quarta-feira, 31 de outubro de 2012

É na comunidade eclesial que a fé pessoal cresce e amadurece.

Bento XVI prossegue a catequese sobre a fé durante a Audiência Geral
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 31 de outubro de 2012(ZENIT.org) – Apresentamos a catequese do Papa Bento XVI sobre a fé, dirigida aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a tradicional Audiência Geral de quarta-feira.
Queridos irmãos e irmãs,
Continuamos no nosso caminho de meditação sobre a fé católica. Na semana passada mostrei como a fé é um dom, porque é Deus quem toma a iniciativa e vem ao nosso encontro; e assim a fé é uma resposta com a qual nós O acolhemos como fundamento estável da nossa vida. É um dom que transforma a existência, porque nos faz entrar na mesma visão de Jesus, que opera em nós e nos abre ao amor a Deus e aos outros.
Hoje gostaria de dar outro passo em nossa reflexão, começando mais uma vez, por algumas perguntas: a fé tem um caráter somente pessoal, individual? Interessa somente a minha pessoa? Vivo a minha fé sozinho? Certo, o ato de fé é um ato eminentemente pessoal, que vem do íntimo mais profundo e sinaliza uma troca de direção, uma conversão pessoal: é a minha existência que recebe uma mudança, uma orientação nova. Na Liturgia do Batismo, no momento das promessas, o celebrante pede para manifestar a fé católica e formula três perguntas: crês em Deus Paionipotente? Crês em Jesus Cristoseu único Filho? Crês no Espírito Santo? Antigamente, estas perguntas eram voltadas pessoalmente àqueles quem iriam receber o Batismo, antes que se imergisse por três vezes na água. E também hoje a resposta é no singular: ‘Creio’.Mas este meu crer não é resultado de uma reflexão minha, solitária, não é o produto de um pensamento meu, mas é fruto de uma relação, de um diálogo, no qual tem um escutar, um receber e um responder; é o comunicar com Jesus que me faz sair do meu “eu” fechado em mim mesmo para abrir-me ao amor de Deus Pai. É como um renascimento no qual me descubro unido não somente a Jesus, mas também a todos aqueles que caminharam e caminham pela mesma via; e este novo nascimento, que inicia com o Batismo, continua por todo o percurso da existência.Não posso construir a minha fé pessoal em um diálogo privado com Jesus, porque a fé é doada a mim por Deus através de uma comunidade que crê que é a Igreja e me insere assim na multidão dos crentes em uma comunhão que não é somente sociológica, mas enraizada no amor eterno de Deus, que em Si mesmo é comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é Amor trinitário. A nossa fé é realmente pessoal, somente se é também comunitária: pode ser a minha fé somente se vive e se move no “nós” da Igreja, só se a nossa fé é, a fé comum da única Igreja.

Aos domingos, na Santa Missa, recitando o “Credo”, nós nos expressamos em primeira pessoa, mas confessamos comunitariamente a única fé da Igreja. Aquele “credo” pronunciado singularmente nos une àquele de um imenso coro no tempo e no espaço, no qual cada um contribui, por assim dizer, a uma harmoniosa polifonia na fé. O Catecismo da Igreja Católica resume de modo claro assim: “‘Crer’ é um ato eclesial. A fé da Igreja antecede, gera, sustenta e nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. ‘Ninguém pode dizer que tem Deus como Pai, se não tem a Igreja como Mãe’ [são Cipriano]” (n. 181). Então, a fé nasce na Igreja, conduz a essa e vive nessa. Isso é importante recordar. 

Nos começos da aventura cristã, quando o Espírito Santo desce com potência sobre os discípulos, no dia de Pentecoste – como narram os Atos dos Apóstolos (cfr 2, 1-13) – a Igreja nascente recebe a força para implementar a missão confiada pelo Senhor Ressuscitado: difundir em cada canto da terra o Evangelho, a boa nova do Reino de Deus, e conduzir, assim, cada homem ao encontro com Ele, à fé que salva. Os Apóstolos superam todo o medo ao proclamar o que tinham escutado, visto e experimentado pessoalmente com Jesus. Pela potência do Espírito Santo, começam a falar em línguas novas, anunciando abertamente o mistério do qual foram testemunhas. Nos Atos dos Apóstolos nos vem relatado o grande discurso que Pedro pronuncia exatamente no dia de Pentecoste. Ele parte de uma passagem do profeta Joel (3, 1-5), referindo-se a Jesus, e proclamando o núcleo central da fé cristã: Aquele que tinha beneficiado todos, que tinha sido creditado por Deus com milagres e grandes sinais, foi pregado na cruz e morto, mas Deus o ressuscitou dos mortos, constituindo-lhe Senhor e Cristo. Com Ele entramos na salvação definitiva anunciada pelos profetas e quem invocar o seu nome será salvo (cfr At 2,17-24). Escutando estas palavras de Pedro, muitos se sentem pessoalmente desafiados, se arrependem de seus pecados e são batizados recebendo o dom do Espírito Santo (cfr At 2, 37-41). Assim começa o caminho da Igreja, comunidade que leva este anúncio no tempo e no espaço, comunidade que é o Povo de Deus fundado na nova aliança graças ao sangue de Cristo e cujos membros não pertencem a um determinado grupo social ou étnico, mas são homens e mulheres provenientes de toda nação e cultura. É um povo “católico”, que fala línguas novas, universalmente aberto a acolher a todos, além de todos os confins, quebrando todas as barreiras. Diz São Paulo: “Aqui não há grego ou judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre, mas Cristo é tudo em todos” (Col 3,11).

A Igreja, portanto, desde o início é o lugar da fé, o lugar da transmissão da fé, o lugar onde, pelo Batismo, se é imersa no Mistério Pascal da Morte e Ressurreição de Cristo, que nos liberta da escravidão do pecado, nos doa a liberdade de filhos e nos introduz da comunhão com o Deus Trinitário. Ao mesmo tempo, somos imersos na comunhão com os outros irmãos e irmãs de fé, com todo o Corpo de Cristo, retirados do nosso isolamento. O Concílio Ecumênico Vaticano II o recorda: “Deus quis salvar e santificar os homens não individualmente e sem qualquer ligação entre eles, mas quis constituir deles um povo, que o reconhecesse na verdade e fielmente O servisse” (Cost. dogm. Lumen gentium, 9). Recordando ainda a liturgia do Batismo, notamos que, na conclusão das promessas em que expressamos a renúncia ao mal e repetimos “creio” na verdade da fé, o celebrante declara: “Esta é a nossa fé, esta é a fé da Igreja e nós nos glorificamos de professá-la em Cristo Jesus Nosso Senhor”. A fé é virtude teologal, doada por Deus, mas transmitida pela Igreja ao longo da história. São Paulo mesmo, escrevendo aos Coríntios, afirma ter comunicado a eles o Evangelho que por sua vez também ele tinha recebido (cfr 1 Cor 15,3).
Há uma cadeia ininterrupta de vida da Igreja, de anúncio da Palavra de Deus, de celebração dos Sacramentos, que chega a nós e que chamamos de Tradição. Essa nos dá a garantia de que aquilo em que acreditamos é a mensagem original de Cristo, pregada pelos apóstolos. O núcleo do anúncio primordial é o evento da morte e ressurreição do Senhor, do qual decorre todo o patrimônio da fé. Diz o Concílio: "A pregação apostólica, que está expressa de modo especial nos livros inspirados, devia ser repassada com sucessão contínua até o fim dos tempos" (Constituição dogmática. Dei Verbum, 8). Deste modo, se a Sagrada Escritura contém a Palavra de Deus, a Tradição da Igreja a preserva e a transmite com fidelidade, para que os homens de cada época possam ter acesso a seus imensos recursos e se enriqueçam de seus tesouros de graça.. Assim, a Igreja, "em sua doutrina, em sua vida e em seu culto transmite a todas as gerações tudo o que ela é, tudo em que acredita" (ibidem).

Gostaria, por fim, de ressaltar que é na comunidade eclesial que a fé pessoal cresce e amadurece. É interessante observar que no Novo Testamento, a palavra "santos" designa os cristãos no seu conjunto e, certamente, não todos tinham as qualidades para ser declarado santo pela Igreja. O que se queria indicar, então, com este termo? O fato de que aqueles que viviam a fé em Cristo ressuscitado eram chamados a se tornar um ponto de referência para todos os outros, colocando-os em contato com a Pessoa e com a Mensagem de Jesus, que revela a face do Deus vivo. E isso vale também para nós: um cristão que se deixa guiar e plasmar pouco a pouco pela fé da Igreja, apesar de suas fraquezas, suas limitações e suas dificuldades, torna-se como uma janela aberta à luz do Deus vivo, que recebe essa luz e a transmite ao mundo. O Beato João Paulo II, na Encíclica Redemptoris missio, afirmava que "a missão renova a Igreja, revigora a fé e a identidade cristã, dá novo entusiasmo e novas motivações. A fé se fortalece se doando. "(n. 2).
A tendência, hoje difundida, de relegar a fé ao âmbito privado, contradiz então, a sua própria natureza. Nós precisamos da Igreja para ter a confirmação da nossa fé e para ter experiência com os dons de Deus: a Sua Palavra, os Sacramentos, o sustento da graça e o testemunho do amor. Assim, o nosso "eu" no "nós" da Igreja poderá ser percebido, ao mesmo tempo, destinatário e protagonista de um evento que o supera: a experiência da comunhão com Deus, que estabelece a comunhão entre as pessoas. Em um mundo onde o individualismo parece regular as relações entre as pessoas, tornando-as sempre mais frágeis, a fé nos chama a ser povo de Deus, a ser Igreja, portadores do amor e da comunhão de Deus para todo gênero humano. (ver Constituição Pastoral. Gaudium et spes, 1). Obrigado pela atenção.
O Papa dirigiu a seguinte saudação em português:
Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, especialmente os fiéis vindos de São Tomé e Príncipe e os grupos de brasileiros, de Imperatriz, Toledo e Guaxupé. Deixai-vos plasmar pela fé da Igreja, pois esta, apesar das dificuldades, fará de vós janelas abertas para a luz Deus, de modo que a recebendo, possais transmiti-la ao mundo. Obrigado pela vossa presença!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sentimos na Igreja o vento do Espírito Santo

