terça-feira, 27 de novembro de 2012

À ESPERA DO SALVADOR

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O final do ano se aproxima e com ele o tempo do Natal, com sua preparação e expectativa, próprias do Advento. Este tempo litúrgico apresenta dupla característica: a preparação para as solenidades do Natal - em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens - e a expectativa da segunda vinda do Cristo, no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como de “piedosa e alegre expectativa” (Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário, n.39). Assim a Igreja celebra seu estado de peregrina, de quem está ainda a caminho e, portanto, identifica-se como comunidade de esperança. De um lado, já vive a realidade da presença de Deus, mas como que num espelho, enquanto aguarda o dia em que verá o Senhor face a face (ICor 13,12). A Igreja vive esta espera na vigilância e na alegria. Por isso ela reza: “Maranathá: Vem, Senhor Jesus!” (Apc 22, 17-20).
É certamente um tempo litúrgico de características marianas, em que os fiéis procuram olhar para o amor inefável com que a Virgem Mãe esperou seu Filho Jesus. Encontrarão nela o modelo de preparação para irem com fé e esperança ao encontro do Salvador que vem, ‘bem vigilantes na oração’. Os Santos Padres gostavam de lembrar que Maria, antes que tivesse concebido Jesus no ventre, já o concebera na mente, no espírito, no coração, na fé, no amor, na vida (“Prius quam ventre in mente Maria concepit”). Afirma o papa Paulo VI que a Liturgia do Advento “apresenta um equilíbrio cultual muito acertado, que bem pode ser tomado como norma a fim de impedir quaisquer tendências para separar, como algumas vezes sucedeu em certas formas de piedade popular, o culto da Virgem Maria do seu necessário ponto de referência: Cristo” (Marialis Cultus, n. 4).Caros diocesanos. Neste ano das vocações, com o lema natalino: “Você também é chamado a acolher o Salvador”, nós estamos convidando todos os vocacionados: leigos, consagrados e ordenados a prepararem-se bem para que o Senhor da Vida possa fazer sua habitação entre nós, neste Natal. Ele é o Emanuel – Deus conosco – que veio ser um de nós para possibilitar-nos a comunhão com a vida divina. A celebração do Natal, como reza a liturgia, é “troca de dons entre o céu e a terra”. A partir deste encontro com Jesus Cristo entraremos no caminho que conduz à santidade, no qual nos sentiremos chamados para o serviço comunitário, em suas múltiplas formas, onde a santificação se concretiza na vivência do mandamento do amor.Mesmo rodeados por tradições natalinas, muitas vezes pouco ou nada cristãs, preparemos e vivamos o verdadeiro Natal, aquele em que o Senhor Jesus bate à porta, pedindo para nascer, para fazer parte de nossa vida, de nossa família, de nossa comunidade, da sociedade em que vivemos. Torne-se Ele nosso hóspede, a razão de nosso viver e de nos colocarmos todos em missão evangelizadora, tema do ano pastoral de 2013, em nossa Terra Santa. Que o exemplo de Maria e de José, vocacionados à santidade através do serviço ao Reino, em seu tempo e sua realidade, nos contagie e anime no hoje de nossa história.
Cada um de nós, em particular, cada família, cada comunidade, cada movimento, cada grupo eclesial encontre sua forma de preparação para o santo Natal. Uns a realizarão numa assídua participação litúrgica, outros, nos encontros de família ou de comunidade, através dos Cadernos diocesanos, outros ainda o farão na sua escola, no seu ambiente de trabalho, de estudo, de comunicação... Enfim, o Senhor vem ao encontro de todas as pessoas e de todos os ambientes; basta querer sua presença e acolhê-lo como hóspede.
Dom Aloísio Dilli
Bispo de Uruguaiana

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