A palavra comunidade significa comunhão, isto é, união de vida, de idéias, de trabalho. A comunidade precisa ser construída cuidadosamente, necessita de reparos constantes para se manter firme. Pois é constituída de pessoas, e somos imperfeitos, frágeis, por isso é necessário que se tenha cuidados.Precisamos ser como as pedras de um rio, que de tanto rolarem juntas tomam a forma arredondada, perdem as arestas e as pontas. A forma redonda é a que mais une, portanto é a melhor maneira de se integrar para juntas rolarem.
Ali na comunidade todos têm a alegria de se encontrar, se ajudam, plantam e cultivam a amizade, a união, o respeito e convivem na alegria e crescem na organização. É onde nascem os frutos do Reino de Deus, ou seja, a justiça, a fraternidade, a bondade, o perdão, a igualdade, a solidariedade e conduz a salvação. Portanto a comunidade é o espaço perfeito para alcançarmos a salvação.
A comunidade é de Deus, pois foi Jesus quem disse: “Meu Pai é o agricultor”.(Jo 15) Por isso precisamos colocar os nossos talentos a disposição, trabalhar com afinco para render bons frutos.
A comunidade cristã está enraizada numa historia de aliança de Deus com o seu povo. O Antigo Testamento que a iniciativa da Aliança sempre partiu de Deus, ele que busca andar com seu povo. Enviou seu Filho para fazer a definitiva e eterna aliança.
Jesus nos revela a fonte da Aliança, a Santíssima Trindade, e assim Deus é comunhão. A Trindade é o modelo de comunhão é a melhor comunidade. A comunhão da Trindade é proposta por Jesus como modelo e ideal da comunhão humana. Jesus ressalta: Que todos sejam um só, como nós somos um. (Jo 17)
A Igreja é chamada a viver o sentido da comunhão e da missão. A primeira comunhão deve ser com a Trindade Santa, Pai, Filho e Espírito Santo. A segunda comunhão da Igreja é a união com as pessoas.
Nós também precisamos fazer união com a Santíssima Trindade e com os irmãos, pois para sermos cristãos precisamos viver como irmãos.
Muitos andavam com Jesus, ouviam admirados sua Palavra e impressionados por seu modo de viver. Com a sua morte houve uma decepção, tudo o que Jesus tinha feito e dito tinha perdido o sentido. Era apenas mais um profeta. Para os discípulos foi algo inesperado, os deixou abatidos, assustados e enfraquecidos. Mas a noticia da ressurreição, mudou a situação. Pois na ressurreição Jesus ratifica, confirma todos seus atos terrenos, sua mensagem fica definida como autentica, e sobretudo afirma a verdade que Jesus é Deus. Tudo isso se impõe, a imagem de Jesus se une a pratica do amor, do perdão, é Deus que se impôs e começa um novo tempo de salvação.
E todos os que tinham vivido com ele, renovados pela força do Espírito Santo, saíram a anunciar o Evangelho de Cristo e o Reino de Deus com coragem e ousadia. A pregação e testemunho de vida deles fizeram com que outros aderissem a Cristo e pediam o Batismo, e aumentava a cada dia a comunidade do ressuscitado. Todos queriam seguir os passos de Cristo, mas não faziam individualmente, formavam novas comunidades Cristãs e viviam em união, em fraternidade, na fé e na oração.
O livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra as primeiras comunidades cristãs, como se fortaleceram e cresceram a luz do Ressuscitado.
Faz um relato da primeira comunidade cristã, que era um bom exemplo de convivência, viviam do jeito que Jesus tinha ensinado, e faziam a partilha, tinham a pessoa humana como prioridade, deixavam o materialismo de lado e buscavam os bens espirituais. Assim entre eles não havia diferença, não havia nem pobres e nem ricos, eram todos iguais.
Iluminados pelo Espírito Santo se mantinham fieis ao ensinamento de Cristo.Aos novos cristãos davam uma instrução que chamavam didaquê, uma espécie de catequese.
Tinham a comunidade muita bem alicerçada, pois eram perseverantes na escuta da Palavra, meditavam essa palavra de tal forma que se incrustava no coração e passavam a viver na pratica essa palavra, e assim davam um testemunho forte e fiel que os levava a ter na oração uma comunicação com Deus, sabiam que era o momento de estar diante dele e escutar a sua vontade que executavam e na partilha de vida de fé.
Esta atitude de compartilhar não era apenas por amizade, mas baseava-se na ação de Jesus, que nos amou até o fim, até dar a sua vida por nós. Portanto essa atitude está ligada com o gesto da Eucaristia.