Aprovadas 57 propostas que ajudarão o papa na exortação apostólica
Sergio Mora
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 29 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - A lista final das 57 propostas votadas pelos participantes do XIII Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a Transmissão da Fé foi apresentada no último sábado, 27, na sala de imprensa da Santa Sé, pelo cardeal arcebispo de Washington, Donald William Wuerl, e pelos arcebispos Pierre-Marie Carré, da diocese francesa de Montpellier, e Józef Michalik, presidente da Conferência Episcopal da Polônia.
O padre Federico Lombardi informou que Bento XVI fez um pequeno discurso, improvisado e significativo, em que anunciou duas decisões: “passar da Congregação da Educação Católica para a Congregação do Clero a responsabilidade pelos seminários, e da Congregação do Clero para o Pontifício Conselho da Nova Evangelização a responsabilidade pela catequese”.
O papa “expressou também seus melhores desejos aos futuros cardeais, que serão eleitos no consistório de fevereiro, no contexto da nova evangelização e da universalidade dos povos". Lombardi acrescentou que, a respeito do sínodo, o papa ressaltou o quanto é edificante ver nele um espelho da Igreja católica, com as suas dificuldades e alegrias. E que, embora existam ventos contrários, sente-se na Igreja o vento do Espírito Santo. “Estamos novamente a caminho, com novo entusiasmo”.
No passado, as proposições não eram publicadas, pois são um texto consultivo, mas “o papa quis que nós as publicássemos, mesmo não sendo um documento oficial e sim oficioso”.
O cardeal Donald William Wuerl considerou muito positivo o senso de unidade verificado nos trabalhos do sínodo. Wuerl afirma que a Igreja está avançando, enfrentando as várias questões deste mundo secularizado e complexo, e destacou o senso de missão das proposições, que indicam a direção a seguir.
O arcebispo de Montpellier, por sua vez, enfatizou que a nova evangelização cobre todos os aspectos da existência humana. Carré falou da contribuição que o sínodo recebeu dos interlocutores dos vários continentes e sublinhou que o tema central foi a fé não por causa da secularização, mas porque Jesus Cristo mandou pregar o evangelho.
Já o presidente da Conferência Episcopal Polonesa observou que a assembleia teve a coragem de fazer a sua análise sem fugir das dificuldades. Recordou que participaram hóspedes como o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, e o primaz da Igreja anglicana, que expressaram opiniões muito positivas sobre o concílio Vaticano II e apoiaram a iniciativa de uma nova evangelização.
Dom Michalik falou dos peritos que trabalharam nesta área, citando os movimentos Caminho Neocatecumenal e Focolares. Depois do sínodo, afirmou, “a minha impressão é de ter passado por uma escola muito sólida e de grande valor”.
Nas respostas, o arcebispo norte-americano disse que a variedade das proposições não permite falar de um fio condutor comum a todas elas, mas que o seu conjunto deixa claro o que é a nova evangelização, como ela se relaciona com a nossa cultura, a dificuldade da inculturação e o contexto do laicismo, além dos lugares em que ela se desenvolve e quem são os novos evangelizadores. “Os novos evangelizadores somos todos nós, religiosos, leigos, todos. Há uma proposta na conclusão: tu serás minha testemunha, como indica a proposição número 57”.
O arcebispo de Washington, respondendo a outra pergunta, precisou que a nova evangelização não é um programa, e sim uma dimensão missionária permanente.
Dom Carré observou, por outro lado, que o sínodo se concentrou muito nos jovens: é necessário chegar até eles para que sejam testemunhas perante os outros jovens.
Michalik acrescentou experiências que viu: “Os jovens começam se reunindo, depois aprofundam a fé e aí vêm as conversões. Precisamos de radicalidade cristã, com amor e paciência. Testemunhando a fé sem impô-la”.
O cardeal arcebispo de Washington se uniu ao tema recordando “os grupos de jovens adultos que vieram a Roma para contribuir, muito abertos ao evangelho e àquilo que a Igreja quer dizer”.
ZENIT perguntou sobre a via pulcritudinis e se a discussão sobre a transmissão da fé deve chegar até os corações a partir da dimensão intelectual. O cardeal americano considerou que é necessário o diálogo da Igreja com o mundo intelectual, acadêmico e civil, um desafio muito claro neste sínodo, bem como transmitir a linguagem da beleza da melhor maneira para um mundo em que os jovens dispõem de boas tecnologias.
O arcebispo da Polônia propôs pregar não só a misericórdia de Jesus, mas também a beleza do evangelho, e recordou a contribuição da arte, da literatura e o papel das igrejas. Criticou a construção de diversas estruturas arquitetônicas sacras que não refletem essa contribuição.
O arcebispo francês, ao concluir suas palavras, sublinhou que, quando se pensa no belo, acredita-se que ele é custoso, quando, em realidade, a beleza de Deus também pode estar presente na pobreza, "no encontro com Cristo, que é pessoal e para o qual podemos criar os meios adequados".
O cardeal Wuerl recordou que a Igreja tem uma história fantástica, assim como a história de Jesus, e manifestou o desejo de "que vocês apresentem este fato ao mundo".
(Trad.ZENIT)

"O fogo de Deus, à semelhança dum fogo em brasas, pede para ser reavivado"

Homilia do Papa na missa de conclusão do Sínodo dos Bispos
CIDADE DO VATICANO, domingo, 28 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Publicamos a seguir a homilia do Papa Bento XVI na Missa celebrada na basílica vaticana por ocasião da conclusão da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos com o tema "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã"..
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Venerados Irmãos,
Ilustres Senhores e Senhoras,
Amados irmãos e irmãs!

