sábado, 2 de março de 2013

A IGREJA E A JUVENTUDE

 Caros diocesanos.
A Igreja existe para evangelizar e nesta sua missão sente-se enviada a ir ao encontro de toda pessoa humana para anunciar e testemunhar a boa nova de Jesus Cristo. Entre os destinatários ou interlocutores desta missão da Igreja, os jovens têm tido espaço especial em diversos documentos e opções pastorais, seja no nível universal, quanto do nosso país. Em 2007, a CNBB emitiu importante pronunciamento no documento Evangelização da Juventude, em que manifesta que “a juventude mora no coração da Igreja” (EJ 01). Como mãe e mestra, ela chega a considerar o jovem como “lugar teológico” (EJ 81), o que significa acolher a voz de Deus que fala no jovem. Sente-se convidada a ler e a desvelar esta realidade teológica. Assim a Igreja considera a juventude uma prioridade em sua missão evangelizadora, o que significa que ela está aberta ao novo, à revitalização a partir do que Deus nela está revelando. Isso implica numa ainda mais atenciosa opção de toda Igreja pela Juventude, sobretudo a mais sofrida. Afirma neste sentido o texto-base da Campanha da Fraternidade de 2013: “Todas as estruturas eclesiais são, portanto, convocadas a assumir como sua a tarefa de expressar afetiva e efetivamente a opção preferencial pelos jovens, especialmente pelos mais empobrecidos, num contexto de grandes contrastes e de emergência da cultura midiática” (n. 196).A Igreja toma consciência de sua grande responsabilidade de ser mãe na fé para os nossos jovens, iniciando pela família, onde deve acontecer a primeira experiência da fé cristã, prolongando-se na comunidade, onde se dá progressivamente a catequese de iniciação à vida cristã. Seu caráter mistagógico (conduzir para dentro do mistério) manifesta que os jovens precisam fazer a experiência da fé e não apenas compreendê-la racionalmente. Alerta-nos novamente o texto-base da Campanha da Fraternidade: “Os jovens devem ser conduzidos ao mistério de Cristo, entendendo e experimentando em profundidade os Sacramentos como os momentos, por excelência, de encontro com Jesus Cristo” (n. 199). Esse encontro com Jesus Cristo, além de outras formas, pode e deve ser proporcionado aos jovens através do contato com a Palavra de Deus, sobretudo pela Leitura Orante da Bíblia. Por ela os jovens terão oportunidade de uma experiência profunda de intimidade com Aquele que motiva e aponta para o compromisso com a vida pessoal, eclesial e social.Dentro do processo de iniciação à vida cristã, sobretudo pela catequese, toda a Comunidade eclesial deve ser envolvida, a fim de que possa ser para o jovem um lugar de conhecimento, de experiência, de encontro e de amizade. O jovem precisa sentir que ele é bem-vindo e acolhido. O texto-base da Campanha da Fraternidade ainda aponta outros espaços propícios para essa educação, que são nossos grupos de jovens, pastorais da juventude, movimentos, novas comunidades e demais experiências em grupos: “Esses espaços educativos e evangelizadores devem ser incentivados, apoiados e desenvolvidos em todas as nossas comunidades” (n. 201).Finalmente, tendo consciência que a assessoria, o preparo e a experiência dos adultos enriquecem e complementam a caminhada de crescimento de nossos jovens, não podemos esquecer que sem o protagonismo o jovem não é motivado para assumir sua responsabilidade, para tomar iniciativa e para desenvolver habilidades de liderança e manifestar ousadia para testemunhar a nova evangelização e fazer chegar a civilização do amor. É um caminho a ser trilhado de forma conjunta; e o diálogo enriquecerá a vida cristã de toda comunidade eclesial. (Cf. Texto-Base, nn. 217-218).
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana 

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