PARTICIPAR DA PÁSCOA PELA CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
Caros Irmãos, queridas Irmãs. Há pouco tempo vivemos novamente a Semana Santa, a semana maior de nossa Liturgia cristã. Nela celebramos o acontecimento central da nossa fé, a Páscoa, a passagem de Jesus Cristo da morte para a ressurreição, mistério, do qual os cristãos participam a partir do seu batismo (Rm 6, 3-6). Ao falarmos em celebrar, nós entendemos atuar, atualizar, tornar presente o mistério que é evocado, em nosso caso, o acontecimento pascal. O fato pascal não fica simplesmente no passado, como fato histórico, lembrado vinte séculos depois. Celebrar é tornar presente o valor, o sentido, as conseqüências deste fato salvador, realizado uma vez para sempre, para o hoje da história, para o nosso tempo, para as pessoas que agora vivem. Portanto, tudo aquilo que Jesus Cristo mereceu, com sua morte redentora e sua ressurreição para nova vida, pode ser aplicado a nós, nossa história, nosso tempo. Por isso é tão importante o verbo participar na Liturgia. Ele significa fazer parte, ser parte do que se celebra. Nós somos partes deste mistério celebrado. Ele nos envolve, tem a ver conosco, acontece por causa de nós. Assim, participar significa envolver-nos, estar presente com todo nosso ser. Este é um dos aspectos do novo espírito que a reforma do Concílio Vaticano II quis introduzir através do seu primeiro documento Sacrosanctum Concilium (1963), que usa o verbo participar ou o substantivo participação mais de 20 vezes em relação à celebração litúrgica, em contraposição ao verbo assistir, de expressão passiva diante do mistério evocado. Na afirmação do documento citado, a participação inclusive é decisiva para a eficiência e o efeito da celebração: “Para que se obtenha esta plena eficácia, é necessário que os fiéis se aproximem da Sagrada Liturgia com disposições de reta intenção, sintonizem a sua alma com as palavras e cooperem com a graça do alto, a fim de que não a recebam em vão” (SC 11). Em decorrência, a CNBB afirma no documento Animação da Vida Litúrgica no Brasil: “Convocada por Deus, a assembléia litúrgica, expressão sacramental da Igreja, unida a Jesus Cristo, é sujeito da celebração” (n. 54). Em outras palavras, a assembléia litúrgica, presidida por seus diversos e legítimos ministros, torna presente a ação sagrada da qual todos são participantes (celebrantes), independentemente de seu estado vocacional.
Esse participar como celebrantes, como membros ativos, acontece, portanto, na celebração litúrgica que é tornar presente fatos, acontecimentos da história de nossa salvação (centralizados na Páscoa de Jesus Cristo – exercício do seu e do nosso sacerdócio), na vida da Igreja (Corpo de Cristo – Ministérios), pela ação do Espírito Santo (que dá vida e efeito atual aos fatos do passado. Sem a presença do Espírito Santo não pode haver Liturgia.), dentro de uma linguagem ritual e simbólica (ritos, sinais, símbolos...) que nos fazem entrar em comunhão com Deus, com os irmãos e todo universo criado.
Como percebemos, pela reflexão anterior, a Páscoa não é só de Jesus Cristo; é igualmente nossa. Também nós participamos de nova vida. Se no tempo da quaresma procuramos converter-nos, morrendo para o que não é cristão, agora estamos na graça da vida nova. Esta é a grande alegria que deve nos envolver neste tempo em que a Igreja não cansa de exaltar a cruz redentora e de entoar o “Aleluia” pascal, que significa: “Louvai o Senhor”!
Que a Páscoa continue a trazer vida nova para todos os diocesanos e pessoas de boa vontade!
Dom Aloísio A. Dilli - Bispo de Uruguaiana
Nenhum comentário:
Postar um comentário