O milagre da cura do cego Bartimeu ocupa uma posição significativa na estrutura do Evangelho de Marcos. De facto, está colocado no fim da secção designada «viagem para Jerusalém», isto é, a última peregrinação de Jesus para a Cidade Santa, para a Páscoa em que, como Ele sabe, O aguardam a paixão, a morte e a ressurreição. Para subir a Jerusalém a partir do vale do Jordão, Jesus passa por Jericó, e o encontro com Bartimeu tem lugar à saída da cidade, «quando – observa o evangelista – [Jesus] ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão» (10, 46), a mesma multidão que, dali a pouco, aclamará Jesus como Messias na sua entrada em Jerusalém. Precisamente na estrada estava sentado a mendigar Bartimeu, cujo nome significa «filho de Timeu», como diz o próprio evangelista. Todo o Evangelho de Marcos é um itinerário de fé, que se desenvolve gradualmente na escola de Jesus. Os discípulos são os primeiros actores deste percurso de descoberta, mas há ainda outros personagens que desempenham papel importante, e Bartimeu é um deles. A sua cura prodigiosa é a última que Jesus realiza antes da sua paixão, e não é por acaso que se trata da cura dum cego, isto é, duma pessoa cujos olhos perderam a luz. A partir de outros textos, sabemos também que a condição de cegueira tem um significado denso nos Evangelhos. Representa o homem que tem necessidade da luz de Deus – a luz da fé – para conhecer verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. Condição essencial é reconhecer-se cego, necessitado desta luz; caso contrário, permanece-se cego para sempre (cf. Jo 9, 39-41).
Situado naquele ponto estratégico da narração de Marcos, Bartimeu é apresentado como modelo. Ele não é cego de nascença, mas perdeu a vista: é o homem que perdeu a luz e está ciente disso, mas não perdeu a esperança, sabe agarrar a possibilidade deste encontro com Jesus e confia-se a Ele para ser curado. Na realidade, ouvindo dizer que o Mestre passa pela sua estrada, grita: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!» (Mc 10, 47), e repete-o vigorosamente (v. 48) E quando Jesus o chama e lhe pergunta que quer d’Ele, responde: «Mestre, que eu veja!» (v. 51). Bartimeu representa o homem que reconhece o seu mal, e grita ao Senhor com a confiança de ser curado. A sua imploração, simples e sincera, é exemplar, tendo entrado na tradição da oração cristã da mesma forma que a súplica do publicano no templo: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador» (Lc 18, 13). No encontro com Cristo, vivido com fé, Bartimeu readquire a luz que havia perdido e, com ela, a plenitude da sua própria dignidade: põe-se de pé e retoma o caminho, que desde então tem um guia, Jesus, e uma estrada, a mesma que Jesus percorre. O evangelista não nos diz mais nada de Bartimeu, mas nele mostra-nos quem é o discípulo: aquele que, com a luz da fé, segue Jesus «pelo caminho» (v. 52).
Num dos seus escritos, Santo Agostinho observa um particular acerca da figura de Bartimeu, que pode ser interessante e significativo também hoje para nós. O santo Bispo de Hipona reflecte sobre o facto de Marcos referir, neste caso, não só o nome da pessoa que é curada, mas também de seu pai, e chega à conclusão de que «Bartimeu, filho de Timeu, era um personagem decaído duma situação de grande prosperidade, e a sua condição de miséria devia ser universalmente conhecida e de domínio público, enquanto não era apenas cego, mas um mendigo que estava sentado na berma da estrada. Por esta razão, Marcos não o quis recordar só a ele, porque o facto de ter recuperado a vista conferiu ao milagre tão grande ressonância como grande era a fama da desventura que atingira o cego» (O consenso dos evangelistas, 2, 65, 125: PL 34, 1138) . Assim escreve Santo Agostinho!
Esta interpretação de Bartimeu como pessoa decaída duma condição de «grande prosperidade» é sugestiva, convidando-nos a reflectir sobre o facto que há riquezas preciosas na nossa vida que podemos perder e que não são materiais. Nesta perspectiva, Bartimeu poderia representar aqueles que vivem em regiões de antiga evangelização, onde a luz da fé se debilitou, e se afastaram de Deus, deixando de O considerarem relevante na própria vida: são pessoas que deste modo perderam uma grande riqueza, «decaíram» duma alta dignidade – não económica ou de poder terreno, mas a dignidade cristã –, perderam a orientação segura e firme da vida e tornaram-se, muitas vezes inconscientemente, mendigos do sentido da existência. São as inúmeras pessoas que precisam de uma nova evangelização, isto é, de um novo encontro com Jesus, o Cristo, o Filho de Deus (cf. Mc 1, 1), que pode voltar a abrir os seus olhos e ensinar-lhes a estrada. É significativo que, no momento em que concluímos a Assembleia sinodal sobre a Nova Evangelização, a Liturgia nos proponha o Evangelho de Bartimeu. Esta Palavra de Deus tem algo a dizer de modo particular a nós que nestes dias nos debruçamos sobre a urgência de anunciar novamente Cristo onde a luz da fé se debilitou, onde o fogo de Deus, à semelhança dum fogo em brasas, pede para ser reavivado a fim de se tornar chama viva que dá luz e calor a toda a casa.
A nova evangelização diz respeito a toda a vida da Igreja. Refere-se, em primeiro lugar, à pastoral ordinária que deve ser mais animada pelo fogo do Espírito a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade reunindo-se no dia do Senhor para se alimentarem da sua Palavra e do Pão de vida eterna. Aqui gostaria de sublinhar três linhas pastorais que emergiram do Sínodo. A primeira diz respeito aos Sacramentos da iniciação cristã. Foi reafirmada a necessidade de acompanhar, com uma catequese adequada, a preparação para o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia; e reiterou-se também a importância da Penitência, sacramento da misericórdia de Deus. É através deste itinerário sacramental que passa o chamamento do Senhor à santidade, que é dirigido a todos os cristãos. Na realidade, várias vezes se repetiu que os verdadeiros protagonistas da nova evangelização são os santos: eles falam, com o exemplo da vida e as obras da caridade, uma linguagem compreensível a todos.
Em segundo lugar, a nova evangelização está essencialmente ligada à missão ad gentes. A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem da salvação aos homens que ainda não conhecem Jesus Cristo. No decurso das próprias reflexões sinodais, foi sublinhado que há muitos ambientes em África, na Ásia e na Oceânia, onde os habitantes aguardam com viva expectativa – às vezes sem estar plenamente conscientes disso – o primeiro anúncio do Evangelho. Por isso, é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário, cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes pastorais e os fiéis leigos. A globalização provocou um notável deslocamento de populações, pelo que se impõe a necessidade do primeiro anúncio também nos países de antiga evangelização. Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; e a isso corresponde o dever dos cristãos – de todos os cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos – de anunciarem a Boa Nova.
Um terceiro aspecto diz respeito às pessoas baptizadas que, porém, não vivem as exigências do Baptismo. Durante os trabalhos sinodais, foi posto em evidência que estas pessoas se encontram em todos os continentes, especialmente nos países mais secularizados. A Igreja dedica-lhes uma atenção especial, para que encontrem de novo Jesus Cristo, redescubram a alegria da fé e voltem à prática religiosa na comunidade dos fiéis. Para além dos métodos tradicionais de pastoral, sempre válidos, a Igreja procura lançar mão de novos métodos, valendo-se também de novas linguagens, apropriadas às diversas culturas do mundo, para implementar um diálogo de simpatia e amizade que se fundamenta em Deus que é Amor. Em várias partes do mundo, a Igreja já encetou este caminho de criatividade pastoral para se aproximar das pessoas afastadas ou à procura do sentido da vida, da felicidade e, em última instância, de Deus. Recordamos algumas missões urbanas importantes, o «Átrio dos Gentios», a missão continental, etc.. Não há dúvida que o Senhor, Bom Pastor, abençoará abundantemente estes esforços que nascem do zelo pela sua Pessoa e pelo seu Evangelho.
Queridos irmãos e irmãs, Bartimeu, uma vez obtida novamente a vista graças a Jesus, juntou-se à multidão dos discípulos, entre os quais havia seguramente outros que, como ele, foram curados pelo Mestre. Assim são os novos evangelizadores: pessoas que fizeram a experiência de ser curadas por Deus, através de Jesus Cristo. Eles têm como característica a alegria do coração, que diz com o Salmista: «O Senhor fez por nós grandes coisas; por isso, exultamos de alegria» (Sal 126/125, 3). Com jubilosa gratidão, hoje também nós nos dirigimos ao Senhor Jesus, Redemptor hominis e Lumen gentium, fazendo nossa uma oração de São Clemente de Alexandria: «Até agora errei na esperança de encontrar Deus, mas porque Vós me iluminais, ó Senhor, encontro Deus por meio de Vós, e de Vós recebo o Pai, torno-me herdeiro convosco, porque não Vos envergonhastes de me ter por irmão. Cancelemos, portanto, cancelemos o esquecimento da verdade, a ignorância; e, removendo as trevas que nos impedem de ver como a névoa nos olhos, contemplemos o verdadeiro Deus...; já que, sobre nós sepultados nas trevas e prisioneiros da sombra da morte, brilhou uma luz do céu [luz] mais pura que o sol, mais doce que a vida nesta terra » (Protrettico, 113, 2–114, 1). Amen.

JOVENS.COM PARTICIPAM DA ROMARIA

A Comunidade Santa Rita de Cássia participou da 21ª Romaria Diocesana de N S Conquistadora. Numa viagem muito animada e inesquecivel o grupo de jovens de demais membros da comunidade neste ultimo domingo estiveram em Uruguaiana para manifestar sua fé a nossa Mãe Conquistadora padroeira de Diocese de Uruguaiana.Vejamos algumas fotos:

















domingo, 28 de outubro de 2012

ROMARIA DIOCESANA À NOSSA SENHORA CONQUISTADORA

As chuvas que têm acontecido na região da fronteira oeste não impediram  o povo da diocese de Uruguaiana manifeastar sua fé e festejar a Mãe Conquistadora.
A caminhada até o santuário foi cancelada e foram organizadas missas nas quatro paróquias da cidade para acolher os romeiros vindo dos quatro cantos de nossa Terra Santa.
Aqui vemos a foto da Mãe Conquistadora na catedral.

