domingo, 13 de janeiro de 2013

TRANSMISSÃO DA FÉ NA MUDANÇA DE ÉPOCA

Caros diocesanos.
Vivemos profundas mudanças na história da humanidade; estas são rápidas e envolvem a todos nós, atingindo os diversos âmbitos da nossa vida, também o religioso. Por isso não falamos em época de mudanças, mas em Mudança de Época.
A mudança de época que nos envolve se caracteriza por uma séria ruptura entre e Cultura, colocando em crise, de certa forma, a cultura cristã, vigente desde os primeiros séculos, quando o cristianismo se inculturou no mundo greco-romano e foi se desenvolvendo através dos séculos, chegando também ao Brasil com os chamados descobridores, já em 1500. Podemos indicar alguns sinais concretos dessa ruptura em nosso tempo: redução numérica de cristãos católicos (Em
1970, a % de católicos no RS era 91,1. Em 2010, passou para 64,6 - ZH, 30/06/2012, p. 29); secularização; ameaças à vida, em diversas formas; uso inadequado do Nome de Jesus, retirada de crucifixos e de frases cristãs em lugares públicos (cédulas), etc.. Esta realidade cultural emergente não se solucionará simplesmente com reações apologéticas, mas exigirá de nós cristãos uma nova postura no processo de evangelização missionária. Em tempos idos havia clareza e unidade na identificação cristã, tendo como conseqüência uma moral individual e social definida; a transmissão da fé e dos valores cristãos (sacramentos) fazia parte normal do desenvolvimento da vida (DG 39). Com a ruptura entre Fé e Cultura não se pode mais supor (herança): é necessária a pastoral do Anúncio, em vista dum encontro com a Pessoa de Jesus Cristo (DAp 12, 41 e 549 e Porta Fidei 2 e 10), que, por sua vez, pretende levar à profissão e vivência da Fé.
Assim percebemos que os meios utilizados em outros tempos para anunciar Jesus Cristo, já não dão mais resultados satisfatórios. As instituições, como a família e outras, não conseguem mais cumprir sua missão de introduzir seus membros na fé cristã. “A mudança de época exige que o anúncio de Jesus Cristo não seja mais pressuposto, porém explicitado continuamente. O estado permanente de missão só é possível a partir de uma efetiva iniciação à vida cristã... que conduza a um encontro pessoal, cada vez maior com Jesus Cristo”. Esse é um dos sentidos mais urgentes do termo missão, em nossos dias: ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo e encontrar-se com Ele; fascinar-se por Ele e segui-Lo (DG 39-40). A Iniciação à Vida Cristã, portanto, não pode acontecer apenas uma vez na vida, ou seja, na preparação aos sacramentos, mas ela é necessária tantas vezes quantas a vida o exigir em sua dinamicidade e diferentes situações. As atuais Diretrizes Gerais da CNBB afirmam com insistência: “Nossas comunidades precisam ser comunidades diuturnamente mistagógicas, preparadas para permitir que o encontro com Jesus Cristo se faça e se refaça permanentemente” (DG 41). Este estado permanente de missão terá conseqüências para os discípulos missionários: acolhida, diálogo, partilha, familiaridade com a Palavra de Deus e a vida da comunidade. Serão necessárias igualmente estruturas adequadas: grupos de estilo catecumenal (mistagógico) em lugares e horários adequados, devidamente preparados para essa missão. Surgirá novo perfil de agente evangelizador nas comunidades eclesiais (DG 42).
Vivemos, portanto, tempos novos que exigem posturas criativas, com novo ardor, novos métodos e novas expressões, como afirmava João Paulo II. Que o Espírito Santo nos anime e acompanhe nesta missão evangelizadora.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

"Renascer do alto, de Deus, da Graça"

Palavras de Bento XVI ao recitar o Angelus
CIDADE DO VATICANO, 13 de Janeiro de 2013 (Zenit.org) - Apresentamos as palavras pronunciadas ao meio-dia de hoje, durante a oração do Angelus pelo Papa Bento XVI aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
(Antes do Angelus)
Queridos irmãos e irmãs!
Com este domingo após a Epifania se conclui o Tempo litúrgico do Natal: tempo de luz, a luz de Cristo que, como novo sol aparecendo no horizonte da humanidade, dissipa as trevas do mal e da ignorância. Celebramos hoje a festa do Batismo de Jesus: aquele Menino, filho da Virgem, que contemplamos no mistério do seu nascimento; o vemos hoje adulto imergir-se nas águas do rio Jordão, e santificar assim todas as águas e o cosmo inteiro, como evidencia a tradição oriental. Mas porque Jesus, no qual não havia sombra do pecado, fez-se batizar por João? Por que queria cumprir aquele gesto de penitência e de conversão, junto a tantas pessoas que queriam assim preparar-se para a vinda do Messias? Aquele gesto – que marca o início da vida pública de Cristo – coloca-se na mesma linha da Encarnação, da descida de Deus do mais alto céu ao abismo do inferno. O senso deste movimento de abaixamento divino se resume em uma única palavra: amor, que é o nome próprio de Deus. Escreve o apóstolo João: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: Deus mandou ao mundo o seu Filho unigênito, para que vivamos por ele”, e o mandou “como expiação dos nossos pecados” (1 Jo 4, 9-10). Então porque o primeiro ato público de Jesus foi receber o batismo de João, o qual, vendo-o chegar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).
Narra o evangelista Lucas que enquanto Jesus recebendo o batismo, “estava em oração, o céu se abriu e desceu sobre Ele o Espírito Santo em forma corpórea, como uma pomba, e veio uma voz do céu: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer” (3, 21-22). Este Jesus é o filho de Deus que é totalmente imerso na vontade de amor do Pai. Este Jesus é Aquele que morrerá na cruz e ressurgirá pela potência do mesmo Espírito que agora pousa sobre Ele e o consagra. Este Jesus é o homem novo que quer viver como filho de Deus, ou seja, no amor; o homem que frente ao mal do mundo, escolhe a via da humildade e da responsabilidade, escolhe não salvar a si mesmo, mas oferecer a própria vida pela verdade e pela justiça. Ser cristão significa viver assim, mas este estilo de vida comporta um renascimento: renascer do alto, de Deus, da Graça. Este renascimento é o Batismo, que Cristo doou à sua Igreja para regenerar os homens à uma vida nova. Afirma um antigo texto atribuído a santo Hipólito: “Quem cai com fé neste banho de renascimento, renuncia ao diabo e se afeiçoa com Cristo, nega o inimigo e reconhece que Cristo é Deus, se despoja da escravidão e se veste de adoção filial (Discurso da Epifania, 10:pg 10, 862).
Segundo a tradição, nesta manhã tive a alegria de batizar um grande grupo de crianças que nasceram nos últimos três ou quatro meses. Neste momento, gostaria de estender a minha oração e a minha benção a todos os recém nascidos; mas, sobretudo, convidar a todos a recordar do próprio Batismo, daquele renascimento espiritual que nos abriu o caminho da vida eterna. Possa cada cristão, neste Ano da Fé, redescobrir a beleza de ser renascido do alto, do amor de Deus, e viver como filho de Deus.