segunda-feira, 2 de abril de 2012

NOSSA VOCAÇÃO COMUM À SANTIDADE

          Caros Irmãos e queridas Irmãs. O mês de agosto não tem as melhores referências para os supersticiosos, mas os cristãos católicos o consideram “mês vocacional”, entre os meses denominados temáticos. Nos diversos domingos de agosto nós destacamos vocações diferentes; sobre elas refletimos e por elas rezamos. Contudo, antes de se falar em vocações específicas, convém considerar a vocação comum de todos os batizados. Por isso é importante lembrar que todo Povo de Deus é chamado à santidade. Portanto, nossa vocação comum é a santidade. Através da Constituição Dogmática Lumen Gentium (Luz dos Povos), o Concílio Vaticano II nos lembra que é “comum a vocação à perfeição. Se pois na Igreja nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, são chamados à santidade e receberam a mesma fé pela justiça de Deus (cf. 2Ped 1, 1)... reina entre todos verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo” (LG 32. Cf. tb. o Cap. V, nn. 39ss). Com estas palavras conciliares a Igreja afirma a beleza e a importância de todas as vocações, convidadas a participarem da natureza divina (LG 40).
          O Papa João Paulo II, na Carta Apostólica, Novo Millenio Ineunte, afirma que a santidade, “medida alta da vida cristã ordinária”, significa fundamentalmente pertencer àquele que é o Santo, e isto vale para todo batizado (NMI 30), para as diversas vocações (NMI 31). O Papa também se expressa em relação à variedade das vocações, destacando que a unidade da Igreja não significa uniformidade: é a realidade de muitos membros unidos num só corpo, o único Corpo de Cristo (1Cor 12, 12). Ao lado da vida consagrada e dos ministérios ordenados, podem florescer outros ministérios em proveito de toda comunidade, destacando a vocação própria dos fiéis leigos (NMI 46).
          Jesus quer-nos todos como discípulos e familiares seus para compartilhar conosco a sua vida divina. É da mesma forma verdade que não existe verdadeiro discípulo chamado que não seja também enviado como missionário. Jesus faz todos participantes de sua missão. Diz o Documento de Aparecida: “Cumprir a missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da vocação mesma” (DAp 144). Dentro desse contexto vocacional amplo descobrimos que todos os fiéis adquirem igual dignidade e participam de diversos ministérios e carismas. Surgem assim as vocações ou estados de vida e missões específicas.
          No 1º domingo de agosto recebem destaque os Ministérios Ordenados (Bispos, Presbíteros e Diáconos): em união com seu Bispo, o presbítero é verdadeiro sacerdote porque participa do sacerdócio de Cristo (LG 28), tornando-se dom sagrado de Deus para seu povo: “representação sacramental de Jesus Cristo” (PDV 15); o segundo domingo, chamado popularmente Dia dos Pais, na verdade é dedicado à Família, à vocação de ser pai ou mãe, participando como leigos na vida da Igreja. A família é considerada pequena Igreja e que, junto com a paróquia, é o primeiro lugar para a iniciação cristã das crianças; no 3º domingo celebra-se o dia dos Consagrados e Consagradas, que professam os votos de pobreza, obediência e castidade, vivendo em comunidade o absoluto de Deus em sua vida. No último domingo dá-se destaque especial aos diversos serviços leigos exercidos por casados ou não na comunidade cristã, sobretudo a catequese. “A evangelização do Continente, dizia-nos o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos” (DAp 213).
          Que agosto, mês vocacional, nos faça refletir e rezar pelas diversas vocações na Igreja.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

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