sábado, 27 de outubro de 2012

Evangelização: Uma Resposta à "sede" dos homens de todo tempo e lugar

Publicada a Mensagem do Sínodo dos Bispos ao Povo de Deus
Luca Marcolivio
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – A Mensagem final da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã foi apresentada nesta manhã na sala de imprensa do Vaticano. O texto foi dividido em 14 pontos.
O documento abre com uma referência ao encontro de Jesus com a Samaritana junto do poço, trazendo a ânfora vazia (cf. Jo 4:5-42): é uma referência para a "sede" dos homens de todos os tempos, muitos “são os poços”, mas é preciso "discernir " para não correr o risco de ruinosas desilusões.
Reconhecendo Cristo como o único portador da "água que dá a vida verdadeira e eterna" e convertendo-se, a mulher samaritana "tornou-se mensageira da salvação e conduz para Jesus toda a cidade”.
Conduzir os homens a Cristo é uma emergência que envolve os cristãos de qualquer tempo e lugar. Hoje, em especial, é necessário “reavivar a fé que corre o risco de ser ofuscada”. Na "mudança de cenários sociais e culturais" todo cristão é chamado a viver de modo renovado a experiência comunitária de fé e o anúncio através de uma evangelização renovada em seu ardor e seus métodos.
A fé se concretiza “no relacionamento que estabelecemos com a pessoa de Jesus, que primeiro vem a nós”.  Na Igreja, "espaço que Cristo oferece na história para encontrá-lo", é importante dar vida a uma “comunidade acolhedora, onde todos os marginalizados encontrem sua casa para experiências concretas de comunhão, que, pelo ardor do amor [...] atraem o olhar desencantado da humanidade contemporânea".
Isso não quer dizer inventar "novas estratégias", mas redescobrir as Escrituras - que os Padres sinodais recomendam a "leitura frequente" - especialmente a "vida de Jesus" e a maneira através da qual as pessoas se aproximaram Dele e por Ele se sentiram chamadas e adaptadas às condições do nosso tempo.
O ponto de partida da evangelização está em "evangelizar a nós mesmos", dispondo-nos a conversão. "Sabemos - escrevem os Padres sinodais - que devemos reconhecer humildemente nossa vulnerabilidade às feridas da história e não hesitar em reconhecer os nossos pecados pessoais".
Ao mesmo tempo, temos que confiar em uma renovação cuja fonte é "a força do Espírito do Senhor" e, portanto não depender exclusivamente da nossa força humana limitada. É nosso dever "vencer o medo com a fé, o desânimo com a esperança, a indiferença com o amor”.
Quando temos consciência de que o Senhor venceu a morte e que Seu Espírito opera poderosamente na história, “não há espaço para o pessimismo”. "A nossa Igreja é viva e enfrenta com a coragem da fé e do testemunho de tantos de seus filhos os desafios da história", lê-se na mensagem,
A evangelização sempre teve como "lugar natural" a família que "é atravessada por toda parte por fatores de crise, cercada por modelos de vida que a penalizam" e, por esta razão, deve ser dado um "tratamento especial" em vista da missão que ocupa na Igreja.
Os Padres sinodais não negligenciaram o fenômeno da ‘convivência’ e as "situações familiares irregulares construídas após o fim de casamentos anteriores: acontecimentos dolorosos em que também sofre a educação à fé dos filhos". A Igreja também ama estes irmãos e as comunidades devem ser “acolhedoras para com aqueles que vivem em tais situações" e apoiar "caminhos de conversão e de reconciliação".
Das comunidades eclesiais emerge acima de tudo, o papel da paróquia que permanece "indispensável", embora "as novas condições possam pedir seja a adaptação em pequenas comunidades seja relações de colaboração em contextos mais amplos".
A paróquia se torna um veículo para a nova evangelização, permeando "as várias, e importantes expressões de piedade popular". Na vida paroquial, cada figura deve receber a justa valorização: do pároco ao diácono, do catequista ao ministro, até o animador.
Sobre a juventude, os Padres sinodais expressaram uma visão "preocupante", mas "longe de ser pessimista”. Sobre os jovens convergem "as forças mais agressivas dos tempos", todavia a eles “deve ser reconhecido um papel ativo na obra da evangelização, especialmente para o seu mundo”.
No mundo da juventude destaca-se em particular a Jornada Mundial da Juventude, mas existem outras realidades "não menos atraentes, como as várias experiências de espiritualidade, de serviço, e de missão".
O mundo da arte é de considerável importância e a via pulchritudinis, o Caminho da Beleza, é considerada "uma forma particularmente eficaz na nova evangelização".
Através do trabalho, acrescentaram os Padres sinodais, o homem torna-se "cooperador da criação de Deus”. Por esta razão, deve ser resgatado "das condições que o tornam algumas vezes um fardo intolerável e uma perspectiva incerta, ameaçado hoje pelo desemprego, especialmente entre os jovens”.
Outro ponto foi dedicado à política "à qual é pedido um empenho de cuidado desinteressado e transparente do bem comum", à liberdade religiosa e ao diálogo inter-religioso, instrumento de paz e contribuição contra qualquer forma de "fundamentalismo" e "violência que abate sobre os que crêem, grave violação dos direitos humanos”.
Agradecendo o Papa Bento XVI pelo “dom do Ano da Fé", os Padres sinodais sublinharam a ligação positiva entre este ano e o 50 º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e 20° do Catecismo da Igreja Católica. "São aniversários importantes – comentaram os padres - que nos permitem reiterar a nossa forte adesão ao ensinamento do Concilio e o nosso firme compromisso de continuar a sua plena implementação”.
Duas expressões de fé mencionadas são a vida contemplativa e o serviço aos pobres, “reflexo de como Jesus é ligado a eles”.
O penúltimo ponto diz respeito às Igrejas em diferentes regiões do mundo, com recomendações específicas para os cristãos em cada continente.. Na África, a Igreja é chamada a ser um ponto de encontro entre as culturas antigas e novas, e mediadora para o fim dos conflitos e violências.
Na América do Norte, onde a secularização é bastante avançada, os cristãos devem ser abertos, especialmente em relação aos imigrantes e refugiados.
Na América Latina prevalece os desafios da pobreza e da violência, juntamente com aqueles - mais recente - do pluralismo religioso.
As comunidades cristãs da Ásia, entre as mais prejudicadas e perseguidas no mundo, sendo a minoria, são encorajadas a firmeza na fé.
A Europa, marcada por uma secularização enraizada e muitas vezes agressiva, deve, através de suas comunidades cristãs, responder a este desafio e superá-lo, encontrando nisto "uma oportunidade para um anúncio mais alegre e mais vivo de Cristo e de seu Evangelho de vida”.
Aos cristãos da Oceania, recomenda-se o "compromisso de pregar o Evangelho e fazer Jesus conhecido no mundo de hoje”.
Uma chamada final feita pelos Padres sinodais à Maria Santíssima, que "nos guia no caminho”. É a Ela, Estrela da Nova Evangelização, que os cristãos confiam, a fim que seja luz na noite do deserto.

Como fazer a Boa Notícia ecoar na vida dos cristãos?

Na vida concreta, evangelização e catequese se misturam. Mas, para torná-las mas frutuosas, é possível e necessário distinguir, pelo menos do ponto de vista didático, estas duas expressões da única dinâmica da fé. A evangelização é o anúncio inculturado e atualizado da Boa Notícia de Deus, assim como foi experimentada e proposta por Jesus de Nazaré. E a catequese é, etimologicamente, fazer com que o Evangelho produza eco, é o aprofundamento mais sistemático e articulado deste anúncio substancial.
O Instrumentum Laboris do próximo Sínodo dos Bispos observa que, não sendo uma ação individual mas  comunitária e ecleisal, a transmissão da fé não deveria se preocupar em encontrar estratégias comunicativas eficazes nem com a seleção dos destinatários, mas refletir adequadamente sobre o próprio sujeito da evangelização (cf. IL, § 39). Ou seja, a Igreja deve refletir e encontrar em si mesma parte das causas que dificultam a aceitação do Evangelho e o seu enraizamento na cultura atual.
Esta é uma tarefa urgentíssima e exigente, mas chamar isso de ‘nova evangelização’ não parece apropriado. A palavra que a Igreja dirige a si mesma, aos diferentes grupos que a compõem, não se chama propriamente evangelização, mas catequese. É verdade que alguém deve repropor permanentemente a Boa Notícia de Jesus Cristo aos membros da Igreja, mas isso configura um processo permanente de educação da fé, com diferentes etapas e recursos variados. E quando se trata de remover os obstáculos que a vida dos fiéis, mas também as velhas tradições e pesadas estruturas, interpõem à credibilidade do seu anúncio, o que se necessita não é de evangelização mas de conversão pessoal e de mudança estrutural, e esse é um percurso que também merece ser pensado com atenção e profundidade. Sendo verdade que a catequese e a conversão não se reduzem à simples escolha de estratégias, também o é que sem caminhos, percursos ou instrumentos adequados a Palavra de Deus não produz eco na vida e na sociedade, e a conversão permanente e necessária da Igreja não passa de intenção vazia e proposta escapista.
No Instrumentum Laboris pede-se também que os Bispos Sinodais se interroguem seriamente se a falta de fecundidade da evangelização e da catequese do nosso tempo não seria acima de tudo um problema eclesiológico e espiritual. Poderia acontecer que os métodos usados pela catequese, no contexto de uma cultura secularizada, não estejam levando a uma fé madura e à sua transmissão. E recomenda-se que os Bispos reflitam sobre como desenvolver uma catequese que articule convenientemente fidelidade à revelação e fidelidade à pessoa humana culturalmente situada; que seja integral na transmissão fiel do núcleo da fé e, ao mesmo tempo, saiba falar às pessoas de hoje, escutando suas interrogações e animando suas buscas (cf. IL, § 104).
Esta é uma questão absolutamente fundamental, mas os problemas começam exatamente na idéia de pessoa humana e no conceito de fé e de revelação que a Igreja veicula! Quem ousar entrar nesse campo se defrontará com ‘minas’ espalhadas por todos os lados, com visões abstratas e tremendamente moralistas, legalistas e institucionalizadas. Mesmo que alguns discursos queiram mostrar diversamente, a prática hegemônica da hierarquia católica demonstra que ela não se dá bem com pessoas humanas e comunidades eclesiais maduras, autônomas, questionadoras, criativas. Da mesma forma, teme projetos de catequese e de evangelização que procuram encarnar a Boa Notícia de Jesus Cristo nas buscas e lutas humanas de hoje e traduzí-la numa linguagem minimamente compreensível ao nosso tempo.
Se a fé dos fiéis católicos e das comunidades eclesiais é infantil, imatura e impotente, isso não se deve prioritariamente à sua falta de boa vontade ou aos seus limites. O problema é estrutural, e tem sua origem numa instituição eclesiástica que prefere repetir fórmulas antigas e vazias de sentido e tem medo da inovação; que canoniza os fiéis obedientes e submissos e estigmatiza aqueles que questionam e propugnam por novas expressões da fé e por sua encarnação na cultura atual, assim como pela renovação de estruturas eclesiásticas anacrônicas e às vezes anti-evangélicas.
Itacir Brassiani msf

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"O que significa crer hoje?"



Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de outubro de 2012(ZENIT.org) - Apresentamos as palavras de Bento XVI dirigidas aos fiéis e peregrino reunidos na Praça de São Pedro para a tradicional audiência de quarta-feira..
Queridos irmãos e irmãs,
Quarta-feira passada, com o início do Ano da Fé, comecei uma nova série de catequeses sobre a fé. E hoje gostaria de refletir com vocês sobre uma questão fundamental: o que é a fé? Ainda há um sentido para a fé em um mundo cuja ciência e a técnica abriram horizontes até pouco tempo impensáveis? O que significa crer hoje? De fato, no nosso tempo é necessária uma renovada educação para a fé, que inclua um conhecimento das suas verdades e dos eventos da salvação, mas que sobretudo nasça de um verdadeiro encontro com Deusem Jesus Cristo, de amá-lo, de confiar Nele, de modo que toda a vida seja envolvida.
Hoje, junto a tantos sinais do bem, cresce ao nosso redor também um certo deserto espiritual. Às vezes, tem-se a sensação, por certos acontecimentos dos quais temos notícia todos os dias, que o mundo não vai em direção à construção de uma comunidade mais fraterna e mais pacífica; as mesmas ideias de progresso e de bem estar mostram também as suas sombras. Apesar da grandeza das descobertas da ciência e dos sucessos da técnica, hoje o homem não parece  verdadeiramente mais livre, mais humano; permanecem tantas formas de exploração, de manipulação, de violência, de abusos, de injustiça...Um certo tipo de cultura, então, educou a mover-se somente no horizonte das coisas, do factível, a crer somente no que se vê e se toca com as próprias mãos. Por outro lado, cresce também o número daqueles que se sentem desorientados e, na tentativa de ir além de uma visão somente horizontal da realidade, estão dispostos a crer em tudo e no seu contrário. Neste contexto, surgem algumas perguntas fundamentais, que são muito mais concretas do que parecem à primeira vista: que sentido tem viver? Há um futuro para o homem, para nós e para as novas gerações? Em que direção orientar as escolhas da nossa liberdade para um êxito bom e feliz da vida? O que nos espera além do limiar da morte? 

Destas insuprimíveis perguntas emergem como o mundo do planejamento, do cálculo exato e do experimento, em uma palavra o saber da ciência, mesmo sendo importante para a vida do homem, sozinho não basta. Nós precisamos não apenas do pão material, precisamos de amor, de significado e de esperança, de um fundamento seguro, de um terreno sólido que nos ajude a viver com um senso autêntico também nas crises, na escuridão, nas dificuldades e nos problemas cotidianos. A fé nos dá exatamente isto: é um confiante confiar em um “Tu”, que é Deus, o qual me dá uma certeza diferente, mas não menos sólida daquela que me vem do cálculo exato ou da ciência.A fé não é um simples consentimento intelectual do homem e da verdade particular sobre Deus; é um ato com o qual confio livremente em um Deus que é Pai e me ama; é adesão a um “Tu” que me dá esperança e confiança. Certamente esta adesão a Deus não é privada de conteúdo: com essa sabemos que Deus mesmo se mostrou a nós em Cristo, mostrou a sua face e se fez realmente próximo a cada um de nós. Mais, Deus revelou que o seu amor pelo homem, por cada um de nós, é sem medida: na Cruz, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus feito homem, nos mostra do modo mais luminoso a que ponto chega este amor, até a doação de si mesmo, até o sacrifício total. Com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, Deus desce até o fundo na nossa humanidade para trazê-la de volta a Ele, para elevá-la à sua altura. A fé é crer neste amor de Deus que não diminui diante da maldade do homem, diante do mal e da morte, mas é capaz de transformar cada forma de escravidão, dando a possibilidade da salvação.Ter fé, então, é encontrar este “Tu”, Deus, que me sustenta e me concede a promessa de um amor indestrutível que não só aspira à eternidade, mas a doa; é confiar-se em Deus como a atitude de uma criança, que sabe bem que todas as suas dificuldades, todos os seus problemas estão seguros no “Tu” da mãe. E esta possibilidade de salvação através da fé é um dom que Deus oferece a todos os homens. Acho que deveríamos meditar com mais frequência – na nossa vida cotidiana, caracterizada por problemas e situações às vezes dramáticas – sobre o fato de que crer de forma cristã significa este abandonar-me com confiança ao sentido profundo que sustenta a mim e ao mundo, aquele sentido que nós não somos capazes de dar, mas somente de receber como dom, e que é o fundamento sobre o qual podemos viver sem medo. E esta certeza libertadora e tranquilizante da fé devemos ser capazes de anunciá-la com a palavra e de mostrá-la com a nossa vida de cristãos. 

Ao nosso redor, porém, vemos todos os dias que muitos permanecem indiferentes ou recusam-se a acolher este anúncio. No final do Evangelho de Marcos, hoje temos palavras duras do Ressuscitado que diz: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 16), perde a si mesmo. Gostaria de convidá-los a refletir sobre isso. A confiança na ação do Espírito Santo, nos deve impulsionar sempre a andar e anunciar o Evangelho, ao corajoso testemunho da fé; mas além da possibilidade de uma resposta positiva ao dom da fé, há também o risco de rejeição ao Evangelho, do não acolhimento ao encontro vital com Cristo.Santo Agostinho já colocava este problema em seu comentário da parábola do semeador: “Nós falamos – dizia – lançamos a semente, espalhamos a semente. Existem aqueles que desprezam, aqueles que reprovarão, aquelas que zombam. Se nós temos medo deles, não temos mais nada a semear e no dia da ceifa ficaremos sem colheita. Por isso venha a semente da terra boa” (Discurso sobre a disciplina cristã, 13, 14: PL 40, 677-678). A recusa, portanto, não pode nos desencorajar. Como cristãos somos testemunhas deste terreno fértil: a nossa fé, mesmo com nossos limites, mostra que existe a terra boa, onde a semente da Palavra de Deus produz frutos abundantes de justiça, de paz e de amor, de nova humanidade, de salvação. E toda a história da Igreja, com todos os problemas, demonstra também que existe a terra boa, existe a semente boa, e traz fruto.
Mas perguntamo-nos: de onde atinge o homem aquela abertura do coração e da mente para crer no Deus que se fez visível em Jesus Cristo morto e ressuscitado, para acolher a sua salvação, de forma que Ele e seu Evangelho sejam o guia e a luz da existência? Resposta: nós podemos crer em Deus porque Ele se aproxima de nós e nos toca, porque o Espírito Santo, dom do Ressuscitado, nos torna capazes de acolher o Deus vivo. A fé então é primeiramente um dom sobrenatural, um dom de Deus.O Concílio Vaticano II afirma: “Para que se possa fazer este ato de fé, é necessária a graça de Deus que previne e socorre, e são necessários os auxílios interiores do Espírito Santo, o qual mova o coração e o volte a Deus, abra os olhos da mente, e doe ‘a todos doçura para aceitar e acreditar na verdade’” (Cost. dogm. Dei Verbum, 5). Na base do nosso caminho de fé tem o Batismo, o sacramento que nos doa o Espírito Santo, fazendo-nos tornar filhos de Deus em Cristo, e marca o ingresso na comunidade de fé, na Igreja: não se crê por si próprio, sem a vinda da graça do Espírito; e não se crê sozinho, mas junto aos irmãos. A partir do Batismo cada crente é chamado a re-viver e fazer própria esta confissão de fé, junto aos irmãos.
A fé é dom de Deus, mas é também ato profundamente livre e humano. O Catecismo da Igreja Católica o diz com clareza: “É impossível crer sem a graça e os auxílios interiores do Espírito Santo. Não é, portanto, menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade e nem à inteligência do homem” (n. 154). Mas, as implica e as exalta, em uma aposta de vida que é como um êxodo, isso é, um sair de si mesmo, das próprias seguranças, dos próprios esquemas mentais, para confiar na ação de Deus que nos indica a sua estrada para conseguir a verdadeira liberdade, a nossa identidade humana, a verdadeira alegria do coração, a paz com todos. Crer é confiar com toda a liberdade e com alegria no desenho providencial de Deus na história, como fez o patriarca Abraão, como fez Maria de Nazaré. A fé, então, é um consentimento com o qual a nossa mente e o nosso coração dizem o seu “sim” a Deus, confessando que Jesus é o Senhor. E este “sim” transforma a vida, abre a estrada para uma plenitude de significado, a torna nova, rica de alegria e de esperança confiável.
Caros amigos, o nosso tempo requer cristãos que foram apreendidos por Cristo, que cresçam na fé graças à familiaridade com a Sagrada Escritura e os Sacramentos. Pessoas que sejam quase um livro aberto que narra a experiência da vida nova no Espírito, a presença daquele Deus que nos sustenta no caminho e nos abre à vida que nunca terá fim. Obrigado.
Ao final o Santo Padre dirigiu a seguinte saudação em português:
Uma cordial saudação para todos os peregrinos de língua portuguesa, com menção particular dos grupos de diversas paróquias e cidades do Brasil, que aqui vieram movidos pelo desejo de afirmar e consolidar a sua fé e adesão a Cristo: o Senhor vos encha de alegria e o seu Espírito ilumine as decisões da vossa vida para realizardes fielmente o projeto de Deus a vosso respeito. Acompanha-vos a minha oração e a minha Bênção.
(Trad.MEM)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SANTUÁRIO Á NOSSA SENHORA CONQUISTADORA

