sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Maria no «Ano da Fé»



Não existe na história da Igreja e da teologia, alguém além da Virgem Maria, que concentra em si todo o projeto de Deus na salvação do gênero humano.
Por Dom Rafael Maria,sob
SãO PAULO, 22 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - O «Ano da Fé» proclamado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de Outubro de 2012, e que vai até o próximo ano de 2013, nos orienta a ver em Maria o modelo perfeito do seguimento de Cristo. Na Nova Evangelização, Maria é a Estrela que nos conduz a assimilação coerente do Evangelho de Cristo. Nossa Senhora é por excelência o “Evangelho vivo”. Nela se concentra toda a atenção da Igreja, pois de modo perfeito foi a primeira discípula de Cristo na fé e na ação. O culto a Maria de Nazaré perdura á dois mil anos, seja por escrito como também celebrativo. A liturgia mariana é cristológica e eclesiológica. As celebrações mariana na liturgia oficial da Igreja não é um cultuar a pessoa humana da Kekaritomene (Cheia de graça), mas a ação salvífica trinitária da qual a escolheu para uma cooperação impar na história humana.
Sabiamente, a Igreja nos apresenta celebrações importantes durante o Ano Litúrgico onde se concentram os importantes mistérios da vida da Virgem e seus aspectos cristológicos como a sua Imaculada Conceição, sua Virgindade perpétua. Tais mistérios se concentram na Maternidade divina que recebe do Deus Uno e Trino seu prêmio de fidelidade na sua Assunção gloriosa.. Como se sabe tudo o que aconteceu com a Virgem Maria diz respeito a Igreja que somos nós e por isto a Igreja celebra já aqui e agora o nosso futuro.
Não existe na história da Igreja e da teologia, alguém além da Virgem Maria, que concentra em si todo o projeto de Deus na salvação do gênero humano.
No caminho celebrativo do 50º do Concílio Vaticano II, uma constante formação mariológica se subtrai nas celebrações para 2014 como, a proclamação de Maria, como «Mãe da Igreja», pelo papa Paulo VI (1964), que foi fruto dos esforços do episcopado brasileiro durante o Concílio; os 40 anos da publicação da Carta Encíclica Marialis Cultus (1974) do papa Paulo VI. Um compêndio de máxima importação na orientação do culto litúrgico e popular à Virgem Maria. Documento iluminante que foi consequência do solene e importante documento pós conciliar Vaticano II, a Constituição Apostólica Lumen Gentium, capítulo VIII dedicado exclusivamente a Maria no mistério de Cristo e da Igreja e que em 2014 completará seu cinquentenário (1964). No caminho pós Concílio aurimos luz para uma constante formação mariológica, onde comemoraremos em 2014, os 160 anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo papa Pio IX com a Encíclica Inefabilis Deus (1854).
No contexto brasileiro temos algumas comemorações indicativas e que para muitos é desconhecida. Para 2013 temos os 455 anos da chegada ao Brasil da invocação de Nossa Senhora dos Prazeres na cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo (1558), conhecida como Nossa Senhora da Penha. Única invocação mariana no mundo onde celebra uma festa litúrgica á «Alegria de Maria na ressurreição do Senhor» no período pascal.
Ainda em 2014 temos os 480 anos do nascimento do primeiro mariólogo vindo às terras de Santa Cruz, o apóstolo do Brasil, o beato José de Anchieta (1584); os 360 anos da expulsão dos Holandeses (1654) sob invocação a Nossa Senhora dos Prazeres ou das Alegrias nos Montes Guararapes (Pernambuco). Tal invocação, como aquela de Vitória do Espirito Santo é celebrada na Páscoa. Assim, os 110 anos da coroação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Rainha do Brasil (1904).
Dom Rafael Maria é beneditino e doutor em Mariologia, leciona um «Curso de Mariologia» via internet (cf. www.cursoscatolicos.com.br). Para maiores informações:  d.rafaelmariaosb@hotmail.com

Este é o meu Filho, escutai-o!


