terça-feira, 16 de outubro de 2012

O CONCÍLIO VATICANO II E MARIA SANTÍSSIMA

Caros diocesanos.
Há 50 anos, iniciava na Igreja o Concílio Ecumênico Vaticano II, maior evento eclesial do século XX, como já pudemos constatar em nossa mensagem anterior. Um das principais inspirações desse Concílio foi definir a identidade da Igreja como Povo de Deus, do qual todos os batizados são participantes com igual dignidade e têm vocação comum à santidade e são convocados à edificação do Corpo de Cristo, como discípulos missionários (LG 32). No documento conciliar Lumen Gentium (Luz dos Povos), que apresenta a Igreja como Povo de Deus, Maria recebe um capítulo especial, pois ela é considerada como modelo do ser Igreja, Povo de Deus. Estamos no mês de outubro, em que celebramos o cinqüentenário do início do Concílio; é também o mês em que manifestamos especial carinho para com a Mãe de Deus, através da Procissão de Nossa Senhora Aparecida – Padroeira do Brasil – e da Romaria Diocesana de Nossa Senhora Conquistadora – Padroeira da Diocese.
No final de sua reflexão sobre a Igreja como Povo de Deus (cap. VIII), a Constituição Dogmática Lumen Gentium fala sobre a participação da Bem-Aventurada Virgem Maria no Mistério de Cristo e da Igreja. Ela concebeu o Verbo da Vida – Jesus Cristo - no coração e no corpo. Já diziam os Santos Padres: “Prius in mente quam ventre Maria concepit” (Maria concebeu antes na mente do que no ventre). Ela, a partir da fé e obediência, consagrou-se totalmente como serva do Senhor, sempre disposta a fazer sua vontade. Ao falar sobre a Igreja, o Concílio quis destacar a missão e os méritos de Maria na salvação realizada por seu Filho Jesus Cristo. O documento conciliar afirma que na Igreja: “ela ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós” (LG 54).
A união (simbiose) entre Mãe e Filho na obra da salvação manifestou-se desde sua concepção até a morte na cruz, onde ela foi dada por Jesus como mãe para todo gênero humano, na pessoa de João (Jo 19, 26-27). Maria fez-se presente até na vinda do prometido Espírito Santo, em Pentecostes (At 1, 14), no alvorecer da Igreja. “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminou o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste” (LG 59). Sua assunção não foi separação, pois Maria está sempre relacionada com a Igreja. Ela é o modelo de Igreja, exemplo de virtudes, sobretudo de união com Cristo. Como membro do Corpo Igreja, por sua constante intercessão continua a cuidar dos irmãos de seu Filho que ainda peregrinam sobre a terra, qual medianeira ou advogada, mesmo sendo Cristo nosso único mediador (LG 62-63). “Quando proclamada e cultuada, leva os fiéis ao seu Filho, ao sacrifício do Filho e ao amor do Pai” (LG 65). Por isso ela é honrada com culto especial pela Igreja, mas este sempre deve conduzir a Cristo: “origem de toda verdade, santidade e piedade” (LG 67).
Na sua admoestação final, ao falar do culto a Maria, o documento conciliar afirma: “Saibam os fiéis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, impulsionados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação das suas virtudes” (LG 67).
Em meio a esta sábia orientação da Igreja, emanada do Concílio Vaticano II, preparemo-nos para a 21ª Romaria Diocesana de Nossa Senhora Conquistadora, a qual acontecerá dia 28 de outubro, partindo da frente da Catedral e dirigindo-se até o local do Santuário, onde daremos a bênção ao novo quadro, em cerâmica, de nossa padroeira e celebraremos a eucaristia, ou seja, Maria nos conduz ao encontro de Jesus. Participe!
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

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