MOSAICO DE NOSSA SENHORA CONQUSTADORA


Caros diocesanos.
Estamos para celebrar a 21ª Romaria Diocesana de Nossa Senhora Conquistadora, a realizar-se no dia 28 de outubro próximo. Como nos anos anteriores, queremos formar a grande família diocesana, caminhando como irmãos e irmãs, reunidos por Maria, para o Santuário, local do momento alto, quando celebraremos a Eucaristia, precedida da bênção do novo mosaico de nossa Mãe Conquistadora. Sim, em todos os anos temos algo de novo que nos surpreende ao nos aproximarmos do local do Santuário. À medida que formos chegando ao Altar Monumento, nós veremos Nossa Senhora Conquistadora, apresentada em grande e colorido mosaico de cerâmica, a fim de identificar para quem estamos dedicando esse local sagrado. O quadro evoca também sua origem missioneira, a partir da representação dos três Mártires das Missões: Santos Roque Gonzáles, Afonso Rodrigues e João de Castilhos, primeiros portadores da imagem de Nossa Senhora.
O belo quadro não possui moldura, porque, ora o céu azul a representa; ora o verde da natureza o circunda; ora somos nós diocesanos que formamos um contorno vivo e cheio de fé, como nos momentos de romaria. Portanto, será um quadro inacabado, sem a nossa presença e do mundo, criado ao redor da Mãe Conquistadora. Sim, Maria não quer ficar sozinha; ela quer junto a si os seus filhos e filhas, reunindo-os em família para conduzi-los ao encontro de Jesus Cristo. Que ela continue a nos cativar, a nos atrair, a nos conquistar, também em nosso tempo, assim como nos primórdios da difusão do cristianismo nessas Terras da Fronteira Oeste do Estado, segundo nos relata a história de sua primeira presença entre os nativos.
Como a Mãe Conquistadora você também é chamado, nos diz o lema da Romaria Diocesana de 2012. Seja esta grande manifestação de fé e devoção a Maria um momento para animar todos e todas na sua vocação à santidade e de participação efetiva na missão evangelizadora, em nossas comunidades. Ela foi a primeira e mais fiel discípula missionária de seu Filho Jesus, tornando-se nosso modelo e intercessora. Como nos diz o Papa Bento XVI: permaneçam na escola de Maria. Ela nos ensinará a viver o projeto de Deus com fidelidade e amor em nossos estados de vida, como leigos, como consagrados ou como ordenados.
Com alegria, constata o Documento de Aparecida que Maria “tem feito parte do caminhar de cada um de nossos povos, entrando profundamente no tecido de sua história e acolhendo as ações mais nobres e significativas de sua gente. Os diversos títulos e os santuários espalhados por todo Continente testemunham a presença próxima de Maria às pessoas, e ao mesmo tempo manifestam a fé e a confiança que os devotos sentem por ela. Ela pertence a eles e eles a sentem como mãe e irmã” (DAp 269).
Está chegando o grande momento mariano da Diocese de Uruguaiana: a 21ª Romaria Diocesana de Nossa Senhora Conquistadora. Motivemo-nos uns aos outros, convidemos nossos familiares, amigos e vizinhos para caminharmos juntos com a Mãe Conquistadora, ao encontro de seu Santuário, onde abençoaremos sua imagem, onde escutaremos a Palavra de seu Filho e onde celebraremos a Eucaristia, momento alto de nosso peregrinar ao encontro do Senhor.
No dia 28 de outubro, às 08h e 30 min, em frente à catedral, venham caminhar conosco e com a Mãe Conquistadora para o local do Santuário, sempre mais lindo, porque sempre mais de Maria e nosso!
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana







domingo, 21 de outubro de 2012

JOVENS.COM CONSTRUINDO SUA BANDEIRA

Os JOVENS.COM já estão com sua bandeira pronta para com ela participarem da Romaria Diocesana de Nossa Senhora Conquistadora e para receber a Cruz da Jornada Mundial da Juventude.



                                               Colocando no papel as primeiras ideias



                                           Agora já definida, os jovens pintam a bandeira



                                           O grupo trabalhando na pintura da bandeira.

sábado, 20 de outubro de 2012

Família e vida social

Reflexões de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte
BELO HORIZONTE, sexta-feira, 19 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - Já não se ouve com a mesma intensidade aquele refrão que repetiu, por décadas, um veredito a respeito do fim da família. De sociólogos a outros tantos especialistas de diferentes áreas, há uma convicção incontestável de que a família tem centralidade e uma importância determinante na vida de cada pessoa. É um grande ganho fortalecer esse entendimento. A família é o lugar primário da humanização de cada um e da sociedade, um berço de vida e amor.
Nenhum lugar é tão favorável para o conhecimento e a experiência de Deus. Na família, a fé é transmitida pelo amor. Os limites conhecidos e experimentados não obscurecem ou invalidam esta força própria, até mágica e não palpável, que a família, como escola de amor, exerce na tarefa educativa. A Igreja Católica, em parceria com muitos segmentos da sociedade civil, considera a família como a primeira sociedade natural, titular de direitos próprios e originários. É fácil constatar o lugar central que é dado à família na vida social. Excluir ou deslocá-la desse lugar é correr o sério risco de causar um grave dano ao crescimento do corpo social inteiro.
Para compreender melhor a centralidade da família, é preciso compreender, à luz da Doutrina Social da Igreja, que essa instituição “nasce da íntima comunhão de vida e de amor, fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher, com dimensão social própria e originária, lugar primário de relações interpessoais, instituição divina colocada como fundamento da vida das pessoas e como molde de todo ordenamento social”. Não se pode desprezar a força que cada família agrega nos avanços sociais e na consciência política, bem como na experiência indispensável da féem Deus. Nãose pode ignorar, deixar de aprofundar e de refletir sobre a indiscutível importância da família para a pessoa.
Há um ambiente de vida criado pelo dom recíproco de um homem e uma mulher, chamados a viver como compromisso de amor. Este é o ambiente indispensável para que a criança desenvolva suas potencialidades e torne-se consciente de sua dignidade - o dom mais precioso para cada pessoa. Além disso, esta consciência sustenta a cidadania, que articula relações sociais e políticas dando à sociedade as condições necessárias para ser solidária e fraterna. Perdida esta consciência, ou mal formada, desvios de todo tipo podem sacrificar o caminho e os destinos da humanidade.
A sociabilidade humana, aprendida e experimentada na família, é determinante na sustentação da sociedade, do tecido de sua cultura. Esta sociabilidade é indispensável porque contribui de modo único para o bem comum. Por isso, a família deve ser prioridade. No horizonte dessa rica compreensão é que se discute a inoportuna equiparação legislativa entre família e uniões de fato. Esta equivalência está na contramão do modelo de família que não pode reduzir-se a uma precária relação entre pessoas. O debate público contemporâneo se defronta com o ideal de família que compreende a união permanente, originada pelo pacto entre um homem e uma mulher, fundado sobre uma escolha recíproca e livre. Uma escolha que implica a plena comunhão conjugal orientada para a procriação.
Pensando a tarefa educativa própria da família, é oportuno relacioná-la sempre com a vida econômica e com o trabalho. A família, quando protagonista da vida econômica, ensina a importância da partilha e da solidariedade entre as pessoas. De modo particular, é decisiva na formação profissional. A sociedade ganha quando a família faz do cidadão um trabalhador incansável, engajado na promoção do bem. Em se considerando a necessidade de avanços culturais e econômicos, a família precisa contribuir, sobretudo, com a educação para o sentido do trabalho, ajudar na oferta de orientações. A família tem, pois, um papel determinante no desenvolvimento integral humano, garantindo a qualificação da vida social.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

O Catecismo da Igreja Católica

Reflexões de Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro
RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 19 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - A Igreja comemora, agora em 2012, os 20 anos do Catecismo da Igreja Católica! Este momento vem ao encontro do “Ano da Fé”, anunciado e aberto pelo Papa Bento XVI no dia 11 de outubro, pp., que pede a retomada catequética juntamente com uma vida de sincera conversão. Torna-se oportuno aproveitar estas comemorações para recordar os fundamentos da nossa fé e os valores que os sacramentos imprimem em nossa vida.
Neste tempo de tantas possibilidades e ofertas, não podemos nos esquecer de que precisamos voltar nosso olhar e interesse pelas coisas de Deus. Por isso, torna-se mais do que necessário retomar a leitura da publicação do Catecismo da Igreja Católica, aprovado a partir da “Fidei Depositum”, (11 de outubro de 1992, do Beato João Paulo II) atualizado após o Concílio Ecumênico Vaticano II.
Guardar o depósito da fé é a missão que Jesus Cristo deixou como legado à sua Igreja. Este legado a acompanha em todos os tempos. Nós, seguidores de Cristo, estamos inseridos neste tempo e somos responsáveis pela missão. Portanto, hoje, novamente se faz necessário reconhecer seus ensinamentos e comunicá-los aos que ainda Nele não creem. Nisto acontece o resplendor do anúncio do Evangelho!
Celebrar este aniversário é rememorar os valores da nossa vida cristã e a nossa fidelidade a Cristo. Recordando nosso olhar para a vida do homem nós conseguimos reconhecer a Deus. Enquanto homens que nos identificamos com Ele, vivemos e transmitimos a fé. Daí a importância da nossa catequese.
O Catecismo da Igreja Católica é um instrumento para orientar todos os fiéis no caminho de Cristo, que, consequentemente, os leva no caminho ao encontro com os irmãos.
Deve-se reconhecer que o Catecismo é denso, refletindo em toda a primeira parte a “Profissão de fé” do batizado. Há ali uma reciprocidade entre a revelação de Deus para o homem e a resposta humana de fidelidade. Ali se dá também a articulação dos “três capítulos”: a fé na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.
Já em seguida se estuda como se dá a ação de Deus (para manifestar a Salvação) na realização das obras de Jesus Cristo e da ação do Espírito Santo, também hoje pronunciadas e manifestadas nas liturgias que são celebradas. Por isso, a liturgia é o pedestal da vivência dos Sacramentos da Fé.
São “bem-aventurados” os que se identificam numa ação livre e despojada, munidos pela fé e graça de Deus, em favor dos pobres e descrentes. Aí se manifesta a caridade, que acontece a partir dos Mandamentos de Deus.
Porém, toda a ação do cristão, mesmo fundamentada na catequese, se torna fraca se não for alimentada pela oração. Daí a importância da oração contínua na vida de fé. O Catecismo da Igreja Católica foi assim pensado para condensar a doutrina e os valores da fé católica. Em sua linguagem encontramos inúmeras referências bíblicas. Algumas não são citadas, mas o estudo e a reflexão apresentados vêm ao encontro do que Jesus ensinou aos seus discípulos e às multidões que O seguiam, presentes na Sagrada Escritura. Os Evangelhos registram o que Jesus falou e fez em favor dos que querem seguir e estar com Deus. Este “estar com Deus” se inicia no aqui e agora toda vez que vivemos plenamente os valores por Ele ensinados.
O “Ano da Fé” nos aproxima oportunamente a reler o Catecismo da Igreja Católica para sermos mais santos, fraternos e humanos. Deus abençoe a todos na recuperação do estudo do Catecismo da Igreja Católica!
          † Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro,

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A fé cristã, operante na caridade e forte na esperança, não limita, mas humaniza a vida.

Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 17 de outubro de 2012(ZENIT.org)- Publicamos a seguir a catequese realizada por Bento XVI durante a Audiência Geral desta quarta-feira, dirigida aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
O Ano da Fé. Introdução.
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje vou apresentar o novo ciclo de catequese, que se desenvolve durante todo o Ano de Fé  inaugurado recentemente  e que interrompe - por este período - o ciclo dedicado à escola de oração. Com a Carta Apostólica Porta Fidei convoquei este Ano especial,  para que a Igreja renove o entusiasmo de crerem Jesus Cristo, o único salvador do mundo, reaviva a alegria de andar no caminho que nos indicou, e testemunhe de maneira concreta a força transformadora da fé.
A ocorrência dos cinqüenta anos da abertura do Concílio Vaticano II é uma importante ocasião para retornar a Deus, para aprofundar e viver com maior coragem a própria fé, para fortalecer a pertença à Igreja, "mestra de humanidade", que, através do anúncio da Palavra, a celebração dos Sacramentos e obras de caridade nos leva a encontrar e conhecer a Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Este não é o encontro com uma idéia ou um projeto de vida, mas com uma Pessoa viva que transforma profundamente a nós mesmos, revelando a nossa verdadeira identidade de filhos de Deus. O encontro com Cristo renova nossas relações humanas, orientando-as, dia a dia, a uma maior solidariedade e fraternidade, na lógica do amor. Ter fé no Senhor não é algo que interessa apenas à nossa inteligência, a área do saber intelectual, mas é uma mudança que envolve a vida, todo o nosso ser: sentimento, coração, inteligência,  vontade, corporeidade, emoções, relacionamentos. Com a fé realmente tudo muda em nós e para nós, e revela com clareza o nosso destino futuro, a verdade da nossa vocação na história, o sentido da vida, o gosto de ser um peregrino em direção à Pátria celestial.
Mas – perguntamo-nos - a fé é realmente o poder transformador em nossas vidas, em minha vida? Ou é apenas um dos elementos que fazem parte da existência, sem ser aquele determinante que a envolve totalmente?
Com as catequeses deste Ano da Fé gostaríamos de percorrer um caminho para fortalecer ou reencontrar a alegria da fé, compreendendo que essa não é algo estranho, destacado da vida cotidiana, mas é a alma. A fé em um Deus que é amor, e que se fez próximo ao homem encarnando-se e entregando-se na cruz para nos salvar e reabrir as portas do Céu, de modo luminoso que somente no amor está a plenitude do homem. Hoje é necessário repetir isso claramente, enquanto as transformações culturais em curso muitas vezes mostram diversas formas de barbárie, que passam sob símbolo de "conquistas de civilização": a fé afirma que não há verdadeira humanidade senão nos lugares, gestos, tempos e formas em que o homem é motivado pelo amor que vem de Deus, exprimi-se como dom, se manifesta nas relações plenas de amor, compaixão, atenção e serviço desinteressado para com o outro. Onde há dominação, posse, exploração, mercantilização do outro por egoísmo próprio, onde há arrogância do eu fechado em si mesmo, o homem é empobrecido, degradado, desfigurado. A fé cristã, operante na caridade e forte na esperança, não limita, mas humaniza a vida, de fato torna-a plenamente humana.
A fé é acolher esta mensagem transformadora em nossa vida, é acolher a revelação de Deus, que nos faz conhecer quem Ele é, como age, quais são seus planos para nós. É claro, o mistério de Deus está sempre além dos nossos conceitos e da nossa razão, dos nossos ritos e orações. No entanto, com a revelação o próprio Deus se autocomunica, se diz, torna-se acessível. E nós somos capazes de escutar a Sua Palavra e de receber a sua verdade. Eis então, a maravilha da fé: Deus, no seu amor, cria em nós - através da obra do Espírito Santo - as condições adequadas para que possamos reconhecer a sua Palavra. Deus mesmo, na sua vontade de se manifestar, de entrar em contato conosco, de estar presente em nossa história, nos permite ouvi-lo e acolhê-lo. São Paulo exprime isso com alegria e gratidão: "Por isso é que também nós não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a palavra de Deus, que de nós ouvistes, e a acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, como palavra de Deus, que age eficazmente em vós, os fiéis" (1 Tessalonicenses 2,13).
Deus revelou-se em palavras e obras ao longo de uma história de amizade com o homem, que culmina na Encarnação do Filho de Deus e no seu mistério de morte e ressurreição. Deus não apenas se revelou na história de um povo, não só falou através dos Profetas, mas atravessou seu Céu para entrar na terra dos homens como homem, para que pudéssemos encontrá-lo e ouvi-lo. E de Jerusalém o anúncio do Evangelho da salvação se difundiu até os confins da terra. A Igreja, nascida do lado aberto de Cristo, tornou-se portadora de uma nova sólida esperança: Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado, salvador do mundo, que está sentado à direita do Pai e é o juiz dos vivos e dos mortos. Este é o Kerigma, o anúncio central e disruptivo da fé. Mas desde o início, surgiu o problema da "regra de fé", ou seja, a fidelidade dos crentes à verdade do Evangelho, na qual continuam fortes, à verdade salvadora sobre Deus e sobre o homem a ser preservada e transmitida. São Paulo escreve: "Sereis salvos, se o conservardes [o evangelho] como vo-lo anunciei. Caso contrário, vós teríeis acreditado em vão” (1 Cor 15,2)
Mas onde encontramos a fórmula essencial da fé? Onde encontramos a verdade que nos foi transmitida fielmente e que é luz para a nossa vida cotidiana? A resposta é simples: no Credo, na Profissão de Fé o Símbolo da fé, nós nos reportamos ao evento originário da Pessoa e da História de Jesus de Nazaré; torna-se concreto aquilo que o Apóstolo dos gentios dizia aos cristãos de Corinto: “Vos transmiti, antes de tudo, aquilo que eu também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras, foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia” (1 Cor 15,3).
Também hoje precisamos que o Credo seja conhecido melhor, compreendido e rezado. Sobretudo é importante que o Credo seja, por assim dizer, “reconhecido”. Conhecer, de fato, poderia ser uma operação apenas intelectual, enquanto “reconhecer” quer dizer a necessidade de descobrir a ligação profunda entre a verdade que professamos no Credo e a nossa existência cotidiana, para que estas verdades sejam verdadeiramente e concretamente – como sempre foi – luz para os passos do nosso viver, água que irriga o calor do nosso caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea.  No Credo se engaja a vida moral do cristão, que nesse encontra o seu fundamento e a sua justificativa.
Não é por acaso que o Beato João Paulo II quis que o Catecismo da Igreja Católica, norma segura para o ensinamento da fé e fonte certa para uma catequese renovada, fosse estabelecido no Credo. Tratou-se de confirmar e guardar este núcleo central da verdade da fé, tornando-o uma linguagem mais compreensível aos homens do nosso tempo, a nós. É um dever da Igreja transmitir a fé, comunicar o Evangelho, a fim de que a verdade cristã seja luz nas novas transformações culturais, e os cristãos sejam capazes de dar razões da esperança que portam (cfr 1 Pt3,14). Hoje vivemos em uma sociedade profundamente alterada mesmo em relação a um passado recente, e em contínuo movimento. Os processos da secularização e de uma difundida mentalidade niilista, em que tudo é relativo, marcaram fortemente a mentalidade comum. Assim, a vida é vivida muitas vezes com leveza, sem ideais claros e esperanças sólidas, dentro das ligações sociais e familiares líquidas, provisóriasSobretudo as novas gerações não são educadas para a busca da verdade e do sentido profundo da existência que supera o contingente, para a estabilidade dos afetos, para a confiança. Ao contrário, o relativismo leva a não ter pontos fixos, suspeita e volatilidade causam rupturas nas relações humanas, enquanto a vida é vivida dentro de experiências que duram pouco, sem assumir responsabilidades. Se o individualismo e o relativismo parecem dominar a alma de muitos contemporâneos, não se pode dizer que os que crêem estão totalmente imunes a este perigo, com o qual somos confrontados na transmissão da fé. A pesquisa promovida em todos os continentes para a celebração do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, evidenciou alguns: uma fé vivida de modo passivo e privado, a recusa da educação na fé, o rompimento entre a vida e a fé
O cristão muitas vezes não conhece nem sequer o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço a um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre a verdade de crer e da singularidade salvífica do cristianismo. Não está tão longe hoje o risco de construir, por assim dizer, uma religião “faça você mesmo”. Devemos, em vez disso, voltar para Deus, ao Deus de Jesus Cristo, devemos redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-lo entrar de modo mais profundo nas nossas consciências e na vida cotidiana.
Nas catequeses deste Ano da Fé gostaria de oferecer uma ajuda para percorrer este caminho, para retomar e aprofundar a verdade central da fé em Deus, no homem, na Igreja, em toda a realidade social e cósmica, meditando e refletindo sobre as afirmações do Credo. E gostaria que ficasse claro que este conteúdo ou verdade da fé (fides quae) se conecta diretamente às nossas vidas; pede uma conversão da existência, que dá vida a um novo modo de crer em Deus (fides qua). Conhecer Deus, encontrá-Lo, aprofundar o conhecimento de sua face põe em jogo a nossa vida, porque Ele entra nos dinamismos profundos do ser humano.
Possa o caminho que iremos percorrer neste ano fazer-nos crescer todos na fé e no amor a Cristo, para que aprendamos a viver, nas escolhas e nas ações cotidianas, a vida boa e bela do Evangelho. Obrigado. 

