quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O TEMPO LITÚRGICO DA QUARESMA



Caros diocesanos. Já vislumbramos a chegada do novo tempo litúrgico da Quaresma. A Igreja inicia o ciclo anual das celebrações litúrgicas no primeiro Domingo do Advento e o conclui na solenidade de Cristo - Rei do Universo. O Ano Litúrgico é a celebração dos principais fatos, acontecimentos da História da nossa Salvação, no espaço de um ano. Em cada celebração litúrgica está presente todo mistério (acontecimento) da salvação, mas em cada dia do Ano Litúrgico destaca-se um determinado aspecto deste mistério, sendo que todos se orientam para o mesmo centro: a PÁSCOA.
Tendo já celebrado o Ciclo natalino e parte do Tempo Comum, começaremos, dentro de poucos dias, a Quaresma. Este tempo litúrgico dá início ao longo Ciclo da Páscoa o qual inicia com a quaresma, é seguido pela sua celebração central: o Tríduo pascal da Semana santa; e prolonga-se nos cinqüenta dias de Tempo pascal; sendo concluído na solenidade de Pentecostes.
O tempo litúrgico da quaresma foi introduzido, já no IV século da era cristã, para preparar bem a celebração da Páscoa. Nos primórdios do cristianismo, o batismo era celebrado, na maioria das Igrejas, somente na noite de Páscoa, para mostrar como este sacramento está ligado à morte e ressurreição de Jesus Cristo (Rm 6, 3-4). Se, inicialmente, a Quaresma era um tempo de preparação ao batismo, aos poucos, tornou-se ocasião para todos os cristãos retomarem o que prometeram por ocasião da celebração deste sacramento. Muito cedo, atribuiu-se a este tempo uma conotação penitencial, através da prática do jejum, da esmola e da oração, como ainda fazemos hoje, inspirados no capítulo 6 do Evangelho de Mateus (Mt 6, 1-18).
A quaresma é tempo de penitência, de conversão de vida. É tempo de voltarmos para o estado original, como Deus nos quer, a partir do batismo. A conversão consiste em mudar o modo de ser, de viver, de agir, de relacionar-se. Uma vida segundo o Evangelho. Por isso, no rito da Quarta-Feira de Cinzas, no momento da imposição, o Ministro diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. O centro do Evangelho é o mandamento do amor, ensinado por Jesus Cristo, em palavra e testemunho vivo, ao dar sua vida por nós.
Como brasileiros, desde 1964, estamos acostumados a viver a Campanha da Fraternidade, neste tempo da Quaresma. É a forma original, brasileira, de viver o mandamento da caridade, do amor ao próximo, concretamente. Nós queremos fazer a campanha de sermos mais irmãos, ou seja, uma campanha de fraternidade. É a retomada de consciência do que aconteceu no batismo: tornamo-nos irmãos e irmãs, em Jesus Cristo, filhos e filhas do mesmo Pai. Na Campanha da Fraternidade, em todos os anos, a Igreja do Brasil nos aponta para um dos aspectos concretos da nossa relação fraterna. Em 2013, o tema central é: Fraternidade e Juventude. Nesse contexto é feita também, em todas as comunidades, uma coleta para ajudar os irmãos e irmãs mais necessitados, cuja vida é mais ameaçada do que a nossa. Queremos ajudá-los, ao menos um pouco, para que tenham vida mais digna. Esta coleta, feita no Domingo que antecede a Páscoa, é chamada de Coleta Nacional da Solidariedade.
Finalmente, lembramos que o carnaval é a festa de despedida, antes de iniciar este tempo de penitência e de conversão. O cristão saberá respeitar a espiritualidade da Quaresma, do começo até o fim, e não viverá indiferente à proposta de sua Igreja, que convida a preparar-se dignamente para a solenidade máxima da vida cristã: a PÁSCOA.
Dom Aloísio A. Dilli - Bispo de Uruguaiana
 



A cruz de Jesus é a nova "árvore da vida"

