
Na vida humana somos constantemente desafiados a tomar decisões, fazer escolhas, optar diante de encruzilhadas... Somos pessoas livres, reivindicamos nossos direitos e sabemos dos limites que os direitos dos outros nos impõem. Até passado recente os caminhos estavam bem mais traçados, com rumos bastante estabelecidos, pois as instituições, como a família, a escola e outras, cuidavam da orientação das novas gerações para seu futuro. Hoje vivemos num mundo bem mais plural, em que a valorização do indivíduo (ou do individualismo) deixou as pessoas diante de inúmeras possibilidades de opção, disputadas pelas mais sofisticadas técnicas de convencimento da propaganda. Neste contexto, normalmente, as pessoas de pouco senso crítico, carentes de valores referenciais, tornam-se presas fáceis da sociedade de consumo, incorrendo em dependências de toda ordem, acabando como vítimas de conseqüências imprevisíveis.
Nesse universo, estão presentes também as questões éticas, os valores religiosos, a vivência da fé. As instituições, como a família, a escola, a Igreja e outras, não conseguem mais cumprir sua missão de introduzir normalmente seus membros na fé cristã. Exige-se uma nova evangelização, com novo ardor, novos métodos, novas expressões, como afirmava João Paulo II. Uma evangelização que não pode mais supor a fé. Ela precisa ser testemunhada e anunciada novamente. O Papa Bento XVI, referindo-se a esta realidade, instituiu o Ano da Fé, iniciado em 11 de outubro passado, data do Cinqüentenário do início do Concílio Vaticano II. Será um anúncio, sobretudo pelo testemunho de ter encontrado Jesus Cristo, pois “ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, dessa forma, o rumo decisivo” (DCE 1 e DAp 243). A partir do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, iniciamos nova maneira de ser, de agir, de relacionar-nos conosco mesmos, com os outros e com o mundo. Enfim, nos damos conta que a vida não é mais a mesma depois desse encontro, que se renova e se aprofunda constantemente: tornamo-nos “sujeitos novos”. Afirma o Documento de Aparecida com palavras animadoras: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29).
Caros diocesanos, neste final de ano, nós estamos novamente diante de decisões, por exemplo, sobre o Natal, sobre as férias, o Ano Novo... Como será nosso Natal? Vamos contentar-nos com uma festa onde estará apenas o Papai Noel ou Jesus Cristo também terá vez? Haverá lugar para Ele nascer em nossa casa, em nossos corações, em nossas vidas ou vamos considerar isso como coisa do passado? Assim pensando, recordamos a inquietante pergunta que Jesus fez aos Apóstolos, depois do discurso sobre o Pão da Vida: “Vós também quereis ir embora?” (Jo 6, 67). Oxalá nossa fé responda a Jesus, como Pedro o fez: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 68-69). Uma bela resposta seria também a de Josué, no Antigo Testamento, quando renova sua Aliança com o Senhor, diante de todo povo, no fim de sua vida: “Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24, 15).
No final do Ano das Vocações, renovemos nossa opção no estado de vida que abraçamos e coloquemo-nos todos a caminho da missão, tema pastoral de 2013. Feliz Ano Novo!
DomAloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana
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