BIBLIA - PALAVRA DE DEUS

Caros Irmãos, queridas Irmãs.
A Bíblia, livro que contém a Palavra de Deus. Nela, como bons ouvintes (na ob-audientia = obediência da fé), encontramos o Senhor que revela nossa vocação e nos envia
em missão. Já afirmamos anteriormente que, a partir da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, os bispos do Brasil prepararam, através de duas Assembléias Gerais, o Documento 97: “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”. Pretende-se, com ele, colher os frutos espirituais e pastorais da Verbum Domini, convidando a “contemplar, com maior amor, o rosto da Palavra, Jesus Cristo”, na casa da Palavra, a Igreja, e sentir o envio em missão (Discípulos e Servidores... 3). O documento objetiva redescobrir na Palavra de Deus nossa fonte renovadora e o coração de toda evangelização (n. 7), dividindo o texto em três capítulos: A Palavra de Deus, Nossa Resposta à Palavra e Os Caminhos da Missão.
A primeira parte aborda a interpretação evolutiva da revelação (Vaticano I e II, respectivamente), passando de uma compreensão instrutiva das realidades sobrenaturais ou doutrinais, que a razão humana deve acolher pela fé (submeter o intelecto), para uma compreensão comunicativa, em que a salvação acontece a partir de um encontro, de forma dialógica, comunicativa, de caráter performativo. Não se trata de apenas aderir às idéias de Jesus, mas à sua pessoa (n. 18). Deus quer encontrar-se com a pessoa humana e transformá-la à sua imagem e semelhança, salvá-la; quer entrar em comunhão com ela, conviver com ela. Sua palavra é igualmente ação (Em hebraico, dabar = palavra, ação, acontecimento). A Palavra cumpre o que anuncia: ela é viva e eficaz, sob a ação do Espírito Santo. Por isso a Verbum Domini usa a expressão Sacramentalidade da Palavra de Deus (DV 56), pois ela não é uma simples palavra escrita e muda, sem vida e efeito.
A segunda parte, Nossa Resposta à Palavra, mostra que o primado da graça exige abertura e adesão da parte do ser humano através da fé, como submissão livre à palavra escutada e acolhida. Ela é a ponte que possibilita “o encontro entre Deus que busca e o ser humano que se deixa encontrar”. Assim a fé torna-se encontro com uma Pessoa, à qual se confia a própria vida (n. 23). É um sim de comunhão a Jesus e, conseqüentemente, também aos outros irmãos.
Este capítulo aborda ainda a questão da animação bíblica de toda a pastoral, como busca constante de ter a Sagrada Escritura como alma de toda ação evangelizadora da Igreja, não simplesmente justaposta às outras pastorais. Esta ocorre através dos eixos da formação, da oração e do anúncio, inspirando-se no texto do encontro de Filipe e do eunuco etíope (At 8, 26-40). É o caminho do conhecimento e interpretação da Palavra, evitando o fundamentalismo e a interpretação ideológica; o caminho de comunhão e oração com a Palavra, que favorece o encontro com Aquele que é a Palavra; e o caminho de evangelização e proclamação da Palavra, sobretudo pelo testemunho profético (nn. 36-66).
A terceira parte (nn. 67-89) ocupa-se com linhas práticas de ação, desde ter o livro da Bíblia, passando pelas instâncias de conhecimento (Iniciação à Vida Cristã, família, estudo, exegese, subsídios...), de oração (Celebrações e ambientes litúrgicos, Homilia, Leitura Orante, Celebrações da Palavra...) até o estado permanente de missão (Gestos concretos, Compromisso pela justiça, Presença na cultura midiática...).
Que Maria - ícone perfeito da fé bíblica - nos ensine como acolher o Verbo, a Palavra, em nosso tempo e em nossa realidade.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O CONCÍLIO VATICANO II E MARIA SANTÍSSIMA

Caros diocesanos.
Há 50 anos, iniciava na Igreja o Concílio Ecumênico Vaticano II, maior evento eclesial do século XX, como já pudemos constatar em nossa mensagem anterior. Um das principais inspirações desse Concílio foi definir a identidade da Igreja como Povo de Deus, do qual todos os batizados são participantes com igual dignidade e têm vocação comum à santidade e são convocados à edificação do Corpo de Cristo, como discípulos missionários (LG 32). No documento conciliar Lumen Gentium (Luz dos Povos), que apresenta a Igreja como Povo de Deus, Maria recebe um capítulo especial, pois ela é considerada como modelo do ser Igreja, Povo de Deus. Estamos no mês de outubro, em que celebramos o cinqüentenário do início do Concílio; é também o mês em que manifestamos especial carinho para com a Mãe de Deus, através da Procissão de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil – e da Romaria Diocesana de Nossa Senhora Conquistadora – Padroeira da Diocese.
No final de sua reflexão sobre a Igreja como Povo de Deus (cap. VIII), a Constituição Dogmática Lumen Gentium fala sobre a participação da Bem-Aventurada Virgem Maria no Mistério de Cristo e da Igreja. Ela concebeu o Verbo da Vida – Jesus Cristo - no coração e no corpo. Já diziam os Santos Padres: “Prius in mente quam ventre Maria concepit” (Maria concebeu antes na mente do que no ventre). Ela, a partir da fé e obediência, consagrou-se totalmente como serva do Senhor, sempre disposta a fazer sua vontade. Ao falar sobre a Igreja, o Concílio quis destacar a missão e os méritos de Maria na salvação realizada por seu Filho Jesus Cristo. O documento conciliar afirma que na Igreja: “ela ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós” (LG 54).
A união (simbiose) entre Mãe e Filho na obra da salvação manifestou-se desde sua concepção até a morte na cruz, onde ela foi dada por Jesus como mãe para todo gênero humano, na pessoa de João (Jo 19, 26-27). Maria fez-se presente até na vinda do prometido Espírito Santo, em Pentecostes (At 1, 14), no alvorecer da Igreja. “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminou o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste” (LG 59). Sua assunção não foi separação, pois Maria está sempre relacionada com a Igreja. Ela é o modelo de Igreja, exemplo de virtudes, sobretudo de união com Cristo. Como membro do Corpo Igreja, por sua constante intercessão continua a cuidar dos irmãos de seu Filho que ainda peregrinam sobre a terra, qual medianeira ou advogada, mesmo sendo Cristo nosso único mediador (LG 62-63). “Quando proclamada e cultuada, leva os fiéis ao seu Filho, ao sacrifício do Filho e ao amor do Pai” (LG 65). Por isso ela é honrada com culto especial pela Igreja, mas este sempre deve conduzir a Cristo: “origem de toda verdade, santidade e piedade” (LG 67).
Na sua admoestação final, ao falar do culto a Maria, o documento conciliar afirma: “Saibam os fiéis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, impulsionados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação das suas virtudes” (LG 67).
Em meio a esta sábia orientação da Igreja, emanada do Concílio Vaticano II, preparemo-nos para a 21ª Romaria Diocesana de Nossa Senhora Conquistadora, a qual acontecerá dia 28 de outubro, partindo da frente da Catedral e dirigindo-se até o local do Santuário, onde daremos a bênção ao novo quadro, em cerâmica, de nossa padroeira e celebraremos a eucaristia, ou seja, Maria nos conduz ao encontro de Jesus. Participe!
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

sábado, 13 de outubro de 2012

EMPOSSADA NOVA COORDENAÇÃO DA COMUNIDADE SANTA RITA DE CÁSSIA

Hoje após a MIssa o Padre Venildo dos Santos, nosso pároco, deu posse a nova coordenação da Comunidade Santa Rita de Cássia. A comunidade escolheu sua coordenação por meio do voto.
Foram as mais votadas: Leda Gonçalves, Marta Figueira e Érica Florindo.
Os JOVENS.COM , nosso grupo de jovens, também escolheu sua coordenação e foram apontadas as jovens: Érica Florindo, Jéssica Pain Santos e Quetlen Larissa Oliveira da Silva.
As duas coordenações integradas formam a equipe da Comunidade Santa Rita de Cássia.
Érica, Quetlen, Pe. Venildo e Jéssica - coordenação jovem

                                                cordenação jovem
Érica, Marta , Pe. Venildo e Leda

                                                 Coordenação Integrada da Comunidade