domingo, 6 de janeiro de 2013

A FÉ OPERANTE


Caros diocesanos.
Estamos vivendo o Ano da Fé, iniciado em 11 de outubro do ano passado, em comunhão com toda Igreja. Bento XVI escreveu uma carta apostólica, chamada Porta Fidei (Porta da Fé). No documento o Papa afirma que a graça da fé nos introduz na vida de comunhão com Deus, quando a Palavra anunciada recebe acolhida no coração humano. Entrar pela porta da fé significa iniciar um caminho que dura a vida inteira. Ao falar do motivo deste ano especial, o pontífice afirma que em grandes setores da sociedade há uma profunda crise de fé e por isso não mais podemos supô-la e precisamos de uma nova evangelização para transmiti-la: “Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (Jo 4, 14)... Crer
em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação” (PF 3)... Também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé” (PF 7).
O Santo Padre afirma que o Ano da Fé é um convite à conversão ao Senhor que transforma e purifica os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento da pessoa humana: “A ‘fé, que atua pelo amor’ (Gl 5, 6), torna-se um novo critério de enriquecimento e de ação, que muda toda vida do homem (Rm 12, 2; Cl 3,9-10;Ef 4, 20-29; 2Cor 5, 17)” (PF 6). Realmente a fé não pode ser considerada apenas como doutrina, mas sobretudo como experiência de comunhão com Alguém - Jesus Cristo - e que leva necessariamente ao encontro dos irmãos e das irmãs, sobretudo dos mais fracos e abandonados. A promoção humana não é paralela à fé ou à evangelização; é parte integrante das mesmas. A fé torna-se atuante na caridade, na solidariedade (Gl 5, 6), dando a mão de forma samaritana (Lc 10, 25-37). É como afirmou o Cardeal Hummes na homilia de encerramento do 10º Encontro da Igreja na Amazônia (Santarém – 2012): “A gente vai encontrar o caminho caminhando, não adianta fazer documentos se não se começa a caminhar. É no caminho que os documentos começam a ter vida” (CNBB - Igreja na Amazônia, p. 41).
Portanto, a fé cresce se é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria, permitindo ser um testemunho pessoal e comunitário capaz de gerar novos crentes. Segundo S. Agostinho, os crentes “fortificam-se acreditando” e seu coração só encontrará descanso
em Deus. Afirma o Papa: “Só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus” (PF 7).
Caros Irmãos e Irmãs. A fé cristã é uma atitude pessoal e livre, de entrega amorosa e confiante a Deus. Para os cristãos, Deus é digno de amor, de confiança (oração, diálogo, contemplação...). Assim, a fé nos coloca diante de um TU pessoal, em quem confiamos plenamente. É bem como diz o Documento de Aparecida: começamos a tornar-nos cristãos através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa. É o encontro de fé com a Pessoa de Jesus Cristo (DAp 12 e 243). A fé é a relação de comunhão que estabeleço com Jesus e, por conseqüência, com os irmãos e as irmãs. Ela envolve e ativa todo nosso ser e agir. Por isso, clamemos: “Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!”.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

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