Eles tinham consciência que a verdadeira partilha acontece na Eucaristia, pois a Eucaristia é o sacramento do amor. Estar com Cristo no coração, é estar pleno de amor, e estar pleno de amor é repartir.
Podemos comparar esse amor que recebemos de Deus com um copo que colocamos água, chega um momento que irá transbordar se continuarmos a colocar água, essa água derrama e se espalha. Assim somos nós devemos derramar esse amor de Deus em nosso redor, espalhar amor. Assim estaremos fazendo a verdadeira comunhão ao receber Jesus na Eucaristia.
Dessa forma a Eucaristia é a celebração do amor do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo na comunidade de fé. Pois a Eucaristia é o sinal e instrumento de união de Deus com o homem, com todo o gênero humano.
Santo Agostinho diz que não entenderemos a Eucaristia se não tivermos verdadeira comunhão. Pois enquanto não formos integrados um com o outro, não teremos comunhão, portanto viver em comunhão é uma obrigação e não um sonho.
Então vemos que as primeiras comunidades cristãs souberam de fato viver a essência do amor. Mais tarde as comunidades de Paulo enfrentaram conflitos, mas souberam superar. Os conflitos surgem por varias motivos, mas principalmente por falta de humildade, dialogo e caridade, e é preciso saber superar as crises, buscando a convivência fraterna.
Então, hoje é preciso renovar as nossas comunidades, reforçando os fundamentos que são:
1- a união entre os membros = amizade
2- a vida eclesial = oração
3- a experiência de fé = catequese
4- a abordagem da realidade.
Vamos ver as características de cada pilar:
Amizade = é a união entre os irmãos, são as relações de afinidade que sustentam a comunidade, é o lado afetivo, é um grupo de pessoas que buscam caminhar juntas. É muito importante olhar as pessoas não por seus defeitos, mas ver as virtudes.Assim todos têm a alegria de estar junto. Estar aberta a receber todos que chegam, com uma boa acolhida para que se sintam bem, se sintam parte e façam a sua parte. Pois pelo batismo todos têm uma missão dada por Deus para ser executada na comunidade. Deus distribui dons e essa diversidade de é que enriquece a comunidade.
Oração = aqui o grupo de pessoas que se reúnem por causa de sua fé, é toda a pratica religiosa, o compromisso de fé, a participação nos sacramentos, tudo o que envolve uma espiritualidade forte, madura e comprometida. Crescer em comunidade é também crescer na religião vivida, ter gosto pelas coisas de Deus. Temos varias formas de nos reunir para orar, a oração do terço, novenas, estudos bíblicos, cadernos diocesanos de formação do povo de Deus, alem da missa ou celebração. Incentivar a participação de todos nestes momentos fortes de oração.
Catequese = é quando a comunidade começa adquirir qualidade, pois a comunidade vai crescendo, vai conhecendo a pessoa de Jesus Cristo, vai aprendendo a sua doutrina e toma consciência do seu compromisso missionário transformador. Precisamos ter a catequese para diferentes níveis, ou seja, para crianças, jovens, adultos, crisma, enfim poder dar a todos as condições de crescer na fé, no conhecimento e na participação. Conhecem o projeto de Jesus, e buscam vivê-lo na sua vida pessoal, familiar e social. Aqui acontece como quando se joga uma pedra na água, primeiro forma um circulo, depois outro e outro, abrangendo um diâmetro maior. As pessoas renovadas pela catequese mudam de vida e passam a influir sobre outras realidades.
Realidade = É a fé transformada em vida concreta, é quando acontece a vivencia fraternal, a partilha e a solidariedade. É quando as pessoas têm critérios de escolhas fundamentados em Jesus Cristo, quando esses critérios são usados nos relacionamentos tanto na família, no trabalho e na vida social. A transformação começa na vida pessoal, através de um testemunho verdadeiro.
Precisamos entender que a vida de comunidade é um processo, e que é um processo permanente, por isso deve ter um esforço permanente para conservação e sustentação destes pilares. E isso é tarefa do ministro, do animador, do agente, enfim de todos pelo bem da comunidade. Deve dar a vida pela comunidade, cuidar para que os encontros sejam de fé, que promovam o crescimento e integração do grupo, que haja aprofundamento e compromisso concreto, que cada membro possa redimensionar a sua fé em um compromisso transformador, desenvolvendo assim a comunhão.
Maria Ronety Canibal
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