4,4). O Santo Padre se dirigiu aos jovens presentes na Praça de São Pedro e indicou no domingo de Ramos "o dia da decisão de acolher o Senhor e de segui-lo até o fim, de fazer da sua Páscoa de morte e ressurreição o próprio sentido da vida como cristãos".
Um exemplo atemporal do seguimento de Jesus é o de Santa Clara de Assis, que, exatamente oitocentos anos atrás, aos 18 anos, inspirada pelo exemplo de São Francisco, "teve a coragem da fé e do amor de tomar uma decisão por Cristo, encontrando nele a alegria e a paz".
Bento XVI recordou os sentimentos que devem animar a nossa Semana Santa: o louvor e o agradecimento a Deus pelo "dom maior que se possa imaginar: a sua vida, o seu corpo e sangue, o seu amor".