quinta-feira, 27 de setembro de 2012

PALAVRA DO BISPO -ELEIÇOES MUNICIPAIS

Caros diocesanos.
Hoje desejamos saudar-vos também como caros cidadãos, uma vez que estamos às vésperas das eleições municipais, consideradas como forma de participação democrática pelo voto livre e consciente. Lembra-nos o papa Bento XVI que a sociedade justa, almejada por todos nós, “deve ser realizada pela política” e que por isso a Igreja “não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça” (DCE 28). Este modo de pensar também está expresso nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil – 2008-2010, com esta exortação inquietante: “Uma comunidade insensível às necessidades dos irmãos e à luta para vencer a injustiça é um contra-testemunho, e celebra indignamente a própria liturgia” (n. 178). Portanto, para nós cristãos, participar do processo político-eleitoral torna-se dever de consciência, na tentativa de constituir aliança com os que buscam comprometer-se com a construção de um mundo de justiça, de fraternidade e de paz, muito acima de seus interesses individuais, partidários ou de grupos com objetivos particulares, alheios ao bem comum.
A 50ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, ocorrida em abril passado, emitiu nota em que convida os cristãos a participarem com vivo interesse das eleições municipais e indica para o perfil dos candidatos a serem escolhidos: “As eleições são, portanto, momento propício para que se invista, coletivamente, na construção da cidadania, solidificando a cultura da participação e os valores que definem o perfil ideal dos candidatos. Estes devem ter seu histórico de coerência de vida e discurso político referendados pela honestidade, competência, transparência e vontade de servir ao bem comum. Os valores éticos devem ser o farol a orientar os eleitos, em contínuo diálogo entre o poder local e suas comunidades”. E continua a CNBB na sua orientação sobre os critérios na escolha dos candidatos: “Ajudam-nos nesta tarefa instrumentos como as Leis de iniciativa popular 9.840/1999, contra a corrupção eleitoral e a compra de votos, e 135/2010, conhecida como Lei da Ficha Limpa, cuja constitucionalidade foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal. Aos Eleitores cabe ficarem de olhos abertos para a ficha dos candidatos... Desta forma, dá-se importante passo para colocar fim à corrupção, que ainda envergonha o nosso país”. A Nota da CNBB não se refere apenas à participação nas próximas Eleições Municipais. Ela convida os cidadãos para um envolvimento político-participativo mais amplo, que vai além do voto, quando afirma: “O exercício da cidadania, no entanto, não se esgota no voto. É dever, especialmente de quem vota, a corresponsabilidade na gestação de uma nova civilização, fundamentada na defesa incondicional da vida, desde a fecundação até a morte natural; na promoção do desenvolvimento sustentável, possibilitando a justiça social e a preservação do planeta”.Não faltam exortações do magistério da Igreja, que incentivam, através dos tempos, a corresponsabilidade política dos fiéis. Assim o papa Paulo VI já mostrava que é uma questão de caridade o exercício da cidadania: “A política é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão ao serviço dos outros” (OA 46).Que Nossa Senhora Aparecida abençoe o povo brasileiro e ilumine candidatos e eleitores no exigente caminho da verdadeira política. Que as eleições não sejam motivo de conflito ou separação, mas momento de corresponsabilidade política em vista da construção de um mundo mais justo, fraterno e feliz.
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Uruguaiana

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