Meditação sobre a carta apostólica Rosarium Virginis Mariae
Padre Mario Piatti, ICMS, editor da revista Maria de Fátima
ROMA, sexta-feira, 5 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Apresentamos a seguir a continuação do artigo sobre o décimo aniversário da carta apostólica Rosarium Virginis Mariae e a proclamação do Ano do Rosário (outubro de 2002 a outubro de 2003).
Rezar o terço, continua a carta, não é nada mais que contemplar com Maria o rosto de Cristo e dispor de uma oportunidade regular e fecunda para a contemplação pessoal e para a formação do Povo de Deus em vista da nova evangelização, que era tão cara ao Santo Padre: "Eu gosto de reiterá-lo também na feliz memória de outro aniversário: o dos 40 anos do início do concílio Vaticano II (11 de outubro de 1962), a grande graça preparada pelo Espírito de Deus para a Igreja do nosso tempo" (cf. RVM 3).
Estas palavras, uma década depois e às vésperas da solene celebração do 50º aniversário do Vaticano II, ressoam ainda mais atuais e exigentes do que nunca. Perante as dificuldades inegáveis do nosso tempo, diante da descristianização em andamento, da profunda crise moral que afeta todos os membros da sociedade, nós somos todos chamados a não ser complacentes, mas a elevar a mente e o coração a Deus, para pedir-lhe a luz e a força a fim de renovarmos a fé e, generosamente, propô-la às pessoas do nosso tempo. O mundo de hoje parece ter tudo, promete receitas fáceis de felicidade, mas é forçado a admitir a sua insuficiência radical. A situação econômica devastadora que estamos atravessando é apenas um aspecto secundário, tangível e concreto, de um mal-estar bem mais profundo e mais inquietante: a pobreza radical do homem, que só Deus sabe preencher e curar. “Tu te julgas vivo, mas estás morto”, diz o Apocalipse... “Tu dizes: Sou rico, prosperei; de nada tenho necessidade. Mas não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3,1.17).
O terço, humilde, na sua aparente fragilidade e inconsistência, é uma arma poderosa de salvação, colocada por Deus em nossas mãos. É um presente do céu, que reorienta o coração para o alto; é o conforto do espírito, a luz e o consolo na provação, uma “corrente do amor”, como dizem os santos, que leva a alma para Cristo, para a prática da fé, para a caridade viva e fraterna. É súplica e intercessão que "move" e que consegue a misericórdia de Deus para com as nossas famílias; é oração do pequeno, do simples, mas que sabe iluminar as mentes mais excelsas, naquela fusão maravilhosa de "Fides et Ratio", que, há dois mil anos, torna encantadora a proposta cristã, porque ela sabe falar para a inteligência e para o coração. O rosário não se opõe à liturgia, mas lhe serve como suporte, já que nos introduz a ela e a faz ecoar, permitindo que as pessoas participem dela com plenitude interior, colhendo os seus frutos na vida diária (RVM 4).
A nova evangelização deve necessariamente passar pelo Imaculado Coração de Maria. Só ela conhece plenamente os "segredos de Deus" e anseia com ardor comunicá-los à Igreja e a cada crente. Redescobrimos o rosário como via delicada e maternal, que nos dispõe para a graça e acompanha o nosso caminho, como a luz da esperança em meio às armadilhas destes momentos difíceis.
A parte 1 está disponível em: http://www.zenit.org/article-31453?l=portuguese
ROMA, sexta-feira, 5 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Apresentamos a seguir a continuação do artigo sobre o décimo aniversário da carta apostólica Rosarium Virginis Mariae e a proclamação do Ano do Rosário (outubro de 2002 a outubro de 2003).
Rezar o terço, continua a carta, não é nada mais que contemplar com Maria o rosto de Cristo e dispor de uma oportunidade regular e fecunda para a contemplação pessoal e para a formação do Povo de Deus em vista da nova evangelização, que era tão cara ao Santo Padre: "Eu gosto de reiterá-lo também na feliz memória de outro aniversário: o dos 40 anos do início do concílio Vaticano II (11 de outubro de 1962), a grande graça preparada pelo Espírito de Deus para a Igreja do nosso tempo" (cf. RVM 3).
Estas palavras, uma década depois e às vésperas da solene celebração do 50º aniversário do Vaticano II, ressoam ainda mais atuais e exigentes do que nunca. Perante as dificuldades inegáveis do nosso tempo, diante da descristianização em andamento, da profunda crise moral que afeta todos os membros da sociedade, nós somos todos chamados a não ser complacentes, mas a elevar a mente e o coração a Deus, para pedir-lhe a luz e a força a fim de renovarmos a fé e, generosamente, propô-la às pessoas do nosso tempo. O mundo de hoje parece ter tudo, promete receitas fáceis de felicidade, mas é forçado a admitir a sua insuficiência radical. A situação econômica devastadora que estamos atravessando é apenas um aspecto secundário, tangível e concreto, de um mal-estar bem mais profundo e mais inquietante: a pobreza radical do homem, que só Deus sabe preencher e curar. “Tu te julgas vivo, mas estás morto”, diz o Apocalipse... “Tu dizes: Sou rico, prosperei; de nada tenho necessidade. Mas não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3,1.17).
O terço, humilde, na sua aparente fragilidade e inconsistência, é uma arma poderosa de salvação, colocada por Deus em nossas mãos. É um presente do céu, que reorienta o coração para o alto; é o conforto do espírito, a luz e o consolo na provação, uma “corrente do amor”, como dizem os santos, que leva a alma para Cristo, para a prática da fé, para a caridade viva e fraterna. É súplica e intercessão que "move" e que consegue a misericórdia de Deus para com as nossas famílias; é oração do pequeno, do simples, mas que sabe iluminar as mentes mais excelsas, naquela fusão maravilhosa de "Fides et Ratio", que, há dois mil anos, torna encantadora a proposta cristã, porque ela sabe falar para a inteligência e para o coração. O rosário não se opõe à liturgia, mas lhe serve como suporte, já que nos introduz a ela e a faz ecoar, permitindo que as pessoas participem dela com plenitude interior, colhendo os seus frutos na vida diária (RVM 4).
A nova evangelização deve necessariamente passar pelo Imaculado Coração de Maria. Só ela conhece plenamente os "segredos de Deus" e anseia com ardor comunicá-los à Igreja e a cada crente. Redescobrimos o rosário como via delicada e maternal, que nos dispõe para a graça e acompanha o nosso caminho, como a luz da esperança em meio às armadilhas destes momentos difíceis.
A parte 1 está disponível em: http://www.zenit.org/article-31453?l=portuguese
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