quarta-feira, 17 de outubro de 2012

BIBLIA - PALAVRA DE DEUS

Caros Irmãos, queridas Irmãs.
A Bíblia, livro que contém a Palavra de Deus. Nela, como bons ouvintes (na ob-audientia = obediência da fé), encontramos o Senhor que revela nossa vocação e nos envia
em missão. Já afirmamos anteriormente que, a partir da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini, os bispos do Brasil prepararam, através de duas Assembléias Gerais, o Documento 97: “Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”. Pretende-se, com ele, colher os frutos espirituais e pastorais da Verbum Domini, convidando a “contemplar, com maior amor, o rosto da Palavra, Jesus Cristo”, na casa da Palavra, a Igreja, e sentir o envio em missão (Discípulos e Servidores... 3). O documento objetiva redescobrir na Palavra de Deus nossa fonte renovadora e o coração de toda evangelização (n. 7), dividindo o texto em três capítulos: A Palavra de Deus, Nossa Resposta à Palavra e Os Caminhos da Missão.
A primeira parte aborda a interpretação evolutiva da revelação (Vaticano I e II, respectivamente), passando de uma compreensão instrutiva das realidades sobrenaturais ou doutrinais, que a razão humana deve acolher pela fé (submeter o intelecto), para uma compreensão comunicativa, em que a salvação acontece a partir de um encontro, de forma dialógica, comunicativa, de caráter performativo. Não se trata de apenas aderir às idéias de Jesus, mas à sua pessoa (n. 18). Deus quer encontrar-se com a pessoa humana e transformá-la à sua imagem e semelhança, salvá-la; quer entrar em comunhão com ela, conviver com ela. Sua palavra é igualmente ação (Em hebraico, dabar = palavra, ação, acontecimento). A Palavra cumpre o que anuncia: ela é viva e eficaz, sob a ação do Espírito Santo. Por isso a Verbum Domini usa a expressão Sacramentalidade da Palavra de Deus (DV 56), pois ela não é uma simples palavra escrita e muda, sem vida e efeito.
A segunda parte, Nossa Resposta à Palavra, mostra que o primado da graça exige abertura e adesão da parte do ser humano através da fé, como submissão livre à palavra escutada e acolhida. Ela é a ponte que possibilita “o encontro entre Deus que busca e o ser humano que se deixa encontrar”. Assim a fé torna-se encontro com uma Pessoa, à qual se confia a própria vida (n. 23). É um sim de comunhão a Jesus e, conseqüentemente, também aos outros irmãos.
Este capítulo aborda ainda a questão da animação bíblica de toda a pastoral, como busca constante de ter a Sagrada Escritura como alma de toda ação evangelizadora da Igreja, não simplesmente justaposta às outras pastorais. Esta ocorre através dos eixos da formação, da oração e do anúncio, inspirando-se no texto do encontro de Filipe e do eunuco etíope (At 8, 26-40). É o caminho do conhecimento e interpretação da Palavra, evitando o fundamentalismo e a interpretação ideológica; o caminho de comunhão e oração com a Palavra, que favorece o encontro com Aquele que é a Palavra; e o caminho de evangelização e proclamação da Palavra, sobretudo pelo testemunho profético (nn. 36-66).
A terceira parte (nn. 67-89) ocupa-se com linhas práticas de ação, desde ter o livro da Bíblia, passando pelas instâncias de conhecimento (Iniciação à Vida Cristã, família, estudo, exegese, subsídios...), de oração (Celebrações e ambientes litúrgicos, Homilia, Leitura Orante, Celebrações da Palavra...) até o estado permanente de missão (Gestos concretos, Compromisso pela justiça, Presença na cultura midiática...).
Que Maria - ícone perfeito da fé bíblica - nos ensine como acolher o Verbo, a Palavra, em nosso tempo e em nossa realidade.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

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