domingo, 7 de outubro de 2012

CONCÍLIO VATICANO II - 50 ANOS DEPOIS

Caros diocesanos.
Há 50 anos, em 11 de outubro, iniciava o Concílio Ecumênico Vaticano II, maior evento da Igreja no século XX. Em Roma, nessa data comemorativa, o Papa Bento XVI fará solene abertura do Ano da Fé (Veja Mensagem 204 - fevereiro de 2012). A mensagem dos Bispos brasileiros, na 50ª Assembléia Geral, convida para agradecer o dom do Concílio e o recorda como ocasião para avaliar a aplicação de suas decisões, já em realização ou ainda por acontecer. Os papas João XXIII, que convocou e iniciou o Concílio, e Paulo VI, que o continuou e conduziu à conclusão, também encaminhando suas decisões, consideraram este evento como suscitado pelo Espírito Santo, portanto, como Novo Pentecostes, qual primavera para a Igreja. Não é por nada que na promulgação dos 16 documentos Paulo VI repetiu os termos do Concílio dos Apóstolos em Jerusalém, nos primórdios da Igreja (At 15, 28): “Nós, juntamente com os veneráveis Padres e o Espírito Santo, os aprovamos, decretamos e estatuímos”.
Meio século se passou e percebemos o quanto este evento influenciou a vida e missão da Igreja no mundo. Neste sentido a citada mensagem dos bispos brasileiros afirma: “Os frutos desse Concílio manifestam-se nos mais diversos âmbitos da vida eclesial: na compreensão da Igreja como povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo; na abertura aos desafios do mundo atual, partilhando suas alegrias, tristezas e esperanças; na colegialidade dos Bispos; na renovação da liturgia; no conhecimento e na acolhida da Palavra de Deus; no dinamismo missionário e ministerial das comunidades; no diálogo ecumênico e inter-religioso...”.O beato João Paulo II, ao iniciar o novo milênio, afirmou: “Sinto ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússula segura para nos orientar no caminho do século que começa” (NMI 57). Assim sendo, sentimos a necessidade de um verdadeiro reavivamento (revitalização) do novo espírito que animou o Vaticano II e seus desdobramentos que, para nós, aconteceram, sobretudo, nas diversas Conferências Latino-Americanas (Medellín - 1968, Puebla - 1979, S. Domingo - 1992, Aparecida - 2007). Por vezes sentimos ventos contrários ao genuíno espírito conciliar, com sinais de cansaço e de indiferença (pastoral de mera conservação) ou de ativismos desorganizados e sem espiritualidade consistente; por desejos de retornar aos tempos pré-conciliares, de uma Igreja descomprometida com a realidade dos homens e mulheres de nosso tempo, com espiritualismos desencarnados ou até com saudades do tempo de Cristandade. Que a celebração dos 50 anos da realização deste evento maior do final do 2º milênio não seja fruto de simples saudosismo, mas faça alcançar o objetivo de sermos Igreja missionário-transformadora diante dos novos desafios que os sinais dos tempos apresentam.Nossa Diocese veio bebendo do espírito de renovação que a Igreja do Vaticano II propôs. Acolhendo a herança do Concílio, das Conferências Latino-Americanas, das Diretrizes Nacionais e Diocesanas, ela deseja evangelizar a Fronteira Oeste de nosso Estado como Igreja toda missionária, toda transformadora, toda comunhão e participação, toda servidora e toda acolhedora. Com este espírito que nasceu no Concílio, em constante conversão pastoral, ela pretende hoje assumir as prioridades pastorais, cuidando da missão permanente, do compromisso social, da organização comunitária, da formação de agentes, da família e da juventude. Enfim, com este espírito conciliar, a partir do encontro com Jesus Cristo (2011), quer assumir as vocações (2012) e colocar todos em missão permanente (2013).
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana
(Mensagem da Diocese 235: segunda seman

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