Bento XVI reflete sobre a natureza da criação de Deus

ROMA, 06 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Deus, como "Pai na criação", foi o tema da catequese do papa Bento XVI na audiência geral desta manhã. O credo, disse o Santo Padre, nos recorda em primeiro lugar a Sagrada Escritura (cf. Gn 1,1). Deus é, portanto, "a origem de todas as coisas e é na beleza da criação que se revela a sua onipotência de pai que ama".
"Como pai bom e poderoso, ele toma conta do que criou com amor e lealdade que nunca falham", continuou o papa.
Conforme apontado por São Paulo (cf. Hb 11,3), tendo sido o mundo criado por Deus, é a partir do invisível que toma forma o que é visível, e, assim, a fé significa "ser capaz de reconhecer o invisível mediante as suas marcas no mundo visível".
A inteligência humana pode encontrar na bíblia, à luz da fé, “a chave de interpretação para compreender o mundo”. Os primeiros seis dias da obra da criação divina do mundo são todos finalizados pela afirmação "Deus viu que isso era bom" (Gn 1,4.10.12.18.21.25).
No sétimo dia, dedicado à criação do homem, a afirmação do autor bíblico é reforçada: "Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom" (Gn 1,31).
"Tudo o que Deus cria é bom e belo, cheio de sabedoria e de amor. A ação criadora de Deus traz ordem, harmonia e beleza", ressaltou o papa.
Qual é o sentido, porém, "na era da ciência e da tecnologia, de ainda falarmos da criação?", questionou Bento XVI. "A bíblia não pretende ser um manual de ciências naturais; sua intenção é ajudar a entender a verdade genuína e profunda das coisas", respondeu.
Do Gênesis, portanto, aprendemos que "o mundo não é um conjunto de forças contrastantes, mas que a sua origem e estabilidade estão no Logos, na razão eterna de Deus, que continua a sustentar o universo".
Acreditar que o agir racional de Deus está na base da criação "ilumina cada aspecto da vida e nos dá a coragem de enfrentar com confiança e esperança a aventura da vida", acrescentou o papa.
O ser humano, por sua vez, na sua pequenez e limitação, é "capaz de conhecer e amar seu Criador" (constituição pastoral Gaudium et Spes, 12). A fragilidade humana, disse o papa, convive com "a magnitude do que o eterno amor de Deus quis para nós".
O Gênesis diz que o homem foi criado por Deus do "pó da terra" (cf. Gn 2,7), que torna todos iguais, sem distinções culturais nem sociais. O homem, portanto, não é deus, nem foi criado por si mesmo, mas tem originem "da terra boa, por obra de um Criador bom".
Todo homem é criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 2,7), de quem carregamos o "sopro de vida". "Esta é a razão mais profunda da inviolabilidade da dignidade humana perante qualquer tentação de avaliar a pessoa de acordo com critérios utilitários e de poder", reforçou Bento XVI.
Do Gênesis, prosseguiu ele, emergem duas imagens significativas. A primeira é "a árvore do conhecimento do bem e do mal" (cf. Gn 2,15), ponto de referência em Deus por parte do homem, que deve "reconhecer o mundo não como propriedade a ser saqueada e explorada, mas como um dom do Criador".
E há também a imagem da serpente demoníaca (cf. Gn 2,8-15), que insinua ao homem "a desconfiança de que a aliança com Deus seja como uma corrente que o prende, que o priva da liberdade e das melhores coisas da vida". Daí a origem de todas as tentações: da pretensão de "construir o próprio mundo, de não aceitar as limitações da criatura, os limites do bem e do mal, da moralidade".
Se o homem "perverte a relação com Deus com a mentira, colocando-se no seu lugar, todas as outras relações acabam alteradas" e o outro "se torna um rival, uma ameaça", a ponto de "a inveja e o ódio pelo outro entrarem no coração do homem" e Caim chegar a matar o próprio irmão Abel (Gn 4,39).
Caindo no pecado original, o homem se rebela não apenas contra Deus, mas "contra si mesmo", originando assim "todos os pecados da história". O primeiro pecado é a destruição da "relação com Deus", que, juntamente com as relações humanas, é o ponto de partida para o homem ser ele mesmo.
O homem não pode "redimir-se sozinho". Só Deus pode restaurar as "relações corretas". Se Adão tinha a pretensão de tomar o lugar de Deus, Jesus Cristo reconstrói o "relacionamento filial perfeito com o pai", rebaixando-se, tornando-se "servo" e percorrendo "o caminho do amor, humilhando-se até a morte de cruz"; a mesmo cruz que, assim, se torna "a nova árvore da vida".
Viver de fé, concluiu Bento XVI, significa, portanto, "reconhecer a grandeza de Deus e aceitar a nossa pequenez, a nossa condição de criaturas, deixando que Nosso Senhor a preencha com o Seu amor".

