O que é a vocação? Segundo um renomado dicionário da língua portuguesa, vocação é "o ato de chamar, tendência, pendor, talento, aptidão". Esta definição não está errada, porque de fato vocação, proveniente do verbo latino "vocare", significa chamar. Entretanto, esta definição nos parece incompleta. Vocação é muito mais que isso. Vocação é uma inclinação para algo determinado e chamado da graça à ordem sobrenatural. Portanto, vocação é um convite de Deus que encontra no ser humano a resposta generosa ao aceitá-la, ou egoísta ao negá-la.
A vocação é uma graça, um dom de Deus. Uma vocação caracteriza-se por uma série de dons, de luzes, de inspiração sobrenatural, estes influenciam a alma a sentir-se atraída a um estado ou outro. A vocação é um mistério de amor entre Deus que, por amor, chama a pessoa humana que, também por amor, lhe responde livremente.
Aqui temos que fazer uma importante distinção. Uma vocação nunca se poderá discernir sem a liberdade de pensamento. Deus criou o homem e a mulher livres, ou seja, "à sua imagem e semelhança." (Gn 1,26). Portanto, se o obrigam a escolher uma determinada vocação, por um ou outro motivo, isso não é graça e chamado de Deus, mas sim fanatismo e escravidão. Por isso para descobrir qual é a vocação a que Deus chama é preciso consultá-lo.
São Paulo, no momento decisivo de sua conversão exclamou: "Quem és tu, Senhor?" (At 22,8). E, em seguida perguntou: "Que devo fazer, Senhor?" (At 22,10). Esta deveria ser a nossa oração. Esperando que, no silêncio, a inspiração divina suscite uma resposta em nosso coração.
Muitas pessoas buscam tantos indicativos na vida: cartomantes, conselhos telefônicos, amigos, etc., e quase nunca deixam Deus falar. Devemos recordar que a oração não é um monólogo, mas sim um diálogo. Não basta falar a Deus de tantas e tantas coisas, é preciso que lhe demos espaço para que ele nos fale. É preciso silenciar o coração, para podermos escutar a voz de Deus. Jesus mesmo, antes de sua vida pública, foi ao deserto – lugar de silêncio – para jejuar e orar. E, foi neste silêncio que soube diferenciar as tentações do demônio, da vontade de Deus.
A vocação não é uma ordem, senão um chamado, um convite. Deus oferece continuamente suas luzes, como um suspiro. Recordemos a passagem do livro dos Reis, onde o profeta Elias escondeu-se em uma gruta e esperou o Senhor. Primeiro chegou um furacão, mas Deus não estava ali. Logo um grande terremoto, mas tampouco Deus estava ali. Depois do terremoto, apareceu fogo, mas Deus não estava no fogo. Finalmente, chegou uma brisa suave e Elias reconheceu Deus e saiu da gruta. (cf. 1 Reis 19,9-14).
A vocação não é um sentimento, na verdade a vocação não se sente. É, antes, uma certeza interior que nasce da graça de Deus que me toca a alma e que me pede uma resposta livre. Caso Deus chame, a certeza irá crescendo na medida em que a sua resposta for mais generosa. Assim, a fonte da vocação é sempre Deus. Aquele que livre nos criou nos chama para que na liberdade possamos optar por amar e servi-lo.
- Créditos:
- Pe. Alexandre De Nardi Biolchi, cs
- Animador Vocacional e Juvenil da Congregação dos Padres Carlistas-Scalabrinianos
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