A mais completa revelação de amor de Deus nos veio na pessoa, na vida e na palavra de Jesus. Acreditamos fortemente em Jesus, mas não basta ter fé em Jesus, amá-lo e cantar-lhe louvores, se não colocarmos em prática os ensinamentos de Jesus.
Estaremos em um caminho seguro se cultivarmos uma fé semelhante a de Jesus, ou seja, cultivar não só a fé em Jesus, mas também a fé de Jesus.
A missão é a natureza de nossa Igreja, ou a Igreja é missionária por sua natureza, ou não é Igreja. Eu também tenho uma missão, intransferível que me foi dada por ocasião do batismo e se eu não cumprir a missão do batismo, não sou cristão.
“Enviada e evangelizadora, a Igreja envia também ela própria evangelizadores. É ela que coloca em seus lábios a Palavra que salva que lhes explica a mensagem de que ela mesma é depositária, que lhes confere o mandato que ela própria recebeu e que, enfim os envia a pregar. E a pregar, não suas próprias pessoas ou suas idéias pessoais, mas sim um Evangelho do qual nem eles nem ela são senhores e proprietários absolutos, para dele disporem a seu bel-prazer, mas de que são ministros para o transmitir com a máxima fidelidade”.(EN 15)
Por isso, é preciso que sejamos fiéis à missão e a doutrina deixada por Cristo.
Hoje mais que nunca Cristo precisa de nós, para levarmos suas palavras de amor e esperança a tantos que vivem distante da fé. Vivemos em uma sociedade imediatista, capitalista, discriminadora, individualista, plural e relativista, onde os valores morais, éticos e religiosos são considerados ultrapassados. Nas periferias de nossas cidades há fome, miséria, desemprego e violência, seitas e igrejas pentecostais. E nós estamos lá?
Hoje somos mais urbanos que rurais, cerca de 80% da população é urbana.
Pessoas sendo influenciadas pelo ter, pelo dinheiro, pelo poder e prestigio.
Os meios de comunicação com a ditadura do corpo, onde só se valoriza a aparência. As famílias desestruturadas, os jovens sem perspectivas de futuro, e se entregando aos vícios, uma sociedade onde a vida não tem valor, enfim fomos atropelados pelo progresso que fez ruir as estruturas básicas do amor e das relações humanas na sociedade. Em meio a tudo isso está a nossa vida religiosa, e como está?
Ainda somos a maioria de católicos, mas que ano a ano estão se perdendo para o mundo ou outras religiões, por quê?
“ Como evangelizador, Cristo anuncia em primeiro lugar o Reino, o Reino de Deus, de tal maneira importante que, em comparação com ele, tudo o mais passa a ser <o resto> , que é < dado por acréscimo>.(EN 8)
Portanto como Jesus precisamos anunciar a “salvação”. São Paulo nos alerta em 2Tm 4, 1-5. Proclame a Palavra incansavelmente. A missão acontece com o anuncio da pessoa, palavra e gestos de Jesus Cristo. A apresentação da verdade é fundamental para dar as razões de nossa fé, pois nunca podemos esquecer a realidade que nos cerca, e de como o testemunho é importante, então como São Paulo diz : ser sóbrio em tudo, suportar o sofrimento e assumir o ministério com paciência.
A Fé comporta um projeto de vida, um caminho que se realiza dia a dia, a cada momento da existência, e requer uma atitude permanente de escuta, discernimento, busca e fidelidade.
Portanto ao anunciar a Boa Nova é preciso ser coerente, estar centrado em Deus, pois o primeiro passo da missão é para dentro da Trindade, estar centrado em si mesmo, buscar a interiorização que aproxima de Deus.
A nossa relação com Deus não faz referência apenas a nossa experiência espiritual. Mas se dá no trabalho, nas relações humanas, enfim na sociedade e em todos os momentos, de maneira que é necessário ser cristão em qualquer situação.
A espiritualidade não é algo a parte, mas é um modo de ser, um estilo de vida, animado pelo Espírito Santo. É toda a nossa vida sendo orientada pelo Espírito de Deus. É importante a nossa experiência de Deus ir se ampliando, progredindo para um modo de ser, num projeto de vida.
Somos muito “prestadores de serviços” muitas vezes, apenas fazemos,sem colocar Deus como fundamento. Temos a nossa agenda cheia de tarefas a cumprir dentro da paróquia, mas quantas vezes saímos a cumprir tarefas sem convidar Jesus para ir junto. Somos frustrados e criticamos a Igreja, mas se as coisas às vezes não acontecem é porque deixamos de fora a Trindade, agimos por nossa conta.
Escutar o que Deus tem a nos dizer, saber fazer silêncio e entrar em comunicação com o Pai. Ouvir e meditar a palavra de Jesus, que nos mostra o que fazer e como fazer. Estar com Deus para poder anunciar o seu reino a todos.
E assim, mais conscientes, cumpriremos nossa missão de cristão.
Maria Ronety Canibal
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