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Que o Natal sorria para todos e proporcione a paz anunciada pelos anjos, em Belém. Certamente, guardamos na memória, com especial carinho, inúmeros fatos, relativos a esta data, tão significativa aos cristãos, pois as celebrações natalinas evocam o mistério da encarnação: “O Verbo se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Através de Jesus Cristo, Deus assumiu nossa condição humana; veio ser próximo de nós para que nós pudéssemos entrar em comunhão com Ele. A liturgia natalina fala em troca de dons entre o céu e a terra: Jesus veio ao nosso encontro como Deus e nós lhe oferecemos a humanidade: Ele é o Emanuel = Deus conosco.
São Francisco de Assis, para tornar mais visível e sensível este mistério, criou o presépio (1223), em Greggio – Itália. Sobre o fato, escreve seu biógrafo: “O Menino Jesus tinha sido relegado ao esquecimento (cf. Sl 30, 13) nos corações de muitos, mas neles ele ressuscitou, agindo a sua graça por meio de seu servo São Francisco, e ficou impresso na diligente memória deles” (1Celano XXX, 86). Ainda hoje, nas igrejas, nas casas, nas praças e outros locais, nós cultivamos esse rico simbolismo do Deus que se fez pequeno entre nós: o eterno entrou nos limites do tempo, da história humana. Já vimos muitos presépios e a criatividade o torna sempre novo e atrativo. Mas alguns deles, certamente, nos marcaram de modo especial e os recordamos talvez em cada Natal que passa. Um deles, o que mais impressionou até hoje a este que vos fala ou escreve, pela sua originalidade e sentido, foi o da estação ferroviária de Pádua, cidade de Santo Antônio, seguidor de São Francisco de Assis, no Natal de 1980. O que representava este presépio? Em novembro do mesmo ano havia ocorrido um terremoto, com epicentro na Província de Potenza - Itália, de proporções consideráveis. Campanhas de ajuda humanitária eram feitas em todo país, tentando amenizar a dor e os prejuízos dos mais sofridos. O presépio da estação representava, em forma de tendas, as habitações provisórias dos mais atingidos pela catástrofe. Um trenzinho circulava lentamente entre as montanhas e vales, com suas casas destruídas, não deixando de passar pelas tendas da baixada e de parar na estação. Até aí nada de especial. Mas então vem o importante e o original: no meio das tendas encontrava-se uma, mais iluminada, e que pertencia a Maria, José e o Menino Jesus. Era o presépio em meio à realidade daquelas pessoas. O Emanuel tornava-se, de fato, Deus-conosco ou Deus-com-eles; nesse presépio Jesus habitava no meio dos atingidos pelo desastre, na realidade de sua vida; entre eles havia feito sua tenda, assim como na gruta de Belém, quando não havia lugar para eles nas casas. Bem escreveu São Francisco de Assis: “Um Menino santíssimo e dileto nos foi dado e nasceu por nós (cf. Is 9, 6) no caminho e foi colocado no presépio (cf. Lc 2, 7) porque ele não tinha um lugar na hospedaria (cf. Lc 2, 7)” (Ofício da Paixão do Senhor, 5ª parte – No Tempo do Natal do Senhor, 7). Sim, Jesus nascera no caminho, na situação concreta da vida daquelas pessoas, encarnando-se no seu meio para ser luz, esperança e salvação, alívio em sua dor. A estação, onde parava o trenzinho, chamava-se: Solidarietà (Solidariedade). Nós, que olhávamos para o presépio, nos sentimos logo convidados a meditar sobre a sorte dos irmãos sofredores e estimulados a ajudá-los em seu sofrimento, com ações solidárias.No Natal de 2012 o Senhor quer fazer sua tenda em nossa vida, em nossa realidade concreta: nosso coração, família, comunidade, vocação, trabalho, convivência social... Ele quer estar junto a nós, e com todos, pois veio para ser o Emanuel: Deus conosco (Is 7, 14). Há lugar para Ele? Caso tivermos, convidemo-lo e Ele virá! Feliz Natal com Sua presença e Abençoado Ano Novo - Ano da Missão - em nossa Diocese!
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana
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