 

Meditação da Palavra de Deus - II Domingo da Quaresma
 
Por Frei Patrício Sciadini
CAIRO, 22 de Fevereiro de 2013 (Zenit.org) - Lucas tem uma pedagogia especial e única. Ele sabe como nos conduzir à compreensão dos mais belos e grandes mistérios da vida e da missão de Jesus. Com delicadeza, nos encontramos diante da transfiguração e percebemos toda a importância deste fato. É o coração de Deus, transbordante de amor, que nos revela o coração de Jesus. Na transfiguração, o Pai consagra o seu Filho único, Jesus, como seu único interlocutor, nos dá uma ordem toda particular e ao mesmo tempo firme: “Este é meu filho bem amado, escutai-o!” Saber escutar é um carisma, uma arte que leva a vivenciar, amar e praticar o que se escuta. Parece-me que a escuta não pode parar em nós mesmos, ela deve nos levar, progressivamente, a penetrarmos mais a fundo o mistério de Deus.
Escutar o Filho de Deus
Quatro palavras podem nos ajudar a compreender a dinâmica do conhecimento de Jesus: ESCUTAR, COMPREENDER, AMAR e PRATICAR. Só assim poderemos sair do nosso mundo feito de intimismo, de individualismo e penetrarmos no verdadeiro sentido do escutar o Filho de Deus. Todos nós temos o nosso “tabor”, momentoem que Deus se revela e nos transfigura para podermos compreender a nossa missão e carregar com maior facilidade o mistério da cruz, quando ela nos pesar sobre os frágeis ombros. Para compreender a transfiguração de Jesus e a presença de Moisés e de Elias se faz necessário parar, silenciar o nosso coração e meditar por breves instantes dois grandes acontecimentos da vida de Jesus: a pobreza do nascimento em Belém e a pobreza no calvário quando Ele morre na total desnudez. Entre Belém e o calvário há o tabor que tudo ilumina.
“Tomando consigo Pedro, Tiago e João”
São as testemunhas preferidas de Jesus para transmitir, depois, o que aconteceu no monte. Jesus não esconde nada do que Ele é, mas até que o coração do ser humano não esteja preparado, Cristo se revela em figuras, símbolos, que só aos poucos podemos compreender. Os três serão também testemunhas da ressurreição, no entanto, durante a agonia de Jesus “dormirão”, não terão a capacidade de velar. Coragem e fragilidade se unem no ser humano. Também nós fazemos todos os dias a experiência do não amor a Cristo, revestidos de humanidade e de pecado. “Monte e oração” são duas palavras chaves na leitura do texto de hoje. O monte é lugar de silêncio, de solidão, onde Deus se manifesta. Ele nos chama a subir ao monte para dialogar, para rezar. É urgente redescobrir ao lado das várias formas de oração, “de louvor, de súplica, em línguas”, a oração silenciosa que nos obriga a contemplar sem nada dizer. Não são as palavras que tocam o coração de Deus, mas sim o nosso amor. A oração é respiro, é vida. Da qualidade da nossa oração depende a qualidade de nossa vida cristã, do apostolado, do relacionamento, do trabalho. A oração verdadeira nos “transfigura”, nos dá um rosto novo, luminoso. A qualidade da oração de alguém pode ser comprovada somente na vida de cada dia, no trabalho.. Como o pecado “desfigura” o ser humano, o torna agressivo, violento, assim a oração nos torna pacíficos, calmos e serenos. Deus é amor.
Este é meu Filho amado
O centro da transfiguração é a visão transformante de Cristo e a Palavra de Deus-Pai. Jesus deve ser escutado. São João da Cruz recorda que Jesus é a única palavra do Pai, pronunciada no silêncio e que continua a ser pronunciada em silêncio de amor. O mundo de hoje deve voltar a escutar Jesus. Só assim será feliz. Senhor nosso Deus, dai-nos a graça de escutar Jesus, única palavra de amor, e de sermos transfigurados das nossas “desfigurações” do pecado. Amém!
*Meditação a cura de Frei Patrício Sciadini, ocd, da liturgia diária Pão da Vida, gentilmente cedida pelas Edições Shalom. Maiores informações:www.edicoesshalom.com.br