O oitavo dos Dez Mandamentos da Lei de Deus (parte I)

Esse mandamento proíbe mentir e falsear a verdade
Por Pe. Reginaldo Manzotti
CURITIBA, 06 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - O oitavo mandamento da Lei de Deus nos remete ao que está escrito no Antigo Testamento: “Não levantarás falso testemunho contra teu próximo” (Ex 20, 16). E nos faz lembrar também o que Jesus nos diz em Mateus: “Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos” (Mt 5, 33).
Esse mandamento proíbe mentir e falsear a verdade. Essa proibição moral decorre da vocação que todo o cristão deve ter como testemunho de Deus, que é a verdade. E as ofensas a este mandamento se exprimem por palavras, atos ou omissão.
O ser humano tende, naturalmente, à verdade e essa é a sua base. A essência do ser humano é boa, e tende para o bem. Isso é explicado no Evangelho de Mateus, quando Jesus nos ensina: “Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno” (Mt 5, 37).
Assim, nos surge a dúvida: existe mentira branca? Ou seja, a mentira que não prejudica ninguém? Eu digo que não! Não existe mentira branca, porque isso é falsear a verdade. “Dizer sim quando é sim; não quando é não”.
Porém, lembremos que ninguém é obrigado a revelar a verdade para quem não tem o direito de conhecê-la. Portanto, não temos a obrigação de dizer a verdade para todo mundo, mas o dever de não mentir. Então, diante de uma pessoa que não tem nada a ver com o assunto, podemos dizer “não, eu não vou contar”.
As pessoas não podem viver em sociedade se não tiverem confiança recíproca, se a verdade não for algo comum. Essa virtude desenvolve a confiança. Por isso, a veracidade do que se fala é importantíssimo, implica em verdade e discrição.
O discípulo de Cristo deve aceitar viver na verdade e isso é fundamental. Como nos diz São João: “Se dizemos ter comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade” (1Jo 1, 6).
Outra passagem foi quando Pilatos, diante de Jesus Cristo, lavou as mãos. Esse ato de lavar as mãos é mentira, uma mentira branca, pois ele não se comprometeu. Ele sabia a verdade, mas teve medo. Claro que o próprio Nosso Senhor disse “a maior culpa está em quem me entregou”. Mas ele foi conivente.
No Evangelho de João, Jesus diz: “Eu vim para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). O cristão não pode se envergonhar de dar testemunho do Senhor, quando é necessário dar a declaração de fé; quando tem que falar a verdade, pois ela deve ser dita sempre (2 Tm 1, 8). Se somos discípulos, temos que nos configurar a Jesus, pois Ele é a verdade.
Devemos ser livres da mentira, como nos diz São Paulo, na Carta aos Efésios: “Renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros. (Ef 4, 25).”
O pai da mentira é o diabo. Foi Jesus quem disse: Vós tendes como pai o diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Quando alguém profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso. O diabo é o pai da mentira. (Jo 8, 44).
Mas o texto de Pedro é mais ilustrativo e nos mostra que a mentira não pode ter espaço, porque como diz São Pedro: “Toda a mentira, toda a forma de hipocrisia, inveja e maledicência deve ser rejeitada por um discípulo de Jesus” (1Pd 2, 1). Por enquanto, encerramos por aqui e na continuação deste artigo, falaremos sobre as ofensas à verdade.
Padre Reginaldo Manzotti é coordenador da Associação Evangelizar é Preciso – obra que objetiva a evangelização pelos meios de comunicação – e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR). Apresenta diariamente programas de rádio e TV que são retransmitidos e exibidos por milhares de emissoras do país e exterior. Site: www.padrereginaldomanzotti.org.br.
Para ler as catequeses anteriores:
Primeira catequese: http://www.zenit.org/article-30044?l=portuguese